Entrevista: Bioquímico Explica Porque Lipídios São “Objetos Projetados”

Imagem: Bicamada Lipídica, do National Institutes of Health, via Wikicommons.

A Teoria do Design Inteligente (DI) sustenta que certas características do mundo natural são melhor explicadas por uma mente (ou mentes) ao invés de processos não inteligentes como mutação aleatória e seleção natural. A hipótese do DI baseia-se em uma série de fenômenos, incluindo a informação genética, a epigenética, a cascata de coagulação sanguínea, os flagelos bacterianos, o ajuste fino das constantes físicas das leis da natureza, e assim por diante. Dos confins do cosmos até as complexidades da célula, a natureza manifesta características de uma mente. Quanto mais os cientistas investigam a complexidade exuberante da natureza, mais forte se torna a hipótese do DI.

O mesmo pode ser dito sobre um fenômeno biológico “comum”: as gorduras. Recentemente, fomos visitar um especialista em gorduras (tecnicamente conhecidas como “lípidos”), um professor de bioquímica em uma das instituições israelenses de ensino superior que tem estudado o assunto durante quase toda a sua carreira. Ele pediu que sua identidade seja mantida em sigilo – um pedido justo, pois muitas pessoas que não gostam dos seus pontos de vista já o desmereceram no passado. Para cientistas simpáticos ao DI, é uma história familiar.

O que realmente importa, é claro, são as suas afirmações, provas e argumentos.


P: Em termos leigos, o que é um lipídio?

R: “Lipídio” é basicamente o termo técnico para gordura.

P: Você tem estudado lipídios já a três décadas. Conte-nos sobre a sua pesquisa.

R: Durante o meu trabalho de doutorado nos anos 80, eu me concentrei em como alguns lipídios podem ajudar a fixar proteínas numa membrana celular. Mas foi durante o meu pós-doutorado, que começou em 1987, que eu comecei a trabalhar em lipídios diretamente, embora o meu doutorado também tenha tocado no assunto dos lipídios por acidente. E durante os últimos 25 anos como acadêmico em um instituto de ensino superior em Israel, tenho trabalhado mais ou menos com as mesmas questões; certamente com a mesma classe de lípidos por mais de três décadas. Na verdade, um pouco antes de você chegar aqui, eu enviei o meu 229º artigo. E eu estava tão animado com ele como eu estive com todos os outros. Eu ainda consegui fazer a estudante que fez o trabalho apertar o botão de envio do artigo. Era o primeiro artigo dela. E eu estava tão animado com a apresentação do artigo assim como ela estava.

P: Você parece entusiasmado com a sua pesquisa. O que faz com que ela seja divertida?

R: Para mim, o que é surpreendente é que, ainda que eu trabalhe na pesquisa de questionamentos específicos, há sempre algo novo para descobrir. Quanto mais você faz descobertas, mais você descobre que há muito mais para ser descoberto. A vida biológica é incrivelmente complexa. E vai ficando ainda mais complexa quanto mais se cava. Pessoas que não são cientistas muitas vezes me questionam, “vocês já encontraram as respostas?”, e eu digo a elas: “Sim, encontramos as respostas para algumas perguntas, mas, infelizmente, isso abriu uma monte de perguntas para um outro conjunto de perguntas, nas quais estamos trabalhando nesse momento”. Então isso não tem fim. E se você for uma pessoa curiosa como eu, então vai ficando emocionante e divertido. Estou sempre dizendo aos meus alunos: “Olha, se o que você faz não for divertido, não faça”. Há muita dor de cabeça no processo real de fazer ciência. Você precisa ser financiado, você precisa ter espaço no laboratório, você precisa disso, você precisa daquilo… mas a melhor coisa mesmo é que é divertido.

P: Conte-nos sobre sua pesquisa atual sobre lipídios. O que você está fazendo agora?

R: Eu trabalho com uma classe de lipídios chamada esfingolipídios. Seu nome deriva da “esfinge”, acredite se quiser, porque J. W. Thudicum, o químico que os descobriu em 1884, os considerou enigmáticos. Ao longo dos últimos anos, tenho trabalhado em duas doenças genéticas, fibrose cística e doença de Gaucher. Muitas pessoas sabem sobre fibrose cística, mas poucos sabem sobre a doença de Gaucher. Ela é encontrada em maiores taxas na população judaica Ashkenazi. Todo mundo já ouviu falar da doença de Parkinson, certo? Acontece que as mutações no gene que está relacionado com a doença de Gaucher também podem fazer algumas pessoas terem a doença de Parkinson. Não está claro ainda como é essa relação. Nós sabemos que há uma ligação genética – que tem sido trabalhada por mapeamento genético -, mas ainda estamos trabalhando na ligação mecanicista. Nós não fizemos nenhuma descoberta neste campo no momento, mas estamos trabalhando duro para entender se o nosso trabalho sobre a doença de Gaucher pode ser aplicável a todos os trabalhos mais conhecidos sobre a doença de Parkinson.

