A explosão de luz na fecundação do óvulo

Num estudo publicado recentemente [1] por pesquisadores da Northwestern University, em Chicago, descobriu-se que no momento em que o óvulo materno é ativado por uma enzima do esperma paterno, uma explosão de luz é liberada com faíscas produzidas por zinco. Foi a primeira vez que o fenômeno foi percebido no óvulo humano.


Fonte: Telegraph.

Para eles, existe uma relação entre o tamanho dessa explosão e a qualidade ou viabilidade do óvulo fecundado para se desenvolver-se num embrião: quanto maior a explosão, melhor é a sua qualidade. “Essa descoberta é importante, pois nos dá uma forma fácil e não invasiva de compreender a saúde do óvulo e do embrião antes de ser implantado no útero”, disse Eve Feinberg, uma das autoras do estudo e que cuidou das pacientes que forneceram os óvulos [2].

Confira o fenômeno no vídeo abaixo:

Os cientistas ativaram o óvulo pelo uso de enzimas do esperma, o que faz aumentar a quantidade de cálcio dentro do óvulo, e faz liberar zinco para fora dele. Os óvulos do estudo não foram fertilizados com esperma verdadeiro porque as leis federais americanas não permitem esse procedimento. “Foi impressionante”, disse Teresa Woodruff, pesquisadora sênior na universidade e uma das autoras do estudo. “Toda a biologia começa no momento da fertilização, e ainda assim não sabemos quase sobre os eventos que acontecem no ser humano”, continuou [1].


Fonte: Telegraph.

Essa descoberta pode também nos fazer questionar: quando é que a vida começa? A percepção mais imediata é que ela realmente comece na fecundação, e não algum tempo depois como propõem os apologistas do aborto. É uma pena que muitas das justificativas que procuram favorecer o aborto tenham como base a cosmovisão evolutiva [3]. No entanto, a ciência nos mostra que a concepção do embrião é um momento único no desenvolvimento dele, e isto não é uma conclusão política ou religiosa. É apenas ciência avançada.

Mas interações químicas que liberam luz não são comuns no dia-a-dia? Por que essa seria tão especial?

É verdade, elas são comuns. Mas nenhuma delas sinaliza a formação saudável de uma vida diretamente na sua concepção.


Referências

[1] Radiant Zinc Fireworks Reveal Quality of Human Egg, disponível em <http://www.northwestern.edu/newscenter/stories/2016/04/radiant-zinc-fireworks-reveal-quality-of-human-egg.html>. Acessado em 30/04/2016.

[2] Bright flash of light marks incredible moment life begins when sperm meets egg, disponível em <http://www.telegraph.co.uk/science/2016/04/26/bright-flash-of-light-marks-incredible-moment-life-begins-when-s/>. Acessado em 30/04/2016.

[3] Life Begins With a Dramatic Burst of Light. Darwin’s God, disponível em <http://darwins-god.blogspot.com.br/2016/04/life-begins-with-dramatic-burst-of-light.html>. Acessado em 30/04/2016.

Fred Hoyle, sobre a capacidade dos processos naturais em gerar grandes quantidades de informação

Chandra Wickramasingue

Fred Hoyle

Fred Hoyle e Chandra Wickramasingue escreveram, no livro Evolution from Space (que pode ser encontrado na Amazon Brasil), sobre a capacidade de processos naturais em gerar grandes quantidades de informação:

From the beginning of this book we have emphasized the enormous information content of even the simplest living systems. The information cannot in our view be generated by what are often called ‘natural processes’ [1] (…) There is no way in which we can expect to avoid the need for information, no way in which we can simply get by with a bigger and better organic soup [2] (…) The correct position we think is (…) an intelligence, which designed the biochemicals and gave rise to the origins of carbonaceous life. [3] (…) This is tantamount to arguing that carbonaceous life was invented by a non-carbonaceous intelligence, which by no means need be God, however [4].

