Arquivo mensal: janeiro 2017

Entrevista: Bioquímico Explica Porque Lipídios São “Objetos Projetados”

Imagem: Bicamada Lipídica, do National Institutes of Health, via Wikicommons.

A Teoria do Design Inteligente (DI) sustenta que certas características do mundo natural são melhor explicadas por uma mente (ou mentes) ao invés de processos não inteligentes como mutação aleatória e seleção natural. A hipótese do DI baseia-se em uma série de fenômenos, incluindo a informação genética, a epigenética, a cascata de coagulação sanguínea, os flagelos bacterianos, o ajuste fino das constantes físicas das leis da natureza, e assim por diante. Dos confins do cosmos até as complexidades da célula, a natureza manifesta características de uma mente. Quanto mais os cientistas investigam a complexidade exuberante da natureza, mais forte se torna a hipótese do DI.

O mesmo pode ser dito sobre um fenômeno biológico “comum”: as gorduras. Recentemente, fomos visitar um especialista em gorduras (tecnicamente conhecidas como “lípidos”), um professor de bioquímica em uma das instituições israelenses de ensino superior que tem estudado o assunto durante quase toda a sua carreira. Ele pediu que sua identidade seja mantida em sigilo – um pedido justo, pois muitas pessoas que não gostam dos seus pontos de vista já o desmereceram no passado. Para cientistas simpáticos ao DI, é uma história familiar.

O que realmente importa, é claro, são as suas afirmações, provas e argumentos.


P: Em termos leigos, o que é um lipídio?

R: “Lipídio” é basicamente o termo técnico para gordura.

P: Você tem estudado lipídios já a três décadas. Conte-nos sobre a sua pesquisa.

R: Durante o meu trabalho de doutorado nos anos 80, eu me concentrei em como alguns lipídios podem ajudar a fixar proteínas numa membrana celular. Mas foi durante o meu pós-doutorado, que começou em 1987, que eu comecei a trabalhar em lipídios diretamente, embora o meu doutorado também tenha tocado no assunto dos lipídios por acidente. E durante os últimos 25 anos como acadêmico em um instituto de ensino superior em Israel, tenho trabalhado mais ou menos com as mesmas questões; certamente com a mesma classe de lípidos por mais de três décadas. Na verdade, um pouco antes de você chegar aqui, eu enviei o meu 229º artigo. E eu estava tão animado com ele como eu estive com todos os outros. Eu ainda consegui fazer a estudante que fez o trabalho apertar o botão de envio do artigo. Era o primeiro artigo dela. E eu estava tão animado com a apresentação do artigo assim como ela estava.

P: Você parece entusiasmado com a sua pesquisa. O que faz com que ela seja divertida?

R: Para mim, o que é surpreendente é que, ainda que eu trabalhe na pesquisa de questionamentos específicos, há sempre algo novo para descobrir. Quanto mais você faz descobertas, mais você descobre que há muito mais para ser descoberto. A vida biológica é incrivelmente complexa. E vai ficando ainda mais complexa quanto mais se cava. Pessoas que não são cientistas muitas vezes me questionam, “vocês já encontraram as respostas?”, e eu digo a elas: “Sim, encontramos as respostas para algumas perguntas, mas, infelizmente, isso abriu uma monte de perguntas para um outro conjunto de perguntas, nas quais estamos trabalhando nesse momento”. Então isso não tem fim. E se você for uma pessoa curiosa como eu, então vai ficando emocionante e divertido. Estou sempre dizendo aos meus alunos: “Olha, se o que você faz não for divertido, não faça”. Há muita dor de cabeça no processo real de fazer ciência. Você precisa ser financiado, você precisa ter espaço no laboratório, você precisa disso, você precisa daquilo… mas a melhor coisa mesmo é que é divertido.

P: Conte-nos sobre sua pesquisa atual sobre lipídios. O que você está fazendo agora?

