Capítulo 8 — Intelligence vs. Nature?


Being As Communion, a Metaphysics of Information
de William Dembski (237 páginas)

Nesse capítulo, o autor trata de mostrar as distinções que se faz entre natureza e inteligência, ou entre matéria e design, e também de como essas distinções tornam o Design Inteligente compreensível.

De acodo com o teórico da informação Douglas Robertson, a característica chave de agentes inteligentes (isto é, causas teleológicas que agem segundo um fim ou propósito) é a sua habilidade de criar e comunicar informação. Em razão do materialismo dar primazia à matéria, a inteligência tem o seu papel enfraquecido na natureza. Ele concebe a natureza em terminologia puramente materialista e torna a inteligência um subproduto da matéria. A matéria seria fundamentalmente não-inteligente, não-teleológica.

Então a questão que surge é, se a natureza, concebida em terminologia materialista, possui a habilidade de criar toda a informação que nela é encontrada. Para responder a essa questão e para mostrar que a natureza puramente material não é capaz de criar toda a informação que é encontrada nela, é necessário que seja avaliado tudo o que está dentro e fora das capacidades materiais da natureza. Para isso, usa-se uma lógica de reductio ad absurdum (redução ao absurdo): assuma que somente processos materiais estejam envolvidos na obtenção de um resultado, e então, demonstra-se que esses processos enfrentam sérias dificuldades para obter tal resultado. Dentro dessa lógica, alguns requisitos são necessários:

os processos materiais envolvidos sejam bem conhecidos, para que se formule o argumento pelo conhecimento, e não pela ignorância;
não são permitidos apelos a processos materiais desconhecidos que possam produzir o resultado;
clareza do raciocínio feito (se estatístico, abdutivo ou dedutivo);
um resultado real para o qual essa lógica possa ser aplicada e mostre de forma convincente a insuficiência dos processos puramente materiais.

Esse esquema geral de refutação do materialismo será chamado de lógica refutadora do materialismo. Essa lógica não pode ser simplesmente ignorada por colocar o materialismo em questão ou por ter possíveis implicações teológicas, pois cada argumento nesse molde deve ser avaliado nos seus méritos próprios. A lógica refutadora do materialismo não é inerentemente teísta. O próprio método estatístico de eliminação do acaso por meio de pequenas probabilidades, quando usado para a questão da origem da vida, é um exemplo dessa lógica.

Os antigos gregos compreendiam a diferença entre natureza e informação. Os estoicos entendiam que havia a matéria — inerte e passiva esperando para tomar forma —, e havia a informação — ativa e capaz de produzir forma. Para Aristóteles, natureza e design representavam duas formas diferentes de produzir informação: enquanto o design produz informação externamente, a natureza produz internamente. Por um lado, Aristóteles caracterizou design como capacidades externas aos objetos e que são necessárias para dar-lhes forma; por outro lado, ele caracterizou natureza como capacidades internas dos objetos que os permitiam transformarem-se sozinhos sem ajuda externa. Assim, o design externalista se diferencia da natureza internalista, com a última procurando sempre as capacidades dentro das coisas mesmas para expressar informação.

Sempre que se atribui design a um objeto por causa de algum princípio organizacional externo ao objeto e que seja necessário para explica-lo, pode-se substituir design por natureza com um simples rearranjo daquele princípio dentro de um sistema maior que contém o objeto. Dessa forma, externalistas argumentarão a favor de design por fora desse sistema maior, e os internalistas por sua vez proporão um sistema ainda maior, que conterá mais princípios organizacionais em sua natureza interna. Essa competição entre natureza interna e design externo acaba quando se chega aos limites da natureza, do universo. É aqui, portanto, que alguns dirão que a natureza é completa em seus próprios termos, enquanto outros entenderão que a natureza seja incompleta e necessitando de algum princípio explanatório — momento no qual o design se sobressai à natureza.

Colocado dessa forma, se o materialismo for verdadeiro, ou seja, se a matéria é tudo o que existe, então qualquer design será apenas um item material causando uma mudança em outro item material. E como a matéria em sua raiz é não-teleológica, toda e qualquer teleologia associada a essa matéria será meramente um efeito colateral de processos puramente materiais subjacentes. Assim, o materialismo destrói qualquer teleologia na natureza.

Assim se chega ao esclarecimento do que trata o Design Inteligente. Design Inteligente é o estudo de padrões (por isso, design) na natureza que fornecem evidências empíricas de serem resultado de teleologia real (por isso, “inteligente”). Nesse contexto, a teleologia real não é redutível a processos meramente materiais. A definição também evita duas armadilhas linguísticas: os críticos do Design Inteligente tendem a assumir que a referência a design é sempre uma visão externalista do design na teleologia, e também assumem que a referência a “inteligente” faz com que tal design externo seja produto de um agente consciente e pessoal. Ambas as premissas são falsas. Tipicamente, o Design Inteligente pode fazer uso da lógica refutadora do materialismo, o que quer dizer que, na biologia por exemplo, ele abordará a vida com olhar mecanicista apenas como medida temporária, num argumento de reductio ad absurdum para refutar o materialismo. Rejeitado o materialismo, o Design Inteligente olha para a biologia como ela é, seja qual for a sua forma.

Próximo capítulo:
Capítulo 9 — Natural Teleological Laws

Capítulo anterior:
Capítulo 7 — Information Theory

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Referências

William Dembski, Being As Communion: A Metaphysics of Information. Ashgate Publishing Company, 2014, pp. 47-64.

Site do livro beingascommunion.com.

Site da Amazon para compra do livro.

Entrada sobre o livro Being As Communion na WikiTDI.

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