No português:

“Desde o início deste livro nós temos enfatizado a quantidade enorme de informação até mesmo dos sistemas biológicos mais simples. Essa informação não pode, na nossa visão, ser gerada por aquilo que muitas vezes se chama de ‘processos naturais’ (…) Não há maneira pela qual nós conseguiríamos evitar a necessidade da informação, não há como nós simplesmente sairmos dessa com uma sopa orgânica maior e melhor (…) A posição correta que nós imaginamos é (…) uma inteligência que projetou os componentes bioquímicos e deu origem à vida carbônica. (…) Isso é equivalente a afirmar que a vida carbônica foi inventada por uma inteligência não carbônica, o que não significa que seja Deus, contudo.”


Referências

[1] Fred Hoyle e Chandra Wickramasingue, Evolution from Space, p. 156 (Simon & Schuster, 1981).

[2] Ibid., p. 37.

[3] Ibid., p. 150.

[4] Ibid., p. 146.

Design Inteligente em ação: Ciência Forense


Imagem: Alasca, Mar de Bering, Ilha Punuk; Capitão Budd Christman, NOAA Corps.

Há pouco tempo, nós consideramos a arqueologia e a criptologia como exemplos da ciência do Design Inteligente em ação. A ciência forense é outro exemplo. Ela procura distinguir causas intencionais de causas acidentais em situações ou eventos humanos. Por exemplo, num julgamento de assassinato, todas as evidências são examinadas para que se determine se a vítima morreu de causas naturais ou se foi morta intencionalmente. Quanto mais perfeito for o crime, mais difícil será essa tarefa.

Porém, declarar culpa ou inocência não é a tarefa da equipe forense — e nem de identificar o assassino ou a motivação dele. Seu trabalho é apenas determinar se a morte foi acidental ou se foi projetada intencionalmente (neste caso, por um projeto mau). A vida de uma pessoa acusada pode estar em jogo. Talvez a presença do réu na cena do crime tenha sido uma coincidência, no momento em que a vítima teve um ataque cardíaco natural. Como qualquer um poderia saber, com toda a ciência do Design Inteligente a disposição, as evidências são cruciais para fazer uma inferência adequada ao design.

Ciência forense nuclear

A ciência forense se aplica a muito mais do que investigações de cenas de crime. Na revista Nature de novembro de 2013, Klaus Meyer alegou que a proliferação de materiais nucleares exige a expansão da “ciência forense nuclear” — a capacidade de caracterizar materiais nucleares para deter o tráfico ilícito e o terrorismo. Mais especialistas com boas práticas estão sendo necessários neste trabalho tão importante.

Meyer lista alguns dos questionamentos que os peritos forenses nucleares fazem:

Funcionários detectam materiais nucleares ilícitos nas fronteiras, nos portos e aeroportos ou nos territórios estaduais pela medição da radiação direta ou agindo com informações privilegiadas da polícia ou dos serviços de inteligência. Sempre que uma amostra é interceptada, as agências querem saber: quais leis foram quebradas? Quando e onde foi o material produzido? Qual foi o uso pretendido? Onde estava o material roubado ou desviado? Existem maiores quantidades do material? Cientistas forenses nucleares tentam responder a esses questionamentos.

Ninguém pensaria que esses cientistas forenses nucleares não sejam cientistas só por acreditarem que alguém agiu intencionalmente. Não, eles estão preocupados em avaliar provas empíricas e fazer inferências de intencionalidade. Digamos que 300 gramas de óxido de plutônio sejam interceptados, como aconteceu no aeroporto de Munique, em 1994. Identificar o material e conhecer a improbabilidade de ele ser encontrado em um aeroporto por causas puramente naturais — ou até mesmo causas acidentais, tal como um passageiro comum perdê-lo — justificaria uma inferência de intencionalidade.

