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Sobre a expressão “Design Inteligente”

Para evitar algumas confusões que costumam aparecer nos debates sobre Design Inteligente, vamos esclarecer o significado dessa expressão assim como é entendida pela comunidade inteligentista.

A palavra “inteligente” pode ter dois significados distintos. Ela pode se referir tanto à atividade de de um agente inteligente, ainda que ele aja de modo estúpido; ou, por outro lado, ela pode significar que um agente inteligente tenha agido com habilidade. Não perceber essa distinção pode fazer com que a expressão “Design Inteligente” fique confusa. A comunidade inteligentista usa o primeiro dos significados mencionados, isto é, a palavra “inteligente” se refere apenas à agência inteligente, sem qualquer relação com a habilidade do agente. Por isso, existe uma distinção entre Design Inteligente e design otimizado. Além dessa distinção, é preciso diferenciar também o design inteligente do design aparente, segundo o qual o design percebido não é real, mas apenas aparente ou ilusório. Diferentemente do design inteligente, tanto o design otimizado como o design aparente esvaziam o termo design de qualquer significado prático.

Ao contrário da ideia de design otimizado que exigiria um projetista perfeccionista, o Design Inteligente se encaixa mais na noção corriqueira de design, o qual está sujeito às necessidades de alguma situação em detrimento de outras, deixando de satisfazer os requisitos de otimização num cenário idealizado. Nenhum projetista procura otimização no sentido de conseguir um projeto perfeito. Projetistas reais procuram conseguir uma otimização restrita, o que é muito diferente de design perfeito. Todo design envolve objetivos contraditórios, e por isso, o melhor projeto será sempre aquele que tiver o melhor comprometimento entre esses objetivos. A otimização restrita é a arte do comprometimento entre objetivos conflitantes, e é disso que o design se trata. Desqualificar o design em razão de ele não atender a uma otimização idealizada é injustificado, especialmente se os objetivos do projetista não forem conhecidos. No entanto, essa afirmação de que o design biológico não seja ótimo tem sido muito bem sucedida em restringir o debate a respeito do design. Só por ser possível imaginar alguma otimização num sistema, ou que ela possa ser feita, isso não quer dizer que o sistema em questão não tenha sido projetado inicialmente. Uma afirmação científica legítima seria aquela em que alguma estrutura biológica fosse analisada e, nela, fosse demonstrado que algum tipo de otimização restrita pudesse ser realizada.

A inferência ao design é feita pela identificação de características em sistemas cuja causa seja inteligente. No contexto da biologia, a fraquezas ou falhas nas características do projeto de alguns organismos ou ecossistemas poderiam ser compatíveis com as mudanças evolutivas guiadas por alguma inteligência. Nesse cenário, no qual nem todo aspecto biológico tomado isoladamente é ótimo, não se poderia afirmar que toda inteligência que controlasse o processo evolutivo seja falha. O inteligentista não afirma que toda estrutura biológica é projetada. Mecanismos naturalistas como a mutação e a seleção operam nos organismos para adapta-los aos seus ambientes. Porém, esses mecanismos naturais são incapazes de gerar as estruturas altamente específicas e ricas em informação que permeiam toda a biologia. Os organismos exibem características típicas de sistemas de alta tecnologia – armazenamento e transferência de informação, códigos funcionais, sistemas de seleção e de entrega de substâncias, auto-regulação e retroalimentação, arranjos de transdução de sinais – e em todo lugar, existem arranjos complexos de partes bem encaixadas e mutuamente interdependentes, as quais cooperam para executar alguma função.

A maior parte dos críticos do Design Inteligente costuma cometer erro de equivocação no uso dos termos, ou produzem argumentos do homem de palha, ou mesmo fazem ataques ad hominem aos argumentos científicos. Em nome da ciência, muitos também fazer afirmações teológicas extremamente simplistas – como por exemplo, “um deus não produziria essa estrutura dessa forma” –, as quais não são passíveis de falseabilidade. Com isso tornam impossível o prosseguimento do debate científico sério. O fato é que as evidências em favor do Design Inteligente estão aí, e pouco se procurou até agora confronta-las face a face.


Este texto baseado no capítulo 6 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

Design Inteligente e Criacionismo são diferentes

O Design Inteligente precisa ser distinguido daquilo que se chama de Criacionismo Científico.

Uma das diferenças mais notórias é que o Criacionismo Científico possui comprometimentos religiosos, enquanto o Design Inteligente não. Existem duas premissas religiosas das quais o criacionismo faz uso para interpretar os dados científicos para que se encaixem nelas, que são: (1) Existe um agente sobrenatural que cria e ordena o universo; e (2) A história bíblica da criação narrada no Gênesis é cientificamente precisa. Em contraste a essas premissas, o Design Inteligente não tem nenhum comprometimento religioso, e interpreta os dados da natureza segundo princípios científicos já aceitos em geral.