P: Você passou muito tempo estudando lipídios. Você teve muitas oportunidades de considerar a importante questão de “como os lipídios surgiram, em primeiro lugar”? Na sua opinião, processos não controlados como a seleção natural e as mutações aleatórias podem explicar adequadamente a origem dos lipídios?

R: Os lipídios são incrivelmente complexos. Se você olhar para os lipídios que temos em nossas bicamadas lipídicas hoje, você encontrará um grande número de estruturas químicas, cada uma das quais difere ligeiramente em sua composição. Eu não quero entrar muito em química, mas existem diferentes comprimentos de cadeia, duplas ligações diferentes, diferentes cadeias laterais, diferentes grupos de cabeça, e assim por diante. Estima-se que pode haver de 10.000 a 100.000 diferentes estruturas químicas de lipídios na célula. E se você mudar mesmo que seja um deles, você poderia fazer aparecer uma disfunção na célula. Isso mesmo. A menor alteração na bicamada lipídica é muitas vezes fisiopatológica.

Complexidade abunda não apenas na bicamada lipídica da superfície celular, mas no interior da célula também. Dentro da célula, temos organelas – o núcleo, o aparelho de Golgi, o lisossomo, e assim por diante. Cada um destes é rodeado por uma bicamada lipídica diferente. Não existe duas organelas com a mesma composição lipídica. Além disso, uma bicamada lipídica tem duas camadas: um apontando para fora, uma apontando para dentro. A composição lipídica das duas metades da bicamada não é igual. Elas diferem completamente. Além disso, os lipídios alteram sua composição, dependendo do estado fisiológico da célula. É incrível. Então, quando eu olho para a complexidade da bicamada lipídica que existe hoje e eu a comparo com a suposta bicamada primitiva no passado antigo postulada por biólogos evolutivos, eu não consigo sequer iniciar um raciocínio para entender como fomos dessa coisa simples a uma coisa enorme e complexa que é hoje. Mesmo que essa membrana simples tivesse existido, como se tornou a bicamada lipídica de hoje? A minha cabeça não consegue nem imaginar isso. Então, quando eu olho para a bicamada lipídica, eu digo: “Uau, isso é incrível. Como isso aconteceu?”

P: Um biólogo evolucionista poderia responder que os processos evolutivos podem produzir tal complexidade. Como você responderia? Os evolucionistas forneceram uma descrição detalhada e substantiva de como os lipídios vieram a existir?

R: Há artigos que sugerem que os lípidos evoluíram por este ou aquele processo químico. Mas, como cientista, passo por esses documentos e acabo tendo muitas perguntas. Você quer dizer que a duplicação de genes ocorreu? Você quer dizer que as enzimas evoluíram por uma mutação aqui ou uma mutação ali? Tudo bem. Mas por favor, explique-me os mecanismos pelos quais esses supostos eventos ocorreram. Como exatamente, quimicamente, os lipidos evoluíram? Para mim, não se trata desta ou daquela filosofia; é uma questão de ciência. A nível da bioquímica – um nível mecanicista – esses estudos fornecem uma explicação válida de como os lipídios evoluíram? E eu, pessoalmente, ainda tenho que ver isso. Em quase todos os campos das ciências bioquímicas, eu simplesmente não vejo isso.

P: Alguns evolucionistas teístas, como Francis Collins, dizem que Deus criou os processos naturais que são capazes de dar origem a fenômenos biologicamente complexos, incluindo lipídios. Sua resposta?

R: Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que eu admiro muito Francis Collins. E eu não tenho nenhum problema com as pessoas que acreditam na evolução teísta. Mas no entanto, eu tenho uma série de perguntas simples. Como exatamente isso aconteceu? Você pode me explicar esses processos evolutivos em um nível mecanicista? E é aí que os argumentos evolucionistas teístas caem, porque não temos explicações mecanísticas adequadas. Agora, é uma posição válida dizer: “Não temos essas explicações agora, mas podemos tê-las no futuro”. Eu, pessoalmente, não sei se tenho fé suficiente para acreditar que vamos chegar a explicações bioquímicas mecanicistas válidas para explicar a complexidade da vida como nós a vemos.

P: Como então os lipídios se formaram?

R: Minha explicação é que eles sejam objetos projetados. O “design” nem sempre foi a minha explicação – eu era ateu até meus anos finais da adolescência. Mas eu digo que os lípidos foram projetados, e projetados de tal modo que os permite funcionar muito bem.

P: Como que um projetista faz isso?

R: Permita-me ser bem claro. Eu não tenho ideia. Tudo bem? Eu honestamente não sei. E eu não perco o sono a noite por não saber como o projetista projetou.

P: Nesse caso, como você sabe que algum projetista esteja envolvido?