Existem muitas coisas que um cientista forense nuclear poderia inferir por exame direto do material radioativo. Meyer explica:

As assinaturas químicas e físicas de um material radioativo — a partir da sua aparência e microestrutura até à sua composição elementar e isotópica — dão esclarecimentos sobre sua origem e história. Por exemplo, as proporções de isótopos das impurezas de estrôncio numa amostra de urânio natural podem indicar se ele foi extraído na Austrália ou Namíbia. A presença de subprodutos de decaimentos nucleares revelam a data de produção do material, e produtos, como o urânio-236, de reações de nêutrons indicam que ele foi irradiado em uma usina elétrica.

A ciência forense nuclear é um campo relativamente novo, pequeno e especializado da ciência forense. Meyer argumenta que métodos melhores para identificar assinaturas de materiais nucleares aumentará a solidez das suas respostas, e, assim, a sua credibilidade. Geralmente, isso é verdadeiro para todas as ciências de Design Inteligente. Quanto mais robustos forem os métodos, maior será a credibilidade da inferência ao design. O receio de Meyer é que, sem um número suficiente de especialistas na área, contrabandistas e terroristas possam evitar serem processados. Eis aqui uma ciência de Design Inteligente com implicações amplas para a segurança internacional.

Considere este caso real da ciência forense em ação. Ele está pronto para ser tratado como roteiro de cinema:

Há alguns anos atrás, num país europeu, um detector de radiação numa estação de reciclagem de sucata disparou um alarme. Uma peça de aço num carregamento vindo do sul da Ásia tinha um depósito esverdeado, e que uma medição rápida mostrou que era urânio natural.

Uma amostra foi enviada para o nosso laboratório de investigação nuclear em Karlsruhe, Alemanha, onde eu e minha equipe identificamos o material verde como tetrafluoreto de urânio, um produto intermediário do processamento de urânio encontrado normalmente no enriquecimento do isótopo. A datação sugeriu que ele foi produzido em 1978. Mas as impurezas químicas, particularmente no padrão dos elementos raros terrestres (incluindo lantânio, neodímio e samário), indicou que o urânio veio de um subtipo de arenito não encontrado no país suspeito de origem, mas sim na China, Austrália, Níger ou na República Tcheca…

A história engrossou a partir daí. Pistas adicionais apontaram para Níger como país de origem. Assim, a origem e a história do material mostraram que o processamento de urânio e seu enriquecimento já tinham sido pegos num estágio muito precoce das atividades nucleares do país.

Este exemplo mostra como inferências precisas podem ser feitas a partir de evidências empíricas, baseadas na eliminação de pequenas probabilidades — assim como Bill Dembski descreve no livro The Design Inference. A improbabilidade de o material ser proveniente de qualquer outro lugar ou momento permitiu que a equipe forense tirasse conclusões concretas. Os detalhes do material, incluindo a forma das pastilhas, sua composição e a quantidade de decaimento dos isótopos-pai, deram pistas que os cientistas usaram para identificar a origem e inferir causas intencionais das causas naturais, sem conhecer a identidade ou as motivações dos autores. Esta é exatamente a abordagem que Stephen Meyer usou no livro Signature in the Cell para inferir intencionalidade no código genético.

Tal como acontece com o Design Inteligente na biologia, a ciência forense depende de especialistas em vários campos. A ciência forense nuclear precisa de “químicos nucleares especializados, físicos nucleares e engenheiros nucleares com experiência prática no ciclo do combustível nuclear e na produção ou na análise de material nuclear”, aconselha Klaus Meyer. Da mesma forma, inferir intencionalidade na célula, na terra e no universo depende de especialistas em campos tão diversos como a bioquímica e cosmologia. No entanto, pode-se chegar a inferências concretas com informações suficientes, se não exaustivas: “A medição de alguns parâmetros pode fornecer informações suficientes para fins de aplicação da lei”, diz Meyer. De forma similar, o cálculo de pequenas probabilidades pode chegar um nível suficiente, a partir do qual mais evidências para a inferência ao design se tornam supérfluas.