O agente sobrenatural pressuposto pelo Criacionismo Científico é geralmente visto como o Deus pessoal e transcendente das religiões monoteístas mais conhecidas, em especial do Cristianismo. A respeito desse Deus, diz-se que Ele teria criado o universo do nada (isto é, sem o uso de matéria pré-existente), e a sequência de eventos pelos quais Deus criou deve ter sido como aquela descrita na Bíblia. De modo diferenciado, o Design Inteligente não procura identificar a causa inteligente responsável pelo design na natureza, e nem procura descrever a sequência de eventos pelos quais esse agente deveria ter agido.

Numa visão geral, as diferenças já são bastante visíveis. Mas isso não é tudo. Passando a olhar com mais detalhe para o conteúdo das proposições de ambos, percebe-se que o Design Inteligente se diferencia ainda mais significativamente do Criacionismo Científico.

No Criacionismo Científico, as proposições são as seguintes:

CC1: Houve uma criação rápida do universo, da energia e da vida a partir do nada.
CC2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para fazer acontecer todo o desenvolvimento dos tipos de vida através de um único organismo.
CC3: Mudanças nos tipos originais das plantas e animais ocorrem somente dentro de limites fixados.
CC4: Existe uma ancestralidade separada entre homens e macacos.
CC5: A geologia terrestre pode ser explicada através do catastrofismo, e em especial, por um dilúvio planetário.
CC6: A Terra e os seres vivos tiveram sua concepção relativamente recente, na ordem dos milhares ou das dezenas de milhares de anos.

Já o Design Inteligente se compromete com as seguintes proposições:

DI1: A Complexidade Especificada e a Complexidade Irredutível são indicadores confiáveis ou assinaturas de design.
DI2: Os sistemas biológicos exibem Complexidade Especificada e fazem uso de subsistemas com Complexidade Irredutível.
DI3: Mecanismos naturalistas ou causas sem direção ou controle não são suficientes para explicar a origem da Complexidade Especificada ou da Complexidade Irredutível.
DI4: Design inteligente constitui a melhor explicação para a origem dos sistemas biológicos, que possuem Complexidade Especificada e Complexidade Irredutível.

Por uma verificação rápida no conteúdo dessas proposições, entende-se que o Design Inteligente e o Criacionismo Científico sejam muito diferentes de fato.

Ademais, o Design Inteligente é modesto nas suas atribuições ao agente inteligente responsável pela Complexidade Especificada na natureza. Por exemplo, os inteligentistas reconhecem que a natureza, o caráter moral e as intenções que essa agente tenha fogem do escopo científico e devem ser deixadas à religião e à filosofia. Por isso, o Design Inteligente se difere das doutrinas teológicas da criação. A criação pressupõe um criador que dá origem ao universo e a toda a matéria nele existente, enquanto o Design Inteligente procura apenas explicar a forma ou o arranjo material dentro de um universo já existente. Os inteligentistas argumentam que certos arranjos de matéria, em especial nos sistemas biológicos, sinalizam de maneira clara alguma inteligência projetista.

Além de propor um agente sobrenatural, o Criacionismo Científico também pressupõe que a narrativa do Gênesis na Biblia seja cientificamente precisa. Ele toma a narrativa bíblica da criação como ponto de partida, e procura encaixar os dados da natureza nessa narrativa. Em contraste a isso, o Design Inteligente começa com os dados da natureza, a partir dos quais argumenta que uma causa inteligente foi responsável pela Complexidade Especificada encontrada. Essa argumentação provém não de pressuposições superficiais, mas sim dos métodos confiáveis desenvolvidos na comunidade científica que procuram distinguir estruturas projetadas intencionalmente das não projetadas.


Este texto é baseado no capítulo 3 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

O que é Design Inteligente?

Pense no Monte Rushmore, localizado nos EUA. Pense também no Cristo Redentor, localizado na cidade do Rio de Janeiro.

Essas formações rochosas certamente não são comuns, e há algo que as diferencia de uma formação rochosa comum. O que há de tão especial numa formação rochosa que nos convence de que ela foi devida a uma inteligência, e não meramente ao vento e erosão? Objetos projetados como o Monte Rushmore e o Cristo Redentor exibem características e padrões que nos apontam para uma inteligência.

O Design Inteligente é a ciência que estuda os signos frutos de uma inteligência. Ele não tenta entrar na mente do projetista para descobrir o que ele está pensando: o foco não está na mente do projetista (ou seja, no significado), mas sim no artefato produzido por esse projetista (ou seja, o signo). O processo mental do projetista fica de fora do escopo do Design Inteligente. Enquanto programa de investigação científica, o Design Inteligente investiga os efeitos da inteligência, e não a inteligência em si mesma.

Enquanto teoria de origem e desenvolvimento da vida, a afirmação central do Design Inteligente é que somente causas inteligentes são capazes de explicar de modo adequado a origem das estruturas biológicas complexas e ricas em informação, e que essas causas são empiricamente detectáveis. Dizer que essas causas sejam empiricamente detectáveis é dizer que existem métodos bem definidos que, baseando-se em características observáveis do mundo, podem distinguir causas inteligentes das causas naturais sem direção ou controle. Várias ciências especiais já fazem uso desses métodos para distinguir essas causas, como por exemplo a ciência forense, a criptografia, a arqueologia e a busca por inteligência extraterrestre (Search for ExtraTerrestrial Intelligence, ou SETI).