R: Eu trabalho com uma classe de lipídios chamada esfingolipídios. Seu nome deriva da “esfinge”, acredite se quiser, porque J. W. Thudicum, o químico que os descobriu em 1884, os considerou enigmáticos. Ao longo dos últimos anos, tenho trabalhado em duas doenças genéticas, fibrose cística e doença de Gaucher. Muitas pessoas sabem sobre fibrose cística, mas poucos sabem sobre a doença de Gaucher. Ela é encontrada em maiores taxas na população judaica Ashkenazi. Todo mundo já ouviu falar da doença de Parkinson, certo? Acontece que as mutações no gene que está relacionado com a doença de Gaucher também podem fazer algumas pessoas terem a doença de Parkinson. Não está claro ainda como é essa relação. Nós sabemos que há uma ligação genética – que tem sido trabalhada por mapeamento genético -, mas ainda estamos trabalhando na ligação mecanicista. Nós não fizemos nenhuma descoberta neste campo no momento, mas estamos trabalhando duro para entender se o nosso trabalho sobre a doença de Gaucher pode ser aplicável a todos os trabalhos mais conhecidos sobre a doença de Parkinson.

P: Você passou muito tempo estudando lipídios. Você teve muitas oportunidades de considerar a importante questão de “como os lipídios surgiram, em primeiro lugar”? Na sua opinião, processos não controlados como a seleção natural e as mutações aleatórias podem explicar adequadamente a origem dos lipídios?

R: Os lipídios são incrivelmente complexos. Se você olhar para os lipídios que temos em nossas bicamadas lipídicas hoje, você encontrará um grande número de estruturas químicas, cada uma das quais difere ligeiramente em sua composição. Eu não quero entrar muito em química, mas existem diferentes comprimentos de cadeia, duplas ligações diferentes, diferentes cadeias laterais, diferentes grupos de cabeça, e assim por diante. Estima-se que pode haver de 10.000 a 100.000 diferentes estruturas químicas de lipídios na célula. E se você mudar mesmo que seja um deles, você poderia fazer aparecer uma disfunção na célula. Isso mesmo. A menor alteração na bicamada lipídica é muitas vezes fisiopatológica.

Complexidade abunda não apenas na bicamada lipídica da superfície celular, mas no interior da célula também. Dentro da célula, temos organelas – o núcleo, o aparelho de Golgi, o lisossomo, e assim por diante. Cada um destes é rodeado por uma bicamada lipídica diferente. Não existe duas organelas com a mesma composição lipídica. Além disso, uma bicamada lipídica tem duas camadas: um apontando para fora, uma apontando para dentro. A composição lipídica das duas metades da bicamada não é igual. Elas diferem completamente. Além disso, os lipídios alteram sua composição, dependendo do estado fisiológico da célula. É incrível. Então, quando eu olho para a complexidade da bicamada lipídica que existe hoje e eu a comparo com a suposta bicamada primitiva no passado antigo postulada por biólogos evolutivos, eu não consigo sequer iniciar um raciocínio para entender como fomos dessa coisa simples a uma coisa enorme e complexa que é hoje. Mesmo que essa membrana simples tivesse existido, como se tornou a bicamada lipídica de hoje? A minha cabeça não consegue nem imaginar isso. Então, quando eu olho para a bicamada lipídica, eu digo: “Uau, isso é incrível. Como isso aconteceu?”

P: Um biólogo evolucionista poderia responder que os processos evolutivos podem produzir tal complexidade. Como você responderia? Os evolucionistas forneceram uma descrição detalhada e substantiva de como os lipídios vieram a existir?

R: Há artigos que sugerem que os lípidos evoluíram por este ou aquele processo químico. Mas, como cientista, passo por esses documentos e acabo tendo muitas perguntas. Você quer dizer que a duplicação de genes ocorreu? Você quer dizer que as enzimas evoluíram por uma mutação aqui ou uma mutação ali? Tudo bem. Mas por favor, explique-me os mecanismos pelos quais esses supostos eventos ocorreram. Como exatamente, quimicamente, os lipidos evoluíram? Para mim, não se trata desta ou daquela filosofia; é uma questão de ciência. A nível da bioquímica – um nível mecanicista – esses estudos fornecem uma explicação válida de como os lipídios evoluíram? E eu, pessoalmente, ainda tenho que ver isso. Em quase todos os campos das ciências bioquímicas, eu simplesmente não vejo isso.