Ciência forense histórica

Outro artigo sobre ciência forense aparece na mesma edição da revista Nature. Alison Abbott faz revisão de um novo livro de Christian Jennings, Bosnia’s Million Bones Solving the World’s Greatest Forensic Puzzle. Dessa vez, os autores eram conhecidos: sérvios bósnios assassinaram cerca de 100.000 de seus compatriotas durante os vergonhosos anos de 1992 a 1995. O que eram desconhecidas eram as identidades de milhares de vítimas cujos corpos tinham sido despejados em valas comuns e, em seguida, enterrados em outro lugar. As famílias em luto queriam dar a seus queridos entes enterros mais apropriados.

Procurar descobrir essas identidades era “o maior enigma forense do mundo”, Jennings descreve em seu livro. Os sérvios, querendo encobrir suas atrocidades, tinham arrasado com as primeiras valas comuns e as redistribuíram para mais de 30 locais distantes. O livro de Jennings “conta a história de como a inovadora genética forense resolveu o terrível enigma de identificar cada osso, de modo que as famílias em luto pudessem ter alguma paz”.

Observe que isso é chamado de “genética forense”, não de religião ou mitologia.

A tarefa, uma obra-prima do inferno, requeria identificar os locais distantes de sepultamento a partir das pesquisas aéreas e terrestres de solos perturbados, desenterrando os restos, e então interpretar metodicamente os “padrões” para identificação. Aqui se percebe uma questão a ser colocada na detecção de design: este pedaço de terra foi perturbado naturalmente — ou seja, por um deslizamento de terra, furacão ou por uma debandada de animais — ou foi perturbado intencionalmente para encobrir uma vala comum? Várias pistas foram necessárias para garantir uma inferência ao design:

Eles reuniram alguns indícios de como e quando os assassinatos em massa aconteceram a partir de pistas como o estado de decomposição dos corpos, as horas e datas em seus relógios de corda automática, e os padrões característicos dos danos causados em crânios com balas. Análise das cores e das texturas dos solos apontaram para onde alguns dos ossos tinham sido despejados primeiro. Por exemplo, lascas de vidro indicavam enterro perto de uma fábrica de vidro na área.

A partir de então, o exame de DNA foi a única forma segura de identificar as vítimas. “A tarefa de identificar os ossos foi extraordinariamente difícil”, diz Abbott, mas os métodos forenses funcionaram. Por meio dessa análise, mais de 80% dos restos mortais foram devolvidos às suas famílias para o enterro.

Ambos os artigos na revista Nature confirmam a ciência forense como uma ciência legítima. A ciência forense trata de detecção de intencionalidade (causação natural ou intencional), interpretando padrões, e fazendo inferências ao design. As vezes o designer é conhecido; as vezes não. De qualquer forma, a identidade e as motivações do designer são irrelevantes para a validação de uma inferência ao design. Só importam as evidências. Os cientistas forenses seguem as evidências até onde elas levam. As implicações ficam para que outros as considerem.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Design Inteligente em ação: Criptologia

Críticos do Design Inteligente (DI) dizem que ele não é ciência. Tente explicar isso para muitos cientistas que usam princípios do DI rotineiramente nos seus trabalhos… Aqui está um outro exemplo: criptologia.

O Dicionário Michaelis e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa definem criptologia como “estudo científico da criptografia e da criptoanálise”. Criptologia é processo de escrita e de leitura de mensagens secretas em código. A criptoanálise faz uso de teorias de resolução de sistemas criptográficos. Existe o Journal of Cryptology. Existem professores de criptologia. A criptologia faz uso de teorias, dados, experimentação e testes. Ela tem todos os trejeitos de ciência — e é baseada inteiramente em princípios do Design Inteligente. Faz sentido. É preciso que exista uma mente para codificar uma mensagem, e outra mente para decodificá-la.