Uma inteligência deixa rastros ou pegadas características nos artefatos em que opera — o que é chamado de Complexidade Especificada. Um evento ou objeto exibe complexidade especificada se ele for contingente — e portanto não necessário —, complexo — não replicado facilmente pelo acaso —, e também específico, no sentido de se conformar a um padrão independente. A complexidade especificada é a característica ou assinatura deixada por uma inteligência, sendo confiável na mesma medida em que impressões digitais sejam confiáveis para inferir a presença de uma pessoa. Os inteligentistas argumentam que causas naturais cegas sem controle não conseguem gerar Complexidade Especificada. Isso não é o mesmo que dizer que sistemas naturais não possam exibir ou servir de condutores de complexidade especificada. Não é que a natureza não possa exibir esse tipo de complexidade, mas sim que ela pode transformar a complexidade especificada pré-existente e modificá-la com a operação de causas puramente naturais sem controle; no entanto, a natureza não consegue dar origem a essa complexidade em caso de não haver nenhuma previamente.


Este texto baseado no capítulo 1 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.

Design Inteligente em ação: Ciência Forense


Imagem: Alasca, Mar de Bering, Ilha Punuk; Capitão Budd Christman, NOAA Corps.

Há pouco tempo, nós consideramos a arqueologia e a criptologia como exemplos da ciência do Design Inteligente em ação. A ciência forense é outro exemplo. Ela procura distinguir causas intencionais de causas acidentais em situações ou eventos humanos. Por exemplo, num julgamento de assassinato, todas as evidências são examinadas para que se determine se a vítima morreu de causas naturais ou se foi morta intencionalmente. Quanto mais perfeito for o crime, mais difícil será essa tarefa.

Porém, declarar culpa ou inocência não é a tarefa da equipe forense — e nem de identificar o assassino ou a motivação dele. Seu trabalho é apenas determinar se a morte foi acidental ou se foi projetada intencionalmente (neste caso, por um projeto mau). A vida de uma pessoa acusada pode estar em jogo. Talvez a presença do réu na cena do crime tenha sido uma coincidência, no momento em que a vítima teve um ataque cardíaco natural. Como qualquer um poderia saber, com toda a ciência do Design Inteligente a disposição, as evidências são cruciais para fazer uma inferência adequada ao design.

Ciência forense nuclear

A ciência forense se aplica a muito mais do que investigações de cenas de crime. Na revista Nature de novembro de 2013, Klaus Meyer alegou que a proliferação de materiais nucleares exige a expansão da “ciência forense nuclear” — a capacidade de caracterizar materiais nucleares para deter o tráfico ilícito e o terrorismo. Mais especialistas com boas práticas estão sendo necessários neste trabalho tão importante.

Meyer lista alguns dos questionamentos que os peritos forenses nucleares fazem:

Funcionários detectam materiais nucleares ilícitos nas fronteiras, nos portos e aeroportos ou nos territórios estaduais pela medição da radiação direta ou agindo com informações privilegiadas da polícia ou dos serviços de inteligência. Sempre que uma amostra é interceptada, as agências querem saber: quais leis foram quebradas? Quando e onde foi o material produzido? Qual foi o uso pretendido? Onde estava o material roubado ou desviado? Existem maiores quantidades do material? Cientistas forenses nucleares tentam responder a esses questionamentos.

Ninguém pensaria que esses cientistas forenses nucleares não sejam cientistas só por acreditarem que alguém agiu intencionalmente. Não, eles estão preocupados em avaliar provas empíricas e fazer inferências de intencionalidade. Digamos que 300 gramas de óxido de plutônio sejam interceptados, como aconteceu no aeroporto de Munique, em 1994. Identificar o material e conhecer a improbabilidade de ele ser encontrado em um aeroporto por causas puramente naturais — ou até mesmo causas acidentais, tal como um passageiro comum perdê-lo — justificaria uma inferência de intencionalidade.

Existem muitas coisas que um cientista forense nuclear poderia inferir por exame direto do material radioativo. Meyer explica:

As assinaturas químicas e físicas de um material radioativo — a partir da sua aparência e microestrutura até à sua composição elementar e isotópica — dão esclarecimentos sobre sua origem e história. Por exemplo, as proporções de isótopos das impurezas de estrôncio numa amostra de urânio natural podem indicar se ele foi extraído na Austrália ou Namíbia. A presença de subprodutos de decaimentos nucleares revelam a data de produção do material, e produtos, como o urânio-236, de reações de nêutrons indicam que ele foi irradiado em uma usina elétrica.