P: Alguns evolucionistas teístas, como Francis Collins, dizem que Deus criou os processos naturais que são capazes de dar origem a fenômenos biologicamente complexos, incluindo lipídios. Sua resposta?

R: Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que eu admiro muito Francis Collins. E eu não tenho nenhum problema com as pessoas que acreditam na evolução teísta. Mas no entanto, eu tenho uma série de perguntas simples. Como exatamente isso aconteceu? Você pode me explicar esses processos evolutivos em um nível mecanicista? E é aí que os argumentos evolucionistas teístas caem, porque não temos explicações mecanísticas adequadas. Agora, é uma posição válida dizer: “Não temos essas explicações agora, mas podemos tê-las no futuro”. Eu, pessoalmente, não sei se tenho fé suficiente para acreditar que vamos chegar a explicações bioquímicas mecanicistas válidas para explicar a complexidade da vida como nós a vemos.

P: Como então os lipídios se formaram?

R: Minha explicação é que eles sejam objetos projetados. O “design” nem sempre foi a minha explicação – eu era ateu até meus anos finais da adolescência. Mas eu digo que os lípidos foram projetados, e projetados de tal modo que os permite funcionar muito bem.

P: Como que um projetista faz isso?

R: Permita-me ser bem claro. Eu não tenho ideia. Tudo bem? Eu honestamente não sei. E eu não perco o sono a noite por não saber como o projetista projetou.

P: Nesse caso, como você sabe que algum projetista esteja envolvido?

R: Quando eu olho para a vida biológica, eu encontro um código. E esse código, até onde eu entendo, não pode ser explicado por fenômenos puramente naturalistas. Não vejo mecanismos bioquímicos que possam explicar esse código. Então, como é que sabemos o código foi projetado? Considere o exemplo que o professor John Lennox usa. Lennox diz que estamos procurando por vida no espaço sideral pelo programa SETI. Estamos a procura de padrões. Estamos a procura de um sinal de volta de algum lugar do espaço que tenha algum código binário, que não poderia ter acontecido por acaso ou por processos materiais. E se nós discernirmos este código, em seguida concluiremos que há vida lá fora. Quando olhamos para a vida na Terra, há muitos códigos. A meu ver, a melhor explicação destes códigos é que alguém realmente os projetou, da mesma forma que alguém teria projetado o código que estamos esperando do espaço sideral.

P: O seu argumento não seria um exemplo de raciocínio do “Deus das lacunas”?

R: Nós precisamos ter muito cuidado. O fato de não sabermos alguma coisa não significa que ela não poderia ter acontecido. Muitas coisas que não conhecíamos a duzentos anos atrás, hoje nós conhecemos. No entanto, sabemos que projetistas podem produzir coisas como código de software ou o meu querido Macintosh PowerBook. Também vemos código e complexidade semelhantes nos lipídios, na informação genética, nos flagelos bacterianos, e em muitos outros. Nós sabemos pela nossa experiência que sempre que percebemos esse nível de complexidade, um projetista está envolvido de alguma forma com isso. Então, essa é a razão de eu não me perceber argumentando com raciocínio do “Deus das lacunas”. Eu tenho razões positivas para a minha conclusão – razões que são baseadas no conhecimento, e não por mera ignorância.

P: Então só para ficar claro, de fato você tem um argumento em duas partes. Primeiramente, todos os processos materiais conhecidos são inadequados para produzir esses lipídios altamente complexos. Em segundo lugar, sabemos que os projetistas conseguem produzir esse nível de complexidade. Dessa forma, com a nossa experiência, não temos apenas razões negativas contra os processos sem controle, mas também temos razões positivas com base naquilo que sabemos que os projetistas fazem. E isso é verdade ainda que não saibamos exatamente como eles fizeram tudo isso. É isso mesmo?

