Design Inteligente em ação: Criptologia

Críticos do Design Inteligente (DI) dizem que ele não é ciência. Tente explicar isso para muitos cientistas que usam princípios do DI rotineiramente nos seus trabalhos… Aqui está um outro exemplo: criptologia.

O Dicionário Michaelis e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa definem criptologia como “estudo científico da criptografia e da criptoanálise”. Criptologia é processo de escrita e de leitura de mensagens secretas em código. A criptoanálise faz uso de teorias de resolução de sistemas criptográficos. Existe o Journal of Cryptology. Existem professores de criptologia. A criptologia faz uso de teorias, dados, experimentação e testes. Ela tem todos os trejeitos de ciência — e é baseada inteiramente em princípios do Design Inteligente. Faz sentido. É preciso que exista uma mente para codificar uma mensagem, e outra mente para decodificá-la.

Nigel Smart é um professor de criptologia na University of Bristol. Em cooperação com a Aarhus University na Dinamarca, sua equipe conseguiu um avanço na criptografia que pode resultar em uma computação mais segura”, segundo a University of Bristol. Eles tomaram o sonho de “Aline no País das Maravilhas” da teoria para a realidade, permitindo que duas ou mais partes façam a computação de uma função com entradas secretas, num método chamado Multi Party Computation. É uma forma de passar mensagens secretas as vistas de todos (um truque e tanto se você pensar bem). O seu produto é chamado de protocolo SPDZ, pronunciado “speeds”, já que ele é rápido.

A ideia por trás da Multi Party Computation é que ela deve possibilitar que duas ou mais pessoas façam o cálculo de qualquer função da sua escolha com entradas secretas, sem revelar essas entradas a qualquer outro. Um exemplo é numa eleição, em que os votantes querem que o seu voto seja computado, mas eles não querem que seu voto seja público.

Críticos do DI poderiam argumentar que nós já conhecemos as mentes humanas, e isso não daria apoio para a ideia de agentes inteligentes não especificados criando fenômenos naturais. Mas, de forma intrigante, existem exemplos de comunicação segura na natureza também. Árvores, por exemplo, emitem compostos voláteis específicos que notificam outras árvores quando um predador está presente. Corvos usam um vocabulário complexo para avisar todo o bando.

Existem muitos exemplos de “ocultação à luz do dia” na natureza. A borboleta vice-rei faz imitação da borboleta monarca, que tem um mal gosto ao paladar, convencendo pássaros a não come-la. Coloração oculta permite que alguns peixes e lulas fiquem invisíveis a predadores. O uso de mimetismo para evitar caça de predadores é muito comum na natureza. Os predadores, é claro, usam uma variedade de sinais ocultos para atrair presas. A transdução de sinais é muito importante em células vivas, e a genética é baseada na tradução de códigos em outros códigos.

Isso não sugere que plantas, animais e células usam poderes mentais para cumprir essas façanhas. Na criptologia humana, os protocolos são automatizados depois de serem idealizados. O Dr. Smart não tem que calcular toda função quando são fornecidas novas entradas. Não, tudo o que a sua equipe fez foi desenhar o protocolo, e os computadores faziam o resto. De forma similar, parece cada vez mais claro que uma causa inteligente forneceu aos seres vivos os protocolos que são empregados de modo instintivo pelas criaturas.

Um cético poderia rejeitar todos esses exemplos naturais, reinterpretando-os com explicações darwinianas, e continuar a enfrentar a realidade de que a criptologia humana, assim como a arqueologia, é um campo científico que não só faz uso de projeto inteligente, ela depende dele. A partir da nossa experiência uniforme, nós sabemos que quando uma mensagem aparece na forma de uma cadeia de bits — mesmo que criptografada —, uma mente com um propósito teve um papel na sua criação. Isso é verdade mesmo que nós não possamos ler a mensagem (pense na Pedra de Rosetta), e mesmo que nós não saibamos a identidade do projetista (pense no programa de busca por inteligência extraterrestre SETI).

O Design Inteligente está vivo e passa bem na ciência.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Design Inteligente em ação: Arqueologia

A arqueologia é o estudo de artefatos que foram projetados com um propósito. Nossa experiência uniforme sobre as causas inteligentes nos permite fazer inferências sobre design, mesmo que não saibamos a identidade dos projetistas. Em razão dos princípios do Design Inteligente serem usados na arqueologia assim como são usados em outras ciências, qual o problema em aplicar a teoria na biologia?

Novas ferramentas de pesquisa estão permitindo que os pesquisadores questionarem sobre a ação humana inteligente no contexto das civilizações antigas, questionamentos que não eram imaginados antes. Por exemplo, considere uma inscrição cuneiforme numa barra de argila. O foco tem sido usualmente em decifrar a mensagem, mas agora, através de imagens com raio-X, os cientistas poderão estudar a tecnologia que as pessoas de tempos antigos usaram para criar a própria barra. Isso foi explicado num comunicado à imprensa da Western University no Canadá por Paul Mayne, “Redefining Archeological Research”.