Nigel Smart é um professor de criptologia na University of Bristol. Em cooperação com a Aarhus University na Dinamarca, sua equipe conseguiu um avanço na criptografia que pode resultar em uma computação mais segura”, segundo a University of Bristol. Eles tomaram o sonho de “Aline no País das Maravilhas” da teoria para a realidade, permitindo que duas ou mais partes façam a computação de uma função com entradas secretas, num método chamado Multi Party Computation. É uma forma de passar mensagens secretas as vistas de todos (um truque e tanto se você pensar bem). O seu produto é chamado de protocolo SPDZ, pronunciado “speeds”, já que ele é rápido.

A ideia por trás da Multi Party Computation é que ela deve possibilitar que duas ou mais pessoas façam o cálculo de qualquer função da sua escolha com entradas secretas, sem revelar essas entradas a qualquer outro. Um exemplo é numa eleição, em que os votantes querem que o seu voto seja computado, mas eles não querem que seu voto seja público.

Críticos do DI poderiam argumentar que nós já conhecemos as mentes humanas, e isso não daria apoio para a ideia de agentes inteligentes não especificados criando fenômenos naturais. Mas, de forma intrigante, existem exemplos de comunicação segura na natureza também. Árvores, por exemplo, emitem compostos voláteis específicos que notificam outras árvores quando um predador está presente. Corvos usam um vocabulário complexo para avisar todo o bando.

Existem muitos exemplos de “ocultação à luz do dia” na natureza. A borboleta vice-rei faz imitação da borboleta monarca, que tem um mal gosto ao paladar, convencendo pássaros a não come-la. Coloração oculta permite que alguns peixes e lulas fiquem invisíveis a predadores. O uso de mimetismo para evitar caça de predadores é muito comum na natureza. Os predadores, é claro, usam uma variedade de sinais ocultos para atrair presas. A transdução de sinais é muito importante em células vivas, e a genética é baseada na tradução de códigos em outros códigos.

Isso não sugere que plantas, animais e células usam poderes mentais para cumprir essas façanhas. Na criptologia humana, os protocolos são automatizados depois de serem idealizados. O Dr. Smart não tem que calcular toda função quando são fornecidas novas entradas. Não, tudo o que a sua equipe fez foi desenhar o protocolo, e os computadores faziam o resto. De forma similar, parece cada vez mais claro que uma causa inteligente forneceu aos seres vivos os protocolos que são empregados de modo instintivo pelas criaturas.

Um cético poderia rejeitar todos esses exemplos naturais, reinterpretando-os com explicações darwinianas, e continuar a enfrentar a realidade de que a criptologia humana, assim como a arqueologia, é um campo científico que não só faz uso de projeto inteligente, ela depende dele. A partir da nossa experiência uniforme, nós sabemos que quando uma mensagem aparece na forma de uma cadeia de bits — mesmo que criptografada —, uma mente com um propósito teve um papel na sua criação. Isso é verdade mesmo que nós não possamos ler a mensagem (pense na Pedra de Rosetta), e mesmo que nós não saibamos a identidade do projetista (pense no programa de busca por inteligência extraterrestre SETI).

O Design Inteligente está vivo e passa bem na ciência.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Design Inteligente em ação: Arqueologia

A arqueologia é o estudo de artefatos que foram projetados com um propósito. Nossa experiência uniforme sobre as causas inteligentes nos permite fazer inferências sobre design, mesmo que não saibamos a identidade dos projetistas. Em razão dos princípios do Design Inteligente serem usados na arqueologia assim como são usados em outras ciências, qual o problema em aplicar a teoria na biologia?

Novas ferramentas de pesquisa estão permitindo que os pesquisadores questionarem sobre a ação humana inteligente no contexto das civilizações antigas, questionamentos que não eram imaginados antes. Por exemplo, considere uma inscrição cuneiforme numa barra de argila. O foco tem sido usualmente em decifrar a mensagem, mas agora, através de imagens com raio-X, os cientistas poderão estudar a tecnologia que as pessoas de tempos antigos usaram para criar a própria barra. Isso foi explicado num comunicado à imprensa da Western University no Canadá por Paul Mayne, “Redefining Archeological Research”.