R: Sim. Mas deixe-me dar um passo mais longe. Nós ainda não conseguimos projetar no laboratório uma bicamada lipídica que corresponde à complexidade que vemos na natureza. Como já disse antes, as bicamadas lipídicas têm duas metades. As duas metades não têm a mesma composição lipídica. Hoje nós conseguimos fazer bicamadas lipídicas artificiais, que são chamadas de lipossomos. Mas, na maior parte, elas são totalmente simétricas. Eles têm a mesma composição no interior como no exterior. Estamos em 2017 e ainda não sabemos como fazer uma bicamada lipídica assimétrica, assim chamada. Há um nível de design nos lipídios que está muito além da nossa capacidade de invenção.

P: Obrigado pelo seu tempo.

R: Sinto-me honrado em ser entrevistado.


Texto traduzido e adaptado de ENV.
Tradução: Equipe TDI Brasil.

Também publicado em TDIBrasil.org.

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Sobre a expressão “Design Inteligente”

Para evitar algumas confusões que costumam aparecer nos debates sobre Design Inteligente, vamos esclarecer o significado dessa expressão assim como é entendida pela comunidade inteligentista.

A palavra “inteligente” pode ter dois significados distintos. Ela pode se referir tanto à atividade de de um agente inteligente, ainda que ele aja de modo estúpido; ou, por outro lado, ela pode significar que um agente inteligente tenha agido com habilidade. Não perceber essa distinção pode fazer com que a expressão “Design Inteligente” fique confusa. A comunidade inteligentista usa o primeiro dos significados mencionados, isto é, a palavra “inteligente” se refere apenas à agência inteligente, sem qualquer relação com a habilidade do agente. Por isso, existe uma distinção entre Design Inteligente e design otimizado. Além dessa distinção, é preciso diferenciar também o design inteligente do design aparente, segundo o qual o design percebido não é real, mas apenas aparente ou ilusório. Diferentemente do design inteligente, tanto o design otimizado como o design aparente esvaziam o termo design de qualquer significado prático.

Ao contrário da ideia de design otimizado que exigiria um projetista perfeccionista, o Design Inteligente se encaixa mais na noção corriqueira de design, o qual está sujeito às necessidades de alguma situação em detrimento de outras, deixando de satisfazer os requisitos de otimização num cenário idealizado. Nenhum projetista procura otimização no sentido de conseguir um projeto perfeito. Projetistas reais procuram conseguir uma otimização restrita, o que é muito diferente de design perfeito. Todo design envolve objetivos contraditórios, e por isso, o melhor projeto será sempre aquele que tiver o melhor comprometimento entre esses objetivos. A otimização restrita é a arte do comprometimento entre objetivos conflitantes, e é disso que o design se trata. Desqualificar o design em razão de ele não atender a uma otimização idealizada é injustificado, especialmente se os objetivos do projetista não forem conhecidos. No entanto, essa afirmação de que o design biológico não seja ótimo tem sido muito bem sucedida em restringir o debate a respeito do design. Só por ser possível imaginar alguma otimização num sistema, ou que ela possa ser feita, isso não quer dizer que o sistema em questão não tenha sido projetado inicialmente. Uma afirmação científica legítima seria aquela em que alguma estrutura biológica fosse analisada e, nela, fosse demonstrado que algum tipo de otimização restrita pudesse ser realizada.

A inferência ao design é feita pela identificação de características em sistemas cuja causa seja inteligente. No contexto da biologia, a fraquezas ou falhas nas características do projeto de alguns organismos ou ecossistemas poderiam ser compatíveis com as mudanças evolutivas guiadas por alguma inteligência. Nesse cenário, no qual nem todo aspecto biológico tomado isoladamente é ótimo, não se poderia afirmar que toda inteligência que controlasse o processo evolutivo seja falha. O inteligentista não afirma que toda estrutura biológica é projetada. Mecanismos naturalistas como a mutação e a seleção operam nos organismos para adapta-los aos seus ambientes. Porém, esses mecanismos naturais são incapazes de gerar as estruturas altamente específicas e ricas em informação que permeiam toda a biologia. Os organismos exibem características típicas de sistemas de alta tecnologia – armazenamento e transferência de informação, códigos funcionais, sistemas de seleção e de entrega de substâncias, auto-regulação e retroalimentação, arranjos de transdução de sinais – e em todo lugar, existem arranjos complexos de partes bem encaixadas e mutuamente interdependentes, as quais cooperam para executar alguma função.