R: Quando eu olho para a vida biológica, eu encontro um código. E esse código, até onde eu entendo, não pode ser explicado por fenômenos puramente naturalistas. Não vejo mecanismos bioquímicos que possam explicar esse código. Então, como é que sabemos o código foi projetado? Considere o exemplo que o professor John Lennox usa. Lennox diz que estamos procurando por vida no espaço sideral pelo programa SETI. Estamos a procura de padrões. Estamos a procura de um sinal de volta de algum lugar do espaço que tenha algum código binário, que não poderia ter acontecido por acaso ou por processos materiais. E se nós discernirmos este código, em seguida concluiremos que há vida lá fora. Quando olhamos para a vida na Terra, há muitos códigos. A meu ver, a melhor explicação destes códigos é que alguém realmente os projetou, da mesma forma que alguém teria projetado o código que estamos esperando do espaço sideral.

P: O seu argumento não seria um exemplo de raciocínio do “Deus das lacunas”?

R: Nós precisamos ter muito cuidado. O fato de não sabermos alguma coisa não significa que ela não poderia ter acontecido. Muitas coisas que não conhecíamos a duzentos anos atrás, hoje nós conhecemos. No entanto, sabemos que projetistas podem produzir coisas como código de software ou o meu querido Macintosh PowerBook. Também vemos código e complexidade semelhantes nos lipídios, na informação genética, nos flagelos bacterianos, e em muitos outros. Nós sabemos pela nossa experiência que sempre que percebemos esse nível de complexidade, um projetista está envolvido de alguma forma com isso. Então, essa é a razão de eu não me perceber argumentando com raciocínio do “Deus das lacunas”. Eu tenho razões positivas para a minha conclusão – razões que são baseadas no conhecimento, e não por mera ignorância.

P: Então só para ficar claro, de fato você tem um argumento em duas partes. Primeiramente, todos os processos materiais conhecidos são inadequados para produzir esses lipídios altamente complexos. Em segundo lugar, sabemos que os projetistas conseguem produzir esse nível de complexidade. Dessa forma, com a nossa experiência, não temos apenas razões negativas contra os processos sem controle, mas também temos razões positivas com base naquilo que sabemos que os projetistas fazem. E isso é verdade ainda que não saibamos exatamente como eles fizeram tudo isso. É isso mesmo?

R: Sim. Mas deixe-me dar um passo mais longe. Nós ainda não conseguimos projetar no laboratório uma bicamada lipídica que corresponde à complexidade que vemos na natureza. Como já disse antes, as bicamadas lipídicas têm duas metades. As duas metades não têm a mesma composição lipídica. Hoje nós conseguimos fazer bicamadas lipídicas artificiais, que são chamadas de lipossomos. Mas, na maior parte, elas são totalmente simétricas. Eles têm a mesma composição no interior como no exterior. Estamos em 2017 e ainda não sabemos como fazer uma bicamada lipídica assimétrica, assim chamada. Há um nível de design nos lipídios que está muito além da nossa capacidade de invenção.

P: Obrigado pelo seu tempo.

R: Sinto-me honrado em ser entrevistado.


Texto traduzido e adaptado de ENV.
Tradução: Equipe TDI Brasil.

Também publicado em TDIBrasil.org.

Sobre a expressão “Design Inteligente”

Para evitar algumas confusões que costumam aparecer nos debates sobre Design Inteligente, vamos esclarecer o significado dessa expressão assim como é entendida pela comunidade inteligentista.

A palavra “inteligente” pode ter dois significados distintos. Ela pode se referir tanto à atividade de de um agente inteligente, ainda que ele aja de modo estúpido; ou, por outro lado, ela pode significar que um agente inteligente tenha agido com habilidade. Não perceber essa distinção pode fazer com que a expressão “Design Inteligente” fique confusa. A comunidade inteligentista usa o primeiro dos significados mencionados, isto é, a palavra “inteligente” se refere apenas à agência inteligente, sem qualquer relação com a habilidade do agente. Por isso, existe uma distinção entre Design Inteligente e design otimizado. Além dessa distinção, é preciso diferenciar também o design inteligente do design aparente, segundo o qual o design percebido não é real, mas apenas aparente ou ilusório. Diferentemente do design inteligente, tanto o design otimizado como o design aparente esvaziam o termo design de qualquer significado prático.