A ciência forense nuclear é um campo relativamente novo, pequeno e especializado da ciência forense. Meyer argumenta que métodos melhores para identificar assinaturas de materiais nucleares aumentará a solidez das suas respostas, e, assim, a sua credibilidade. Geralmente, isso é verdadeiro para todas as ciências de Design Inteligente. Quanto mais robustos forem os métodos, maior será a credibilidade da inferência ao design. O receio de Meyer é que, sem um número suficiente de especialistas na área, contrabandistas e terroristas possam evitar serem processados. Eis aqui uma ciência de Design Inteligente com implicações amplas para a segurança internacional.

Considere este caso real da ciência forense em ação. Ele está pronto para ser tratado como roteiro de cinema:

Há alguns anos atrás, num país europeu, um detector de radiação numa estação de reciclagem de sucata disparou um alarme. Uma peça de aço num carregamento vindo do sul da Ásia tinha um depósito esverdeado, e que uma medição rápida mostrou que era urânio natural.

Uma amostra foi enviada para o nosso laboratório de investigação nuclear em Karlsruhe, Alemanha, onde eu e minha equipe identificamos o material verde como tetrafluoreto de urânio, um produto intermediário do processamento de urânio encontrado normalmente no enriquecimento do isótopo. A datação sugeriu que ele foi produzido em 1978. Mas as impurezas químicas, particularmente no padrão dos elementos raros terrestres (incluindo lantânio, neodímio e samário), indicou que o urânio veio de um subtipo de arenito não encontrado no país suspeito de origem, mas sim na China, Austrália, Níger ou na República Tcheca…

A história engrossou a partir daí. Pistas adicionais apontaram para Níger como país de origem. Assim, a origem e a história do material mostraram que o processamento de urânio e seu enriquecimento já tinham sido pegos num estágio muito precoce das atividades nucleares do país.

Este exemplo mostra como inferências precisas podem ser feitas a partir de evidências empíricas, baseadas na eliminação de pequenas probabilidades — assim como Bill Dembski descreve no livro The Design Inference. A improbabilidade de o material ser proveniente de qualquer outro lugar ou momento permitiu que a equipe forense tirasse conclusões concretas. Os detalhes do material, incluindo a forma das pastilhas, sua composição e a quantidade de decaimento dos isótopos-pai, deram pistas que os cientistas usaram para identificar a origem e inferir causas intencionais das causas naturais, sem conhecer a identidade ou as motivações dos autores. Esta é exatamente a abordagem que Stephen Meyer usou no livro Signature in the Cell para inferir intencionalidade no código genético.

Tal como acontece com o Design Inteligente na biologia, a ciência forense depende de especialistas em vários campos. A ciência forense nuclear precisa de “químicos nucleares especializados, físicos nucleares e engenheiros nucleares com experiência prática no ciclo do combustível nuclear e na produção ou na análise de material nuclear”, aconselha Klaus Meyer. Da mesma forma, inferir intencionalidade na célula, na terra e no universo depende de especialistas em campos tão diversos como a bioquímica e cosmologia. No entanto, pode-se chegar a inferências concretas com informações suficientes, se não exaustivas: “A medição de alguns parâmetros pode fornecer informações suficientes para fins de aplicação da lei”, diz Meyer. De forma similar, o cálculo de pequenas probabilidades pode chegar um nível suficiente, a partir do qual mais evidências para a inferência ao design se tornam supérfluas.

Ciência forense histórica

Outro artigo sobre ciência forense aparece na mesma edição da revista Nature. Alison Abbott faz revisão de um novo livro de Christian Jennings, Bosnia’s Million Bones Solving the World’s Greatest Forensic Puzzle. Dessa vez, os autores eram conhecidos: sérvios bósnios assassinaram cerca de 100.000 de seus compatriotas durante os vergonhosos anos de 1992 a 1995. O que eram desconhecidas eram as identidades de milhares de vítimas cujos corpos tinham sido despejados em valas comuns e, em seguida, enterrados em outro lugar. As famílias em luto queriam dar a seus queridos entes enterros mais apropriados.

Procurar descobrir essas identidades era “o maior enigma forense do mundo”, Jennings descreve em seu livro. Os sérvios, querendo encobrir suas atrocidades, tinham arrasado com as primeiras valas comuns e as redistribuíram para mais de 30 locais distantes. O livro de Jennings “conta a história de como a inovadora genética forense resolveu o terrível enigma de identificar cada osso, de modo que as famílias em luto pudessem ter alguma paz”.

Observe que isso é chamado de “genética forense”, não de religião ou mitologia.

A tarefa, uma obra-prima do inferno, requeria identificar os locais distantes de sepultamento a partir das pesquisas aéreas e terrestres de solos perturbados, desenterrando os restos, e então interpretar metodicamente os “padrões” para identificação. Aqui se percebe uma questão a ser colocada na detecção de design: este pedaço de terra foi perturbado naturalmente — ou seja, por um deslizamento de terra, furacão ou por uma debandada de animais — ou foi perturbado intencionalmente para encobrir uma vala comum? Várias pistas foram necessárias para garantir uma inferência ao design:

Eles reuniram alguns indícios de como e quando os assassinatos em massa aconteceram a partir de pistas como o estado de decomposição dos corpos, as horas e datas em seus relógios de corda automática, e os padrões característicos dos danos causados em crânios com balas. Análise das cores e das texturas dos solos apontaram para onde alguns dos ossos tinham sido despejados primeiro. Por exemplo, lascas de vidro indicavam enterro perto de uma fábrica de vidro na área.