Uma dos pontos fortes da Western University é o escaneamento por Tomografia Computadorizada (CT scan), especificamente de objetos até 40 cm de tamanho. O que é perfeito para digitalizar artefatos do tamanho de barras de argila. Com o scanner de microCT da universidade, pesquisadores como Andrew Nelson podem renderizar o exterior como o interior de qualquer objeto.

Com o toque de um botão, o objeto foi escaneado, reconstruído e inteiramente renderizado usando mais de 3.000 imagens individuais, permitindo uma inspeção e visualização de alta qualidade.

Um banco de dados dos artefatos arqueológicos pode assim ficar disponibilizado a pesquisadores de todo o mundo — uma significativa melhora em relação ao armazenamento em depósitos. Falando em depósitos, a universidade projetou isso de forma inteligente também. Em parceria com a McMaster University e com o governo canadense, o Repositório Sustentável Arqueológico (Sustainable Archaeological Repository, SAR, em inglês) da Western University pode armazenar 90.000 caixas de artefatos nas suas instalações de aproximadamente 1.670 m² (18.000 ft²). Digitalizar uma parte dos milhões de objetos catalogados até agora abrirá essas caixas a todo o mundo, possibilitando que “qualquer pessoa em casa acesse” a história da civilização.

Vários aspectos dessa história são interessantes. Primeiro, é claro, é a demonstração que o Design Inteligente já está sendo usado na ciência. Ao contrário do que os críticos do DI na mídia e na academia podem dizer, o DI não é um intruso estranho que certas pessoas com uma “agenda” estejam enfiar na ciência. Ele já está lá — na arqueologia mas também na ciência forense, na criptografia, na biomimética e no SETI. O debate não é se os métodos e as inferências do DI são legítimas, mas sim se os mesmos métodos e inferências são aplicáveis na biologia e na cosmologia.

Bem, por que não? No comunicado à imprensa, o Dr. Neal Ferris, o investigador principal do SAR, percebeu alguns padrões circulares num pedaço de cerâmica. A partir deles, ele foi capaz de inferir a técnica que o projetista usou — inclusive as decisões específicas que o projetista tomou.

“Com os scanners, nós seremos capazes de cortar seções do objeto para ver como eles foram construídos, ver quais materiais foram usados para construí-lo“, ele disse. “De qualquer coisa que seja cerâmica, como barras de argila, ou uma vasilha cerâmica, você pode dizer como ele foi construído pela imagem. Parece que haviam movimentos circulares na barra. Isso nos dá pistas sobre as ações efetivas da pessoa e do processo de tomadas de decisão que essa pessoa teve. Isso nos dá uma dimensão singular e pessoal do objeto. “Não é mais um objeto estático, é o produto final de uma série de decisões que esse indivíduo tomou”.

O Dr. Ferris pode fazer essa afirmação sobre as decisões do projeto sem saber qualquer coisa sobre a identidade do projetista ou da religião daquela pessoa. E claramente, o próprio Dr. Ferris não tinha nenhum tipo de agenda religiosa em fazer essa inferência. Na verdade, ele acredita que as inferências sobre causas inteligentes poderiam ser expandidas ainda mais:

“Você está escaneando, por exemplo, uma vasilha enterrada a milênios atrás que uma mulher fez num vilarejo, num estilo de vida completamente diferente. Você poderia revelar todo o processo artesanal de construção da peça“, ele disse. “Nós vamos continuar escaneando esse tipo de coisa, então imagine o que acontecerá quando nós tivemos 2.000 peças como essa escaneadas. Nós possivelmente seremos capazes de traçar a história de um artesão em particular”.

