Capítulo 3 — Information as Ruling Out Possibilities


Being As Communion, a Metaphysics of Information
de William Dembski (237 páginas)

O capítulo trata do conceito de informação, conceito central da metafísica desenvolvida no livro. Enquanto base conceitual, é preciso entender o capítulo 3 até o capítulo 5 como um bloco único. Procura-se definir uma metafísica, mas também faz-se um contraste com a metafísica materialista que domina a vida intlectual moderna.

Em geral, entende-se informação como aquilo que é capaz de confirmar alguma possibilidade eliminando possibilidades concorrentes restantes. Não haveria informação se não houverem possibilidades a serem excluídas. Nesse sentido, tautologias nunca trazem informação, pois elas são sempre verdadeiras, e não há possibilidades que possam ser rejeitadas. O mesmo acontece com as contradições, que são sempre falsas. Como Robert Stalnaker entende, “aprender algo, adquirir informação, é desconsiderar possibilidades. Entender a informação transmitida numa comunicação é saber quais possibilidades foram excluídas pela sua veracidade”. Para exemplificar no caso da tautologia, tem-se a afirmação “hoje vai ou não vai chover”: ela não traz nenhuma informação, pois é logicamente verdadeira, não havendo possibilidades concorrentes que ela elimine. Diferentemente disso é a afirmação “hoje não vai chover”, que traz informação pois ela exclui a possibilidade restante que de “hoje vai chover”.

No materialismo, a realidade é compreendida “de baixo para cima”, no sentido de conceber tudo em partículas, campos, cordas, energia, etc. Nele, procura-se entender tudo a partir de constituintes mais básicos, dos quais todo o universo seja feito. Por isso, o materialismo trabalha na reconstituição da realidade a partir desses constituintes básicos, o que explica o impulso materialista de quebrar e separar a matéria em partes cada vez menores para entendê-las individualmente — daí a razão de ser dos modernos aceleradores de partículas. O materialismo é individualista e isolativo. Uma boa analogia sobre o processo materialista de compreender a realidade usa o famoso refresco em pó Tang. O suco Tang é nada mais nada menos do que pó do suco original da fruta, e com a adição de água, procura-se imitar o suco original a partir desse pó. O suco feito com o pó não é o mesmo que o suco da fruta, não importa o esforço que se faça para reconstituí-lo. Por isso, entende-se que no materialismo, a realidade compreendida partir de suas partes não é a realidade, mas sim apenas uma imitação ou uma sombra dela.

Já a informação é holística e relacional. Não faz sentido compreender a informação de baixo para cima, como se ela pudesse ser quebrada em suas partes e depois serem reconstituídas. O processo da informação é de eliminar possibilidades. A diferença básica é que possibilidades podem ser refinadas ou alargadas, com diminuição ou aumento do zoom com que se percebe a realidade. Para exemplificar, considere a afirmação “hoje vai chover”, que já se sabe representar informação. Em confronto com outra afirmação, “hoje vai chover por pelo menos 3 horas”, nota-se que esta última também representa informação, mas com um refinamento ou zoom maior sobre a realidade: não só existe a informação de que vai chover, mas também a informação da duração dessa chuva, eliminando a possibilidade de ela ser menor do que 3 horas. Em contraste ao exemplo dado, um zoom menor ou um alargamento da percepção da realidade seria feito com uma afirmação como “hoje vai ficar molhado”.

O propósito geral do uso da informação não é o de quebrá-la e separar suas partes básicas até chegar a um nível básico com que se possa reconstituir a informação original. A ideia é achar um nível razoável e claro de análise, pelo qual seja possível fazer um questionamento e com ele se produza informação. Nesse sentido, o questionamento precisa ter sua resposta situada dentro de uma classe de referência, que será chamada de matriz de possibilidades. O tema das matrizes de possibilidade é tratado nos capítulos 4 e 5, nos quais será demonstrado como essas matrizes devem ser compreendidas e construídas, dentro do quadro geral da metafísica da informação.

Próximo capítulo:
Capítulo 4 — Possible Worlds

Capítulo anterior:
Capítulo 2 — Free Will: The Power of No

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Referências

William Dembski, Being As Communion: A Metaphysics of Information. Ashgate Publishing Company, 2014, pp. 17-23.

Site do livro beingascommunion.com.

Site da Amazon para compra do livro.

Entrada sobre o livro Being As Communion na WikiTDI.

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