A partir de então, o exame de DNA foi a única forma segura de identificar as vítimas. “A tarefa de identificar os ossos foi extraordinariamente difícil”, diz Abbott, mas os métodos forenses funcionaram. Por meio dessa análise, mais de 80% dos restos mortais foram devolvidos às suas famílias para o enterro.

Ambos os artigos na revista Nature confirmam a ciência forense como uma ciência legítima. A ciência forense trata de detecção de intencionalidade (causação natural ou intencional), interpretando padrões, e fazendo inferências ao design. As vezes o designer é conhecido; as vezes não. De qualquer forma, a identidade e as motivações do designer são irrelevantes para a validação de uma inferência ao design. Só importam as evidências. Os cientistas forenses seguem as evidências até onde elas levam. As implicações ficam para que outros as considerem.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Design Inteligente em ação: Criptologia

Críticos do Design Inteligente (DI) dizem que ele não é ciência. Tente explicar isso para muitos cientistas que usam princípios do DI rotineiramente nos seus trabalhos… Aqui está um outro exemplo: criptologia.

O Dicionário Michaelis e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa definem criptologia como “estudo científico da criptografia e da criptoanálise”. Criptologia é processo de escrita e de leitura de mensagens secretas em código. A criptoanálise faz uso de teorias de resolução de sistemas criptográficos. Existe o Journal of Cryptology. Existem professores de criptologia. A criptologia faz uso de teorias, dados, experimentação e testes. Ela tem todos os trejeitos de ciência — e é baseada inteiramente em princípios do Design Inteligente. Faz sentido. É preciso que exista uma mente para codificar uma mensagem, e outra mente para decodificá-la.

Nigel Smart é um professor de criptologia na University of Bristol. Em cooperação com a Aarhus University na Dinamarca, sua equipe conseguiu um avanço na criptografia que pode resultar em uma computação mais segura”, segundo a University of Bristol. Eles tomaram o sonho de “Aline no País das Maravilhas” da teoria para a realidade, permitindo que duas ou mais partes façam a computação de uma função com entradas secretas, num método chamado Multi Party Computation. É uma forma de passar mensagens secretas as vistas de todos (um truque e tanto se você pensar bem). O seu produto é chamado de protocolo SPDZ, pronunciado “speeds”, já que ele é rápido.

A ideia por trás da Multi Party Computation é que ela deve possibilitar que duas ou mais pessoas façam o cálculo de qualquer função da sua escolha com entradas secretas, sem revelar essas entradas a qualquer outro. Um exemplo é numa eleição, em que os votantes querem que o seu voto seja computado, mas eles não querem que seu voto seja público.

Críticos do DI poderiam argumentar que nós já conhecemos as mentes humanas, e isso não daria apoio para a ideia de agentes inteligentes não especificados criando fenômenos naturais. Mas, de forma intrigante, existem exemplos de comunicação segura na natureza também. Árvores, por exemplo, emitem compostos voláteis específicos que notificam outras árvores quando um predador está presente. Corvos usam um vocabulário complexo para avisar todo o bando.

Existem muitos exemplos de “ocultação à luz do dia” na natureza. A borboleta vice-rei faz imitação da borboleta monarca, que tem um mal gosto ao paladar, convencendo pássaros a não come-la. Coloração oculta permite que alguns peixes e lulas fiquem invisíveis a predadores. O uso de mimetismo para evitar caça de predadores é muito comum na natureza. Os predadores, é claro, usam uma variedade de sinais ocultos para atrair presas. A transdução de sinais é muito importante em células vivas, e a genética é baseada na tradução de códigos em outros códigos.

Isso não sugere que plantas, animais e células usam poderes mentais para cumprir essas façanhas. Na criptologia humana, os protocolos são automatizados depois de serem idealizados. O Dr. Smart não tem que calcular toda função quando são fornecidas novas entradas. Não, tudo o que a sua equipe fez foi desenhar o protocolo, e os computadores faziam o resto. De forma similar, parece cada vez mais claro que uma causa inteligente forneceu aos seres vivos os protocolos que são empregados de modo instintivo pelas criaturas.

Um cético poderia rejeitar todos esses exemplos naturais, reinterpretando-os com explicações darwinianas, e continuar a enfrentar a realidade de que a criptologia humana, assim como a arqueologia, é um campo científico que não só faz uso de projeto inteligente, ela depende dele. A partir da nossa experiência uniforme, nós sabemos que quando uma mensagem aparece na forma de uma cadeia de bits — mesmo que criptografada —, uma mente com um propósito teve um papel na sua criação. Isso é verdade mesmo que nós não possamos ler a mensagem (pense na Pedra de Rosetta), e mesmo que nós não saibamos a identidade do projetista (pense no programa de busca por inteligência extraterrestre SETI).