Ao contrário da ideia de design otimizado que exigiria um projetista perfeccionista, o Design Inteligente se encaixa mais na noção corriqueira de design, o qual está sujeito às necessidades de alguma situação em detrimento de outras, deixando de satisfazer os requisitos de otimização num cenário idealizado. Nenhum projetista procura otimização no sentido de conseguir um projeto perfeito. Projetistas reais procuram conseguir uma otimização restrita, o que é muito diferente de design perfeito. Todo design envolve objetivos contraditórios, e por isso, o melhor projeto será sempre aquele que tiver o melhor comprometimento entre esses objetivos. A otimização restrita é a arte do comprometimento entre objetivos conflitantes, e é disso que o design se trata. Desqualificar o design em razão de ele não atender a uma otimização idealizada é injustificado, especialmente se os objetivos do projetista não forem conhecidos. No entanto, essa afirmação de que o design biológico não seja ótimo tem sido muito bem sucedida em restringir o debate a respeito do design. Só por ser possível imaginar alguma otimização num sistema, ou que ela possa ser feita, isso não quer dizer que o sistema em questão não tenha sido projetado inicialmente. Uma afirmação científica legítima seria aquela em que alguma estrutura biológica fosse analisada e, nela, fosse demonstrado que algum tipo de otimização restrita pudesse ser realizada.

A inferência ao design é feita pela identificação de características em sistemas cuja causa seja inteligente. No contexto da biologia, a fraquezas ou falhas nas características do projeto de alguns organismos ou ecossistemas poderiam ser compatíveis com as mudanças evolutivas guiadas por alguma inteligência. Nesse cenário, no qual nem todo aspecto biológico tomado isoladamente é ótimo, não se poderia afirmar que toda inteligência que controlasse o processo evolutivo seja falha. O inteligentista não afirma que toda estrutura biológica é projetada. Mecanismos naturalistas como a mutação e a seleção operam nos organismos para adapta-los aos seus ambientes. Porém, esses mecanismos naturais são incapazes de gerar as estruturas altamente específicas e ricas em informação que permeiam toda a biologia. Os organismos exibem características típicas de sistemas de alta tecnologia – armazenamento e transferência de informação, códigos funcionais, sistemas de seleção e de entrega de substâncias, auto-regulação e retroalimentação, arranjos de transdução de sinais – e em todo lugar, existem arranjos complexos de partes bem encaixadas e mutuamente interdependentes, as quais cooperam para executar alguma função.

A maior parte dos críticos do Design Inteligente costuma cometer erro de equivocação no uso dos termos, ou produzem argumentos do homem de palha, ou mesmo fazem ataques ad hominem aos argumentos científicos. Em nome da ciência, muitos também fazer afirmações teológicas extremamente simplistas – como por exemplo, “um deus não produziria essa estrutura dessa forma” –, as quais não são passíveis de falseabilidade. Com isso tornam impossível o prosseguimento do debate científico sério. O fato é que as evidências em favor do Design Inteligente estão aí, e pouco se procurou até agora confronta-las face a face.


Este texto baseado no capítulo 6 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

Design Inteligente e Criacionismo são diferentes

O Design Inteligente precisa ser distinguido daquilo que se chama de Criacionismo Científico.

Uma das diferença mais notórias é que o Criacionismo Científico possui comprometimentos religiosos, enquanto o Design Inteligente não. Existem duas premissas religiosas das quais o criacionismo faz uso para interpretar os dados científicos para que se encaixem nelas, que são: (1) Existe um agente sobrenatural que cria e ordena o universo; e (2) A história bíblica da criação narrada no Gênesis é cientificamente precisa. Em contraste a essas premissas, o Design Inteligente não tem nenhum comprometimento religioso, e interpreta os dados da natureza segundo princípios científicos já aceitos em geral.

O agente sobrenatural pressuposto pelo Criacionismo Científico é geralmente visto como o Deus pessoal e transcendente das religiões monoteístas mais conhecidas, em especial do Cristianismo. A respeito desse Deus, diz-se que Ele teria criado o universo do nada (isto é, sem o uso de matéria pré-existente), e a sequência de eventos pelos quais Deus criou deve ter sido como aquela descrita na Bíblia. De modo diferenciado, o Design Inteligente não procura identificar a causa inteligente responsável pelo design na natureza, e nem procura descrever a sequência de eventos pelos quais esse agente deveria ter agido.

Numa visão geral, as diferenças já são bastante visíveis. Mas isso não é tudo. Passando a olhar com mais detalhe para o conteúdo das proposições de ambos, percebe-se que o Design Inteligente se diferencia ainda mais significativamente do Criacionismo Científico.

No Criacionismo Científico, as proposições são as seguintes:

CC1: Houve uma criação rápida do universo, da energia e da vida a partir do nada.
CC2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para fazer acontecer todo o desenvolvimento dos tipos de vida através de um único organismo.
CC3: Mudanças nos tipos originais das plantas e animais ocorrem somente dentro de limites fixados.
CC4: Existe uma ancestralidade separada entre homens e macacos.
CC5: A geologia terrestre pode ser explicada através do catastrofismo, e em especial, por um dilúvio planetário.
CC6: A Terra e os seres vivos tiveram sua concepção relativamente recente, na ordem dos milhares ou das dezenas de milhares de anos.