A tecnologia é aplicável a causas naturais e inteligentes, como Nelson deixou claro:

Nelson disse que outras aplicações para o scanner de microCT são possíveis. Por exemplo, ele tem um estudante de pós-graduação interessado em evolução dos primatas e em morfologia facial primata; a equipe de Ciência Terrestre e Planetária está interessada no escaneamento das suas coleções de meteoritos; e um artesão de instrumentos de corda de Sudbury está interessado em escanear violinos para entender o que faz um Stradivarius ser diferente de um outro tipo de violino. “Isso é inacreditável”, disse Nelson. “Ter acesso a uma tecnologia como essa, em que nós podemos realmente ir até os limites das imagens no contexto arqueológico, é muito emocionante e vai colocá-la no radar. Existem muitas outras aplicações que nós estamos apenas começando a explorar”.

Em resumo, o Design Inteligente está vivo e confortavelmente dentro da ciência; ele está na linha de frente das novas descobertas.

Faça esse experimento mental: se a equipe de Ciência Terrestre e Planetária escaneasse um meteorito e achasse uma mensagem ou uma máquina molecular executando uma função reconhecida, eles estariam justificados em fazer uma inferência ao design?

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

O Design Inteligente é mais antigo do que você pensa


Imagem: Anaxagoras, via Wikimedia Commons (domínio público).

A história do Movimento do Design Inteligente (MDI) moderno nos EUA pode ser traçada a partir do seminário organizado por Phillip Johnson na cidade de Pajaro Dunes em 1993. Contudo, o Simpósio do Wistar Institute de 1966 e uma marcha persistente dos céticos de Darwin certamente prepararam o solo para aquele encontro. Mas o Design Inteligente (DI), enquanto conceito, data de muito antes do século XX. Assim como o materialismo moderno e o fisicalismo tem as suas raízes nos atomistas antigos (notavelmente Leucipo, Demócrito e Lucrécio), o DI também tem uma história rica e profunda.

Se é para identificar algum pensador que tenha fundado o DI, Anaxágoras cairia bem. Um dos preeminentes filósofos gregos pré-Socráticos, Anaxágoras (500-428 a.C) mantinha muitas ideias que podem soar estranhas para nós. Ele acreditava na divisibilidade infinita da matéria, e que todos os elementos naturais poderiam dar origem somente àqueles do seu mesmo tipo, assim, nada na natureza poderia surgir daquilo que não fosse como si mesmo.

O biógrafo de Anaxágoras no New Dictionary of Scientific Biography, James Longrigg, mostra que as ideias dele sobre matéria e astronomia, “apesar de serem bastante racionais”, não foram tão influentes. Mas a sua visão de uma “causa movente imaterial”, o Nous ou Mente, que colocava tudo em movimento, “preparou o caminho para uma visão amplamente teleológica da natureza”. Considera-se que o seu conceito de Nous enquanto força motora ativa na natureza deu a ele a alcunha de “Sr. Mente”.

Anaxágoras deu explicações para a luminescência da lua, os solstícios, cometas, eclipses, e outros fenômenos astronômicos. Ele chegou até a investigar sobre embriologia, meteorologia, geologia e cosmologia. Ele, junto com os outros pré-Socráticos que tentaram estabelecer uma explicação racional para tudo, alimentou o tipo de pensamento sistemático essencial para a investigação científica.

Longe de ser um oponente da evolução, Anaxágoras foi um dos seus primeiros contribuidores. “De acordo com Platão e Aristóteles”, escreve o famoso geólogo-paleontólogo americano Henry Fairfield Osborn, “esse filósofo foi o primeiro a atribuir adaptação na Natureza a um Design Inteligente, e foi por isso o fundador da Teleologia” (The Greeks to Darwin; an outline of the development of the evolution idea). Segundo Osborn, a contribuição de Anaxágoras para o design na natureza foi, na verdade, baseada na apreciação dos processos de adaptação, um conceito fundamental no pensamento evolutivo.