A maior parte dos críticos do Design Inteligente costuma cometer erro de equivocação no uso dos termos, ou produzem argumentos do homem de palha, ou mesmo fazem ataques ad hominem aos argumentos científicos. Em nome da ciência, muitos também fazer afirmações teológicas extremamente simplistas – como por exemplo, “um deus não produziria essa estrutura dessa forma” –, as quais não são passíveis de falseabilidade. Com isso tornam impossível o prosseguimento do debate científico sério. O fato é que as evidências em favor do Design Inteligente estão aí, e pouco se procurou até agora confronta-las face a face.


Este texto baseado no capítulo 6 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

Design Inteligente e Criacionismo são diferentes

O Design Inteligente precisa ser distinguido daquilo que se chama de Criacionismo Científico.

Uma das diferenças mais notórias é que o Criacionismo Científico possui comprometimentos religiosos, enquanto o Design Inteligente não. Existem duas premissas religiosas das quais o criacionismo faz uso para interpretar os dados científicos para que se encaixem nelas, que são: (1) Existe um agente sobrenatural que cria e ordena o universo; e (2) A história bíblica da criação narrada no Gênesis é cientificamente precisa. Em contraste a essas premissas, o Design Inteligente não tem nenhum comprometimento religioso, e interpreta os dados da natureza segundo princípios científicos já aceitos em geral.

O agente sobrenatural pressuposto pelo Criacionismo Científico é geralmente visto como o Deus pessoal e transcendente das religiões monoteístas mais conhecidas, em especial do Cristianismo. A respeito desse Deus, diz-se que Ele teria criado o universo do nada (isto é, sem o uso de matéria pré-existente), e a sequência de eventos pelos quais Deus criou deve ter sido como aquela descrita na Bíblia. De modo diferenciado, o Design Inteligente não procura identificar a causa inteligente responsável pelo design na natureza, e nem procura descrever a sequência de eventos pelos quais esse agente deveria ter agido.

Numa visão geral, as diferenças já são bastante visíveis. Mas isso não é tudo. Passando a olhar com mais detalhe para o conteúdo das proposições de ambos, percebe-se que o Design Inteligente se diferencia ainda mais significativamente do Criacionismo Científico.

No Criacionismo Científico, as proposições são as seguintes:

CC1: Houve uma criação rápida do universo, da energia e da vida a partir do nada.
CC2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para fazer acontecer todo o desenvolvimento dos tipos de vida através de um único organismo.
CC3: Mudanças nos tipos originais das plantas e animais ocorrem somente dentro de limites fixados.
CC4: Existe uma ancestralidade separada entre homens e macacos.
CC5: A geologia terrestre pode ser explicada através do catastrofismo, e em especial, por um dilúvio planetário.
CC6: A Terra e os seres vivos tiveram sua concepção relativamente recente, na ordem dos milhares ou das dezenas de milhares de anos.

Já o Design Inteligente se compromete com as seguintes proposições:

DI1: A Complexidade Especificada e a Complexidade Irredutível são indicadores confiáveis ou assinaturas de design.
DI2: Os sistemas biológicos exibem Complexidade Especificada e fazem uso de subsistemas com Complexidade Irredutível.
DI3: Mecanismos naturalistas ou causas sem direção ou controle não são suficientes para explicar a origem da Complexidade Especificada ou da Complexidade Irredutível.
DI4: Design inteligente constitui a melhor explicação para a origem dos sistemas biológicos, que possuem Complexidade Especificada e Complexidade Irredutível.

Por uma verificação rápida no conteúdo dessas proposições, entende-se que o Design Inteligente e o Criacionismo Científico sejam muito diferentes de fato.