Já o Design Inteligente se compromete com as seguintes proposições:

DI1: A Complexidade Especificada e a Complexidade Irredutível são indicadores confiáveis ou assinaturas de design.
DI2: Os sistemas biológicos exibem Complexidade Especificada e fazem uso de subsistemas com Complexidade Irredutível.
DI3: Mecanismos naturalistas ou causas sem direção ou controle não são suficientes para explicar a origem da Complexidade Especificada ou da Complexidade Irredutível.
DI4: Design inteligente constitui a melhor explicação para a origem dos sistemas biológicos, que possuem Complexidade Especificada e Complexidade Irredutível.

Por uma verificação rápida no conteúdo dessas proposições, entende-se que o Design Inteligente e o Criacionismo Científico sejam muito diferentes de fato.

Ademais, o Design Inteligente é modesto nas suas atribuições ao agente inteligente responsável pela Complexidade Especificada na natureza. Por exemplo, os inteligentistas reconhecem que a natureza, o caráter moral e as intenções que essa agente tenha fogem do escopo científico e devem ser deixadas à religião e à filosofia. Por isso, o Design Inteligente se difere das doutrinas teológicas da criação. A criação pressupõe um criador que dá origem ao universo e a toda a matéria nele existente, enquanto o Design Inteligente procura apenas explicar a forma ou o arranjo material dentro de um universo já existente. Os inteligentistas argumentam que certos arranjos de matéria, em especial nos sistemas biológicos, sinalizam de maneira clara alguma inteligência projetista.

Além de propor um agente sobrenatural, o Criacionismo Científico também pressupõe que a narrativa do Gênesis na Biblia seja cientificamente precisa. Ele toma a narrativa bíblica da criação como ponto de partida, e procura encaixar os dados da natureza nessa narrativa. Em contraste a isso, o Design Inteligente começa com os dados da natureza, a partir dos quais argumenta que uma causa inteligente foi responsável pela Complexidade Especificada encontrada. Essa argumentação provém não de pressuposições superficiais, mas sim dos métodos confiáveis desenvolvidos na comunidade científica que procuram distinguir estruturas projetadas intencionalmente das não projetadas.


Este texto é baseado no capítulo 3 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

O que é Design Inteligente?

Pense no Monte Rushmore, localizado nos EUA. Pense também no Cristo Redentor, localizado na cidade do Rio de Janeiro.

Essas formações rochosas certamente não são comuns, e há algo que as diferencia de uma formação rochosa comum. O que há de tão especial numa formação rochosa que nos convence de que ela foi devida a uma inteligência, e não meramente ao vento e erosão? Objetos projetados como o Monte Rushmore e o Cristo Redentor exibem características e padrões que nos apontam para uma inteligência.

O Design Inteligente é a ciência que estuda os signos frutos de uma inteligência. Ele não tenta entrar na mente do projetista para descobrir o que ele está pensando: o foco não está na mente do projetista (ou seja, no significado), mas sim no artefato produzido por esse projetista (ou seja, o signo). O processo mental do projetista fica de fora do escopo do Design Inteligente. Enquanto programa de investigação científica, o Design Inteligente investiga os efeitos da inteligência, e não a inteligência em si mesma.

Enquanto teoria de origem e desenvolvimento da vida, a afirmação central do Design Inteligente é que somente causas inteligentes são capazes de explicar de modo adequado a origem das estruturas biológicas complexas e ricas em informação, e que essas causas são empiricamente detectáveis. Dizer que essas causas sejam empiricamente detectáveis é dizer que existem métodos bem definidos que, baseando-se em características observáveis do mundo, podem distinguir causas inteligentes das causas naturais sem direção ou controle. Várias ciências especiais já fazem uso desses métodos para distinguir essas causas, como por exemplo a ciência forense, a criptografia, a arqueologia e a busca por inteligência extraterrestre (Search for ExtraTerrestrial Intelligence, ou SETI).

Uma inteligência deixa rastros ou pegadas características nos artefatos em que opera — o que é chamado de Complexidade Especificada. Um evento ou objeto exibe complexidade especificada se ele for contingente — e portanto não necessário —, complexo — não replicado facilmente pelo acaso —, e também específico, no sentido de se conformar a um padrão independente. A complexidade especificada é a característica ou assinatura deixada por uma inteligência, sendo confiável na mesma medida em que impressões digitais sejam confiáveis para inferir a presença de uma pessoa. Os inteligentistas argumentam que causas naturais cegas sem controle não conseguem gerar Complexidade Especificada. Isso não é o mesmo que dizer que sistemas naturais não possam exibir ou servir de condutores de complexidade especificada. Não é que a natureza não possa exibir esse tipo de complexidade, mas sim que ela pode transformar a complexidade especificada pré-existente e modificá-la com a operação de causas puramente naturais sem controle; no entanto, a natureza não consegue dar origem a essa complexidade em caso de não haver nenhuma previamente.