O Design Inteligente está vivo e passa bem na ciência.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Design Inteligente em ação: Arqueologia

A arqueologia é o estudo de artefatos que foram projetados com um propósito. Nossa experiência uniforme sobre as causas inteligentes nos permite fazer inferências sobre design, mesmo que não saibamos a identidade dos projetistas. Em razão dos princípios do Design Inteligente serem usados na arqueologia assim como são usados em outras ciências, qual o problema em aplicar a teoria na biologia?

Novas ferramentas de pesquisa estão permitindo que os pesquisadores questionarem sobre a ação humana inteligente no contexto das civilizações antigas, questionamentos que não eram imaginados antes. Por exemplo, considere uma inscrição cuneiforme numa barra de argila. O foco tem sido usualmente em decifrar a mensagem, mas agora, através de imagens com raio-X, os cientistas poderão estudar a tecnologia que as pessoas de tempos antigos usaram para criar a própria barra. Isso foi explicado num comunicado à imprensa da Western University no Canadá por Paul Mayne, “Redefining Archeological Research”.

Uma dos pontos fortes da Western University é o escaneamento por Tomografia Computadorizada (CT scan), especificamente de objetos até 40 cm de tamanho. O que é perfeito para digitalizar artefatos do tamanho de barras de argila. Com o scanner de microCT da universidade, pesquisadores como Andrew Nelson podem renderizar o exterior como o interior de qualquer objeto.

Com o toque de um botão, o objeto foi escaneado, reconstruído e inteiramente renderizado usando mais de 3.000 imagens individuais, permitindo uma inspeção e visualização de alta qualidade.

Um banco de dados dos artefatos arqueológicos pode assim ficar disponibilizado a pesquisadores de todo o mundo — uma significativa melhora em relação ao armazenamento em depósitos. Falando em depósitos, a universidade projetou isso de forma inteligente também. Em parceria com a McMaster University e com o governo canadense, o Repositório Sustentável Arqueológico (Sustainable Archaeological Repository, SAR, em inglês) da Western University pode armazenar 90.000 caixas de artefatos nas suas instalações de aproximadamente 1.670 m² (18.000 ft²). Digitalizar uma parte dos milhões de objetos catalogados até agora abrirá essas caixas a todo o mundo, possibilitando que “qualquer pessoa em casa acesse” a história da civilização.

Vários aspectos dessa história são interessantes. Primeiro, é claro, é a demonstração que o Design Inteligente já está sendo usado na ciência. Ao contrário do que os críticos do DI na mídia e na academia podem dizer, o DI não é um intruso estranho que certas pessoas com uma “agenda” estejam enfiar na ciência. Ele já está lá — na arqueologia mas também na ciência forense, na criptografia, na biomimética e no SETI. O debate não é se os métodos e as inferências do DI são legítimas, mas sim se os mesmos métodos e inferências são aplicáveis na biologia e na cosmologia.

Bem, por que não? No comunicado à imprensa, o Dr. Neal Ferris, o investigador principal do SAR, percebeu alguns padrões circulares num pedaço de cerâmica. A partir deles, ele foi capaz de inferir a técnica que o projetista usou — inclusive as decisões específicas que o projetista tomou.

“Com os scanners, nós seremos capazes de cortar seções do objeto para ver como eles foram construídos, ver quais materiais foram usados para construí-lo“, ele disse. “De qualquer coisa que seja cerâmica, como barras de argila, ou uma vasilha cerâmica, você pode dizer como ele foi construído pela imagem. Parece que haviam movimentos circulares na barra. Isso nos dá pistas sobre as ações efetivas da pessoa e do processo de tomadas de decisão que essa pessoa teve. Isso nos dá uma dimensão singular e pessoal do objeto. “Não é mais um objeto estático, é o produto final de uma série de decisões que esse indivíduo tomou”.

O Dr. Ferris pode fazer essa afirmação sobre as decisões do projeto sem saber qualquer coisa sobre a identidade do projetista ou da religião daquela pessoa. E claramente, o próprio Dr. Ferris não tinha nenhum tipo de agenda religiosa em fazer essa inferência. Na verdade, ele acredita que as inferências sobre causas inteligentes poderiam ser expandidas ainda mais:

“Você está escaneando, por exemplo, uma vasilha enterrada a milênios atrás que uma mulher fez num vilarejo, num estilo de vida completamente diferente. Você poderia revelar todo o processo artesanal de construção da peça“, ele disse. “Nós vamos continuar escaneando esse tipo de coisa, então imagine o que acontecerá quando nós tivemos 2.000 peças como essa escaneadas. Nós possivelmente seremos capazes de traçar a história de um artesão em particular”.

