Capítulo 9 — Natural Teleological Laws


Being As Communion, a Metaphysics of Information
de William Dembski (237 páginas)

Neste capítulo, Dembski trata das leis teleológicas naturais ao modo como foram sugeridas por Thomas Nagel, sugerindo que estas poderiam ser formuladas segundo está descrito nos capítulos 17 a 19 deste livro.

Em seu livro Mind and Cosmos, Thomas Nagel reconhece a falência do materialismo enquanto compreensão mecanicista da natureza, e ao mesmo tempo procura uma base naturalista para a teleologia que dá ânimo a essa natureza. Nesse sentido, Dembski, em seu teísmo não-materialista quer se juntar em causa comum a esse tipo de naturalista não-materialista, já que ambos tem como objetivo entender como a teleologia opera. Para Demsbki, é possível assim chegar a um denominador comum, e nos pontos concordantes, promover uma compreensão teleológica da natureza . Em razão das terminologias diferentes usadas pelos teístas e pelos naturalistas não-materialistas, as discussões mais frutíferas sobre teleologia na natureza pode se desviar do foco. Por exemplo, a fonte primária da informação na natureza para um teísta é Deus, enquanto que um naturalista não-materialista propõe que essa fonte seja algum tipo de teleologia imanente e impessoal. Neste exemplo, os teístas tenderão a ver a teleologia impessoal e imanente como um substituto pobre para a ação divina, enquanto que os naturalistas não-materialistas tenderão a ver a ação divina como um aditivo desnecessário, ou mesmo uma distração, da teleologia efetiva da natureza. De qualquer modo, ambas as partes concordam que certos aspectos informacionais da natureza vão além das meros processos materiais e, por isso, devem ter sido originados em uma fonte não-material de informação.

Nagel propõe compreender essa teleologia na forma de leis naturais teleológicas, e que seriam radicalmente diferentes das leis da física e da química que hoje mantém o paradigma das leis da natureza. Tais leis teleológicas se encaixariam bem no arcabouço conceitual da informação. No livro, Nagel faz algumas sugestões de como essas leis naturais teleológicas poderiam ser. Como ele é um naturalista, Nagel enxerga a natureza como sujeita a limitações físicas, as quais ele chama de leis da física e que não são deterministas, ou seja, elas permitiriam algum grau de liberdade na natureza. Essas leis permitem uma liberdade tal que, para que a natureza exiba teleologia, ela deveria produzir eventos de probabilidade muito baixa. Dada as distribuições de probabilidade compatíveis com essas leis e constantes físicas, eventos teleológicos naturais requeririam um verdadeiro milagre probabilístico. Como isso se encaixa no nosso arcabouço conceitual da informação?

Dentro desse arcabouço, quando um aspecto natural é tratado dentro de uma matriz de possibilidade, ele tem uma distribuição de probabilidade associada, advinda das restrições físicas, das leis da física. No entanto, essa distribuição é espalhada, tornando difícil separar aquelas possibilidades que sejam teleológicas, as quais chamaremos de alvos, e que tenham probabilidades altas o suficiente para que possam acontecer realisticamente. Então, quando a natureza é entendida dessa forma, ela faz uma busca cega (já antecipando aqui o que será discutido nos capítulos 17 a 19), a qual assinala probabilidades muito baixas àqueles alvos que seriam esperados caso a natureza fosse teleológica. É aqui que entra um dos requisitos de Nagel para as leis naturais teleológicas: essas leis existiriam para que as probabilidades fossem mais elevadas nos caminhos do espaço de estados que levassem aos alvos da natureza, tornando possível que esses alvos fossem atingidos de modo realista pelas leis naturais. Aqui, espaço de estados se refere à representação multidimensional de natureza, no qual cada ponto fosse um modo em que a natureza como um todo pudesse ser, e um caminho nesse espaço de estados seria o que representa as mudanças da natureza com o passar do tempo. Mais detalhes sobre essa busca serão vistos nos capítulos 17 a 19. Já adiantando, essas leis teleológicas seriam idênticas às buscas direcionadas descritas nestes capítulos. Além disso, todas as buscas estão sujeitas à Lei de Conservação da Informação, a qual quantifica a informação que essas leis poderiam possuir.

Diferentemente de Nagel, Dembski não está convencido de que essas leis naturais teleológicas favoreceriam uma compreensão teleológica natural e imanente em relação à compreensão teleológica teísta e intervencionista. Assim como Nagel admite, ambas as formas de teleologia seriam indistinguíveis empiricamente.

Próximo capítulo:
Capítulo 10 — Getting Matter from Information

Capítulo anterior:
Capítulo 8 — Intelligence vs. Nature?

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Referências

William Dembski, Being As Communion: A Metaphysics of Information. Ashgate Publishing Company, 2014, pp. 65-75.

Site do livro beingascommunion.com.

Site da Amazon para compra do livro.

Entrada sobre o livro Being As Communion na WikiTDI.

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