Este texto baseado no capítulo 1 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

A explosão de luz na fecundação do óvulo

Num estudo publicado recentemente [1] por pesquisadores da Northwestern University, em Chicago, descobriu-se que no momento em que o óvulo materno é ativado por uma enzima do esperma paterno, uma explosão de luz é liberada com faíscas produzidas por zinco. Foi a primeira vez que o fenômeno foi percebido no óvulo humano.


Fonte: Telegraph.

Para eles, existe uma relação entre o tamanho dessa explosão e a qualidade ou viabilidade do óvulo fecundado para se desenvolver-se num embrião: quanto maior a explosão, melhor é a sua qualidade. “Essa descoberta é importante, pois nos dá uma forma fácil e não invasiva de compreender a saúde do óvulo e do embrião antes de ser implantado no útero”, disse Eve Feinberg, uma das autoras do estudo e que cuidou das pacientes que forneceram os óvulos [2].

Confira o fenômeno no vídeo abaixo:

Os cientistas ativaram o óvulo pelo uso de enzimas do esperma, o que faz aumentar a quantidade de cálcio dentro do óvulo, e faz liberar zinco para fora dele. Os óvulos do estudo não foram fertilizados com esperma verdadeiro porque as leis federais americanas não permitem esse procedimento. “Foi impressionante”, disse Teresa Woodruff, pesquisadora sênior na universidade e uma das autoras do estudo. “Toda a biologia começa no momento da fertilização, e ainda assim não sabemos quase sobre os eventos que acontecem no ser humano”, continuou [1].


Fonte: Telegraph.

Essa descoberta pode também nos fazer questionar: quando é que a vida começa? A percepção mais imediata é que ela realmente comece na fecundação, e não algum tempo depois como propõem os apologistas do aborto. É uma pena que muitas das justificativas que procuram favorecer o aborto tenham como base a cosmovisão evolutiva [3]. No entanto, a ciência nos mostra que a concepção do embrião é um momento único no desenvolvimento dele, e isto não é uma conclusão política ou religiosa. É apenas ciência avançada.

Mas interações químicas que liberam luz não são comuns no dia-a-dia? Por que essa seria tão especial?

É verdade, elas são comuns. Mas nenhuma delas sinaliza a formação saudável de uma vida diretamente na sua concepção.


Referências

[1] Radiant Zinc Fireworks Reveal Quality of Human Egg, disponível em <http://www.northwestern.edu/newscenter/stories/2016/04/radiant-zinc-fireworks-reveal-quality-of-human-egg.html>. Acessado em 30/04/2016.

[2] Bright flash of light marks incredible moment life begins when sperm meets egg, disponível em <http://www.telegraph.co.uk/science/2016/04/26/bright-flash-of-light-marks-incredible-moment-life-begins-when-s/>. Acessado em 30/04/2016.

[3] Life Begins With a Dramatic Burst of Light. Darwin’s God, disponível em <http://darwins-god.blogspot.com.br/2016/04/life-begins-with-dramatic-burst-of-light.html>. Acessado em 30/04/2016.

Fred Hoyle, sobre a capacidade dos processos naturais em gerar grandes quantidades de informação

Chandra Wickramasingue

Fred Hoyle

Fred Hoyle e Chandra Wickramasingue escreveram, no livro Evolution from Space (que pode ser encontrado na Amazon Brasil), sobre a capacidade de processos naturais em gerar grandes quantidades de informação:

From the beginning of this book we have emphasized the enormous information content of even the simplest living systems. The information cannot in our view be generated by what are often called ‘natural processes’ [1] (…) There is no way in which we can expect to avoid the need for information, no way in which we can simply get by with a bigger and better organic soup [2] (…) The correct position we think is (…) an intelligence, which designed the biochemicals and gave rise to the origins of carbonaceous life. [3] (…) This is tantamount to arguing that carbonaceous life was invented by a non-carbonaceous intelligence, which by no means need be God, however [4].

No português:

“Desde o início deste livro nós temos enfatizado a quantidade enorme de informação até mesmo dos sistemas biológicos mais simples. Essa informação não pode, na nossa visão, ser gerada por aquilo que muitas vezes se chama de ‘processos naturais’ (…) Não há maneira pela qual nós conseguiríamos evitar a necessidade da informação, não há como nós simplesmente sairmos dessa com uma sopa orgânica maior e melhor (…) A posição correta que nós imaginamos é (…) uma inteligência que projetou os componentes bioquímicos e deu origem à vida carbônica. (…) Isso é equivalente a afirmar que a vida carbônica foi inventada por uma inteligência não carbônica, o que não significa que seja Deus, contudo.”


Referências

[1] Fred Hoyle e Chandra Wickramasingue, Evolution from Space, p. 156 (Simon & Schuster, 1981).

[2] Ibid., p. 37.

[3] Ibid., p. 150.

[4] Ibid., p. 146.

Design Inteligente em ação: Ciência Forense


Imagem: Alasca, Mar de Bering, Ilha Punuk; Capitão Budd Christman, NOAA Corps.