Ademais, o Design Inteligente é modesto nas suas atribuições ao agente inteligente responsável pela Complexidade Especificada na natureza. Por exemplo, os inteligentistas reconhecem que a natureza, o caráter moral e as intenções que essa agente tenha fogem do escopo científico e devem ser deixadas à religião e à filosofia. Por isso, o Design Inteligente se difere das doutrinas teológicas da criação. A criação pressupõe um criador que dá origem ao universo e a toda a matéria nele existente, enquanto o Design Inteligente procura apenas explicar a forma ou o arranjo material dentro de um universo já existente. Os inteligentistas argumentam que certos arranjos de matéria, em especial nos sistemas biológicos, sinalizam de maneira clara alguma inteligência projetista.

Além de propor um agente sobrenatural, o Criacionismo Científico também pressupõe que a narrativa do Gênesis na Biblia seja cientificamente precisa. Ele toma a narrativa bíblica da criação como ponto de partida, e procura encaixar os dados da natureza nessa narrativa. Em contraste a isso, o Design Inteligente começa com os dados da natureza, a partir dos quais argumenta que uma causa inteligente foi responsável pela Complexidade Especificada encontrada. Essa argumentação provém não de pressuposições superficiais, mas sim dos métodos confiáveis desenvolvidos na comunidade científica que procuram distinguir estruturas projetadas intencionalmente das não projetadas.


Este texto é baseado no capítulo 3 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

O que é Design Inteligente?

Pense no Monte Rushmore, localizado nos EUA. Pense também no Cristo Redentor, localizado na cidade do Rio de Janeiro.

Essas formações rochosas certamente não são comuns, e há algo que as diferencia de uma formação rochosa comum. O que há de tão especial numa formação rochosa que nos convence de que ela foi devida a uma inteligência, e não meramente ao vento e erosão? Objetos projetados como o Monte Rushmore e o Cristo Redentor exibem características e padrões que nos apontam para uma inteligência.

O Design Inteligente é a ciência que estuda os signos frutos de uma inteligência. Ele não tenta entrar na mente do projetista para descobrir o que ele está pensando: o foco não está na mente do projetista (ou seja, no significado), mas sim no artefato produzido por esse projetista (ou seja, o signo). O processo mental do projetista fica de fora do escopo do Design Inteligente. Enquanto programa de investigação científica, o Design Inteligente investiga os efeitos da inteligência, e não a inteligência em si mesma.

Enquanto teoria de origem e desenvolvimento da vida, a afirmação central do Design Inteligente é que somente causas inteligentes são capazes de explicar de modo adequado a origem das estruturas biológicas complexas e ricas em informação, e que essas causas são empiricamente detectáveis. Dizer que essas causas sejam empiricamente detectáveis é dizer que existem métodos bem definidos que, baseando-se em características observáveis do mundo, podem distinguir causas inteligentes das causas naturais sem direção ou controle. Várias ciências especiais já fazem uso desses métodos para distinguir essas causas, como por exemplo a ciência forense, a criptografia, a arqueologia e a busca por inteligência extraterrestre (Search for ExtraTerrestrial Intelligence, ou SETI).

Uma inteligência deixa rastros ou pegadas características nos artefatos em que opera — o que é chamado de Complexidade Especificada. Um evento ou objeto exibe complexidade especificada se ele for contingente — e portanto não necessário —, complexo — não replicado facilmente pelo acaso —, e também específico, no sentido de se conformar a um padrão independente. A complexidade especificada é a característica ou assinatura deixada por uma inteligência, sendo confiável na mesma medida em que impressões digitais sejam confiáveis para inferir a presença de uma pessoa. Os inteligentistas argumentam que causas naturais cegas sem controle não conseguem gerar Complexidade Especificada. Isso não é o mesmo que dizer que sistemas naturais não possam exibir ou servir de condutores de complexidade especificada. Não é que a natureza não possa exibir esse tipo de complexidade, mas sim que ela pode transformar a complexidade especificada pré-existente e modificá-la com a operação de causas puramente naturais sem controle; no entanto, a natureza não consegue dar origem a essa complexidade em caso de não haver nenhuma previamente.


Este texto baseado no capítulo 1 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.