A tecnologia é aplicável a causas naturais e inteligentes, como Nelson deixou claro:

Nelson disse que outras aplicações para o scanner de microCT são possíveis. Por exemplo, ele tem um estudante de pós-graduação interessado em evolução dos primatas e em morfologia facial primata; a equipe de Ciência Terrestre e Planetária está interessada no escaneamento das suas coleções de meteoritos; e um artesão de instrumentos de corda de Sudbury está interessado em escanear violinos para entender o que faz um Stradivarius ser diferente de um outro tipo de violino. “Isso é inacreditável”, disse Nelson. “Ter acesso a uma tecnologia como essa, em que nós podemos realmente ir até os limites das imagens no contexto arqueológico, é muito emocionante e vai colocá-la no radar. Existem muitas outras aplicações que nós estamos apenas começando a explorar”.

Em resumo, o Design Inteligente está vivo e confortavelmente dentro da ciência; ele está na linha de frente das novas descobertas.

Faça esse experimento mental: se a equipe de Ciência Terrestre e Planetária escaneasse um meteorito e achasse uma mensagem ou uma máquina molecular executando uma função reconhecida, eles estariam justificados em fazer uma inferência ao design?

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Olhando para a natureza com os olhos de um engenheiro

Imagem: Patella vulgata (no link do texto original)

Aqui vão dois exemplos de pesquisadores que procuram por “princípios de design” em organismos vivos, mostrando que a visão de engenharia leva ao progresso científico.

Replicação celular como Engenharia de Sistemas

O trabalho de um especialista em eficiência é encontrar melhores formas de fazer mais coisas em menos tempo com menos custos. Do “Taylorismo” no início do século 20, até a “Pesquisa Operacional” nos dias da 2ª Guerra Mundial, à “Engenharia de Sistemas” hoje, a especialização em eficiência tem se tornado uma disciplina essencial para a produção e para o cronograma de projeto. Recentemente, Rami Pugatch, um biólogo de sistemas no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, olhou para a humilde bactéria de laboratório E. coli com os olhos de um especialista em eficiência. O site PhysOrg explica como ele abordou a “replicação celular como um problema de engenharia de sistemas”:

O artigo descreve o problema do agendamento de tarefas em processos de replicação celular e, finalmente, mostra uma distribuição matemática que caracteriza uma estratégia ótima de replicação para células de E. coli. O escopo do trabalho de Pugatch engloba processos celulares individuais, descrições algorítmicas de replicação otimizada, conceitos de engenharia de sistemas, e até mesmo a história do conceito de máquina auto-replicante. [grifos nossos]

A história se refere ao trabalho teórico de John von Neumann em 1948 sobre como construir uma máquina auto-replicante. Pugatch descobre que uma bactéria replicante atende a alguns requisitos: ela mantém todos os ingredientes em reservatórios bem abastecidos para cada tarefa, ela escalona as tarefas da melhor maneira, e duplica as instruções, como parte do trabalho. A bactéria consegue bem suceder mesmo quando os recursos são escassos, um “problema de escalonamento difícil de resolver” de acordo com o artigo publicado no PNAS.

Auto-replicação bacteriana é um processo complexo composto de diversas etapas de síntese, catalisadas por uma miríade de unidades moleculares de processamento, por exemplo, as máquinas de transcrição e tradução, enzimas metabólicas e o replissoma. A conclusão bem sucedida de todas as tarefas de produção requer um escalonamento – uma atribuição temporal, de cada uma das tarefas produtivas para as suas respectivas unidades de processamento, que respeita a ordenação e a limitação de recursos. A maioria dos processos de crescimento intracelular estão bem caracterizados. Contudo, a maneira pela qual elas são coordenadas sob o controle de uma política de escalonamento não é bem compreendida. Quando a replicação rápida é priorizada, um escalonamento que minimizasse o tempo de conclusão é desejável. No entanto, se os recursos são escassos, normalmente é difícil encontrar computacionalmente um escalonamento tal, no pior dos casos. Aqui, nós mostramos que o escalonamento ideal emerge naturalmente na auto-replicação celular. Um tempo de duplicação ótimo é obtido através da manutenção de um inventário suficientemente grande de metabólitos intermediários e de unidades de processamento necessárias para a auto-replicação e, adicionalmente, da exigência de que essas unidades de processamento sejam “gananciosas”, ou seja, não fiquem ociosas se elas puderem executar uma tarefa produtiva. Calculamos a distribuição dos tempos de duplicação dessas máquinas auto-replicantes de escalonamento ótimo, e descobrimos que existe uma forma universal – log-Frechet, que não é sensível a muitos detalhes microscópicos. Analisando dois conjuntos de dados recentes de Escherichia coli que cresciam em um ambiente estacionário, encontramos uma excelente concordância entre a distribuição do tempo de duplicação observado e a distribuição universal prevista, sugerindo que a E. coli está escalonando a sua replicação de maneira ótima.

O artigo não faz nenhuma menção a evolução ou a seleção natural, nem mesmo o sumário do PhysOrg. Em vez disso, encontra-se a linguagem da PERT (Program Evaluation and Review Technique), “caminho crítico” e outros termos familiares para engenheiros de sistemas.