Há pouco tempo, nós consideramos a arqueologia e a criptologia como exemplos da ciência do Design Inteligente em ação. A ciência forense é outro exemplo. Ela procura distinguir causas intencionais de causas acidentais em situações ou eventos humanos. Por exemplo, num julgamento de assassinato, todas as evidências são examinadas para que se determine se a vítima morreu de causas naturais ou se foi morta intencionalmente. Quanto mais perfeito for o crime, mais difícil será essa tarefa.

Porém, declarar culpa ou inocência não é a tarefa da equipe forense — e nem de identificar o assassino ou a motivação dele. Seu trabalho é apenas determinar se a morte foi acidental ou se foi projetada intencionalmente (neste caso, por um projeto mau). A vida de uma pessoa acusada pode estar em jogo. Talvez a presença do réu na cena do crime tenha sido uma coincidência, no momento em que a vítima teve um ataque cardíaco natural. Como qualquer um poderia saber, com toda a ciência do Design Inteligente a disposição, as evidências são cruciais para fazer uma inferência adequada ao design.

Ciência forense nuclear

A ciência forense se aplica a muito mais do que investigações de cenas de crime. Na revista Nature de novembro de 2013, Klaus Meyer alegou que a proliferação de materiais nucleares exige a expansão da “ciência forense nuclear” — a capacidade de caracterizar materiais nucleares para deter o tráfico ilícito e o terrorismo. Mais especialistas com boas práticas estão sendo necessários neste trabalho tão importante.

Meyer lista alguns dos questionamentos que os peritos forenses nucleares fazem:

Funcionários detectam materiais nucleares ilícitos nas fronteiras, nos portos e aeroportos ou nos territórios estaduais pela medição da radiação direta ou agindo com informações privilegiadas da polícia ou dos serviços de inteligência. Sempre que uma amostra é interceptada, as agências querem saber: quais leis foram quebradas? Quando e onde foi o material produzido? Qual foi o uso pretendido? Onde estava o material roubado ou desviado? Existem maiores quantidades do material? Cientistas forenses nucleares tentam responder a esses questionamentos.

Ninguém pensaria que esses cientistas forenses nucleares não sejam cientistas só por acreditarem que alguém agiu intencionalmente. Não, eles estão preocupados em avaliar provas empíricas e fazer inferências de intencionalidade. Digamos que 300 gramas de óxido de plutônio sejam interceptados, como aconteceu no aeroporto de Munique, em 1994. Identificar o material e conhecer a improbabilidade de ele ser encontrado em um aeroporto por causas puramente naturais — ou até mesmo causas acidentais, tal como um passageiro comum perdê-lo — justificaria uma inferência de intencionalidade.

Existem muitas coisas que um cientista forense nuclear poderia inferir por exame direto do material radioativo. Meyer explica:

As assinaturas químicas e físicas de um material radioativo — a partir da sua aparência e microestrutura até à sua composição elementar e isotópica — dão esclarecimentos sobre sua origem e história. Por exemplo, as proporções de isótopos das impurezas de estrôncio numa amostra de urânio natural podem indicar se ele foi extraído na Austrália ou Namíbia. A presença de subprodutos de decaimentos nucleares revelam a data de produção do material, e produtos, como o urânio-236, de reações de nêutrons indicam que ele foi irradiado em uma usina elétrica.

A ciência forense nuclear é um campo relativamente novo, pequeno e especializado da ciência forense. Meyer argumenta que métodos melhores para identificar assinaturas de materiais nucleares aumentará a solidez das suas respostas, e, assim, a sua credibilidade. Geralmente, isso é verdadeiro para todas as ciências de Design Inteligente. Quanto mais robustos forem os métodos, maior será a credibilidade da inferência ao design. O receio de Meyer é que, sem um número suficiente de especialistas na área, contrabandistas e terroristas possam evitar serem processados. Eis aqui uma ciência de Design Inteligente com implicações amplas para a segurança internacional.

Considere este caso real da ciência forense em ação. Ele está pronto para ser tratado como roteiro de cinema:

Há alguns anos atrás, num país europeu, um detector de radiação numa estação de reciclagem de sucata disparou um alarme. Uma peça de aço num carregamento vindo do sul da Ásia tinha um depósito esverdeado, e que uma medição rápida mostrou que era urânio natural.

Uma amostra foi enviada para o nosso laboratório de investigação nuclear em Karlsruhe, Alemanha, onde eu e minha equipe identificamos o material verde como tetrafluoreto de urânio, um produto intermediário do processamento de urânio encontrado normalmente no enriquecimento do isótopo. A datação sugeriu que ele foi produzido em 1978. Mas as impurezas químicas, particularmente no padrão dos elementos raros terrestres (incluindo lantânio, neodímio e samário), indicou que o urânio veio de um subtipo de arenito não encontrado no país suspeito de origem, mas sim na China, Austrália, Níger ou na República Tcheca…

A história engrossou a partir daí. Pistas adicionais apontaram para Níger como país de origem. Assim, a origem e a história do material mostraram que o processamento de urânio e seu enriquecimento já tinham sido pegos num estágio muito precoce das atividades nucleares do país.