Embora a teleologia, enquanto componente do pensamento de Anaxágoras, ter sido as vezes menosprezada e em alguns casos até ter sido negada, Jonathan Barnes observa o seguinte:

Teleologia pessoal não é normalmente uma característica da ciência natural; ainda assim, ela entra no mundo natural se os fenômenos naturais são vistos como operações de um artífice inteligente. Anaxágoras tomou essa visão; e é simplesmente perverso negar que ele foi um teleologista no mais inteligível perfeito sentido (…) A Mente “quer” (boulêtheis) construir um mundo; a existência do cosmos é explicada como o objetivo de um ator inteligente. Se a palavra “querer” não ocorrer nos fragmentos de Anaxágoras, os verbo “conhecer” e “ordenar” ocorre: a mente ordenou ou arrumou as coisas; e ela sabia que assim deveria ser (Jonathan Barnes, The Presocratic Philosophers).

Respeitando os limites do que a ciência pode dizer, o Design Inteligente moderno diz pouco sobre a natureza do designer que ele infere, somente que “existem aspectos descritivos dos seres vivos e do universo que tem como melhor explicação uma causa inteligente — isto é, pela escolha consciente de uma agente racional — ao invés de um processo não controlado”, como colocou Stephen Meyer em Signature in the Cell. Na proposição do Nous, Anaxágoras fez uso do raciocínio abdutivo que preparou o caminho para uma longa e venerável tradição de Design Inteligente.

A história de Anaxágoras dá algumas lições instrutivas a quem costuma afirmar que o Design Inteligente seja algo como o criacionismo cristão que se opõe à evolução e à ciência:

  • O fundador do Design Inteligente não era um oponente da evolução; na verdade, ele ajudou no seu desenvolvimento.
  • Seu exemplo demonstra que não há nada na evolução per se que se oponha ao propósito na natureza.
  • Antecedendo o Cristianismo e o livro do Gênesis, as suas contribuições dificilmente poderiam ser chamadas de cristãs ou criacionistas.
  • Como Anaxágoras introduziu a filosofia Jônica e a investigação científica em Atenas, sua teleologia não representava o fim da ciência, mas sim o seu início.
  • A presunção do darwinismo como sinônimo de ciência é imprecisa e completamente a-histórica.

Parece claro que os críticos do Design Inteligente, se tivessem tanto apreço pela educação científica como costumam dizer, teriam que reconhecer os fundamentos de um conceito que tem uma história longa e duradoura no pensamento ocidental. Ciência é muito mais do que uma atividade de bancada; ela tem contextos históricos e culturais também, este que inclusive serve para informar aquele a respeito dos questionamentos que fazemos e das respostas que oferecemos.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Obrigado, William Dembski!

William Dembski

William Dembski, um dos teóricos mais notáveis da Teoria do Design Inteligente, anuncia sua saída do movimento.

Ele escreve[1]:

In the last few years, my focus has switched from ID to education, specifically to advancing freedom through education via technology. All my old stuff on ID is on the present site (it was previously at DesignInference.com, which is no more), and can be accessed by clicking on “Design” in the main menu.

I still have a few ID projects in the works, notably second editions of some of my books (e.g., NO FREE LUNCH and THE DESIGN INFERENCE). I regard BEING AS COMMUNION: A METAPHYSICS OF INFORMATION (published 2014) as the best summation of my 23-years focused on ID (the start of that work being my article “Randomness by Design” in NOUS back in 1991).

I’m happy for the years I was able to spend working on ID, but it’s time to move on. I’ll be describing my new endeavors on this new blog.

O blog a que ele se refere é o seu blog pessoal, billdembski.com.

Muito obrigado, William Dembski! O Universo Privilegiado deseja a você sinceros votos de sucesso nos seus futuros empreendimentos.


Referências:

[1] http://billdembski.com/a-new-day/