Quando von Neumann propôs a máquina auto-replicante, era uma ideia futurista a que escritores de ficção científica se prenderam, prevendo robôs que viajavam pelo espaço que poderiam se replicar com recursos encontrados nos planetas que pousaram, enquanto eles se espalhavam por toda a galáxia. Mas aqui mesmo na Terra, temos um exemplo perfeito em um dos menores e “mais simples” organismos vivos.

Surpreendentemente, a nossa análise dos conjuntos de dados medidos recentemente da E. coli em crescimento exponencial num ambiente estacionário revela que a distribuição medida dos tempos de duplicação se encaixa bem com a distribuição prevista dos tempos de duplicação de uma máquina auto-replicante de escalonamento ótimo. [PNAS]

Tal máquina [de von Neumann] é chamada de “não-trivial” se ela inclui um construtor universal como um componente. O processo de duplicação não é considerado completo até que uma cópia das instruções seja fornecida. Em vez de controlar sua própria replicação, as instruções são duplicadas a partir de um modelo por uma máquina dedicada separada, que não é acionada até a conclusão da fase de replicação da máquina. Isso é muito análogo a processos celulares reais. [PhysOrg]

Foram necessários olhos de engenheiro para enxergar esta conexão. Agora, a nossa compreensão da replicação bacteriana foi consequentemente enriquecida, sem qualquer menção a seleção natural. Na verdade, o desenrolar do processo cria novos problemas para o neodarwinismo: como uma máquina de von Neumann auto-replicante conseguiria aparecer pouco a pouco, sem que todas as peças, instruções e o “construtor universal” já estivessem presentes?

Ciência dos materiais

Enquanto isso, a substância biológica mais forte conhecida veio à tona. Esse material pode suportar 5 gigapascals de tensão, o que equivale a uma corda da largura de um espaguete suportando 3.000 sacos de meio-quilo de açúcar, de acordo com a BBC News. Que material é esse? É a rádula, ou dente, da lapa, um animal aquático parecido com um caracol com uma concha em espiral. E quem o encontrou? Um engenheiro. A Universidade de Portsmouth explica:

O professor Asa Barber da escola de engenharia da universidade liderou o estudo. Ele disse: “A natureza é uma fonte de inspiração maravilhosa para estruturas que têm propriedades mecânicas excelentes. Todas as coisas que observamos ao nosso redor, como as árvores, as conchas de criaturas do mar e os dentes de lapa estudados neste trabalho, têm evoluído para serem eficazes no que fazem.

“Até então nós pensávamos que a seda de aranha era o material biológico mais forte por causa da sua superforça e das suas potenciais aplicações em tudo, de coletes à prova de bala até à eletrônica computacional, mas agora nós descobrimos que os dentes de lapa apresentam uma força que é potencialmente maior”.

Ahá! O darwinista diria. Está vendo? Barber disse que eles “evoluíram para serem eficazes no que fazem”. Ao ler a matéria, porém, percebe-se que a teoria da evolução não tem nada a ver com a descoberta. Era nada mais do que uma historinha que o professor contou provavelmente por força do hábito. Ele é um engenheiro, afinal de contas, que reconhece um bom design quando ele vê:

“Essa descoberta significa que as estruturas fibrosas encontradas nos dentes da lapa poderiam ser imitadas e usadas em aplicações de engenharia de alto desempenho, tais como em carros de Formula 1, em cascos de embarcações e estruturas de aeronaves”.

Os engenheiros estão sempre interessados em tornar essas estruturas mais fortes para melhorarem o seu desempenho ou mais leves para que elas usem menos material”.

O trabalho de Barber envolveu testes de resistência à tração dos dentes de lapa com instrumentos especialmente concebidos. Foi um trabalho difícil. Os dentes tem apenas um milímetro de comprimento, e são muito finos. A lapa usa sua rádula para raspar as algas das rochas de que se alimenta. A equipe de Barber descobriu que, por causa do modo que os dentes são construídos com um mineral chamado goetita, suas propriedades se escalariam, ou seja, os mesmos princípios seriam aplicáveis com tamanhos maiores, uma vez que a resistência do material não depende do tamanho.

A descoberta de projetos eficazes na natureza e, em seguida, construir estruturas com base nesses projetos, é chamada de ‘bioinspiração’.

O professor Barber disse: “A biologia é uma grande fonte de inspiração para a concepção de novas estruturas, mas com tantas estruturas biológicas para considerar, pode-se levar tempo para descobrir o que pode ser útil”.

Bioinspiração – um neologismo que há de se manter. Pense nas perspectivas de encontrar mais designs por aí! Como o artigo da BBC News disse: “Nós deveríamos estar pensando em construir nossas próprias estruturas seguindo os mesmos princípios de design“. Boa idéia! O design é uma inspiração para explorar, descobrir, compreender, e então imitar.

Texto traduzido e adaptado de ENV.