Este exemplo mostra como inferências precisas podem ser feitas a partir de evidências empíricas, baseadas na eliminação de pequenas probabilidades — assim como Bill Dembski descreve no livro The Design Inference. A improbabilidade de o material ser proveniente de qualquer outro lugar ou momento permitiu que a equipe forense tirasse conclusões concretas. Os detalhes do material, incluindo a forma das pastilhas, sua composição e a quantidade de decaimento dos isótopos-pai, deram pistas que os cientistas usaram para identificar a origem e inferir causas intencionais das causas naturais, sem conhecer a identidade ou as motivações dos autores. Esta é exatamente a abordagem que Stephen Meyer usou no livro Signature in the Cell para inferir intencionalidade no código genético.

Tal como acontece com o Design Inteligente na biologia, a ciência forense depende de especialistas em vários campos. A ciência forense nuclear precisa de “químicos nucleares especializados, físicos nucleares e engenheiros nucleares com experiência prática no ciclo do combustível nuclear e na produção ou na análise de material nuclear”, aconselha Klaus Meyer. Da mesma forma, inferir intencionalidade na célula, na terra e no universo depende de especialistas em campos tão diversos como a bioquímica e cosmologia. No entanto, pode-se chegar a inferências concretas com informações suficientes, se não exaustivas: “A medição de alguns parâmetros pode fornecer informações suficientes para fins de aplicação da lei”, diz Meyer. De forma similar, o cálculo de pequenas probabilidades pode chegar um nível suficiente, a partir do qual mais evidências para a inferência ao design se tornam supérfluas.

Ciência forense histórica

Outro artigo sobre ciência forense aparece na mesma edição da revista Nature. Alison Abbott faz revisão de um novo livro de Christian Jennings, Bosnia’s Million Bones Solving the World’s Greatest Forensic Puzzle. Dessa vez, os autores eram conhecidos: sérvios bósnios assassinaram cerca de 100.000 de seus compatriotas durante os vergonhosos anos de 1992 a 1995. O que eram desconhecidas eram as identidades de milhares de vítimas cujos corpos tinham sido despejados em valas comuns e, em seguida, enterrados em outro lugar. As famílias em luto queriam dar a seus queridos entes enterros mais apropriados.

Procurar descobrir essas identidades era “o maior enigma forense do mundo”, Jennings descreve em seu livro. Os sérvios, querendo encobrir suas atrocidades, tinham arrasado com as primeiras valas comuns e as redistribuíram para mais de 30 locais distantes. O livro de Jennings “conta a história de como a inovadora genética forense resolveu o terrível enigma de identificar cada osso, de modo que as famílias em luto pudessem ter alguma paz”.

Observe que isso é chamado de “genética forense”, não de religião ou mitologia.

A tarefa, uma obra-prima do inferno, requeria identificar os locais distantes de sepultamento a partir das pesquisas aéreas e terrestres de solos perturbados, desenterrando os restos, e então interpretar metodicamente os “padrões” para identificação. Aqui se percebe uma questão a ser colocada na detecção de design: este pedaço de terra foi perturbado naturalmente — ou seja, por um deslizamento de terra, furacão ou por uma debandada de animais — ou foi perturbado intencionalmente para encobrir uma vala comum? Várias pistas foram necessárias para garantir uma inferência ao design:

Eles reuniram alguns indícios de como e quando os assassinatos em massa aconteceram a partir de pistas como o estado de decomposição dos corpos, as horas e datas em seus relógios de corda automática, e os padrões característicos dos danos causados em crânios com balas. Análise das cores e das texturas dos solos apontaram para onde alguns dos ossos tinham sido despejados primeiro. Por exemplo, lascas de vidro indicavam enterro perto de uma fábrica de vidro na área.

A partir de então, o exame de DNA foi a única forma segura de identificar as vítimas. “A tarefa de identificar os ossos foi extraordinariamente difícil”, diz Abbott, mas os métodos forenses funcionaram. Por meio dessa análise, mais de 80% dos restos mortais foram devolvidos às suas famílias para o enterro.

Ambos os artigos na revista Nature confirmam a ciência forense como uma ciência legítima. A ciência forense trata de detecção de intencionalidade (causação natural ou intencional), interpretando padrões, e fazendo inferências ao design. As vezes o designer é conhecido; as vezes não. De qualquer forma, a identidade e as motivações do designer são irrelevantes para a validação de uma inferência ao design. Só importam as evidências. Os cientistas forenses seguem as evidências até onde elas levam. As implicações ficam para que outros as considerem.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.