Uma dos pontos fortes da Western University é o escaneamento por Tomografia Computadorizada (CT scan), especificamente de objetos até 40 cm de tamanho. O que é perfeito para digitalizar artefatos do tamanho de barras de argila. Com o scanner de microCT da universidade, pesquisadores como Andrew Nelson podem renderizar o exterior como o interior de qualquer objeto.

Com o toque de um botão, o objeto foi escaneado, reconstruído e inteiramente renderizado usando mais de 3.000 imagens individuais, permitindo uma inspeção e visualização de alta qualidade.

Um banco de dados dos artefatos arqueológicos pode assim ficar disponibilizado a pesquisadores de todo o mundo — uma significativa melhora em relação ao armazenamento em depósitos. Falando em depósitos, a universidade projetou isso de forma inteligente também. Em parceria com a McMaster University e com o governo canadense, o Repositório Sustentável Arqueológico (Sustainable Archaeological Repository, SAR, em inglês) da Western University pode armazenar 90.000 caixas de artefatos nas suas instalações de aproximadamente 1.670 m² (18.000 ft²). Digitalizar uma parte dos milhões de objetos catalogados até agora abrirá essas caixas a todo o mundo, possibilitando que “qualquer pessoa em casa acesse” a história da civilização.

Vários aspectos dessa história são interessantes. Primeiro, é claro, é a demonstração que o Design Inteligente já está sendo usado na ciência. Ao contrário do que os críticos do DI na mídia e na academia podem dizer, o DI não é um intruso estranho que certas pessoas com uma “agenda” estejam enfiar na ciência. Ele já está lá — na arqueologia mas também na ciência forense, na criptografia, na biomimética e no SETI. O debate não é se os métodos e as inferências do DI são legítimas, mas sim se os mesmos métodos e inferências são aplicáveis na biologia e na cosmologia.

Bem, por que não? No comunicado à imprensa, o Dr. Neal Ferris, o investigador principal do SAR, percebeu alguns padrões circulares num pedaço de cerâmica. A partir deles, ele foi capaz de inferir a técnica que o projetista usou — inclusive as decisões específicas que o projetista tomou.

“Com os scanners, nós seremos capazes de cortar seções do objeto para ver como eles foram construídos, ver quais materiais foram usados para construí-lo“, ele disse. “De qualquer coisa que seja cerâmica, como barras de argila, ou uma vasilha cerâmica, você pode dizer como ele foi construído pela imagem. Parece que haviam movimentos circulares na barra. Isso nos dá pistas sobre as ações efetivas da pessoa e do processo de tomadas de decisão que essa pessoa teve. Isso nos dá uma dimensão singular e pessoal do objeto. “Não é mais um objeto estático, é o produto final de uma série de decisões que esse indivíduo tomou”.

O Dr. Ferris pode fazer essa afirmação sobre as decisões do projeto sem saber qualquer coisa sobre a identidade do projetista ou da religião daquela pessoa. E claramente, o próprio Dr. Ferris não tinha nenhum tipo de agenda religiosa em fazer essa inferência. Na verdade, ele acredita que as inferências sobre causas inteligentes poderiam ser expandidas ainda mais:

“Você está escaneando, por exemplo, uma vasilha enterrada a milênios atrás que uma mulher fez num vilarejo, num estilo de vida completamente diferente. Você poderia revelar todo o processo artesanal de construção da peça“, ele disse. “Nós vamos continuar escaneando esse tipo de coisa, então imagine o que acontecerá quando nós tivemos 2.000 peças como essa escaneadas. Nós possivelmente seremos capazes de traçar a história de um artesão em particular”.

A tecnologia é aplicável a causas naturais e inteligentes, como Nelson deixou claro:

Nelson disse que outras aplicações para o scanner de microCT são possíveis. Por exemplo, ele tem um estudante de pós-graduação interessado em evolução dos primatas e em morfologia facial primata; a equipe de Ciência Terrestre e Planetária está interessada no escaneamento das suas coleções de meteoritos; e um artesão de instrumentos de corda de Sudbury está interessado em escanear violinos para entender o que faz um Stradivarius ser diferente de um outro tipo de violino. “Isso é inacreditável”, disse Nelson. “Ter acesso a uma tecnologia como essa, em que nós podemos realmente ir até os limites das imagens no contexto arqueológico, é muito emocionante e vai colocá-la no radar. Existem muitas outras aplicações que nós estamos apenas começando a explorar”.

Em resumo, o Design Inteligente está vivo e confortavelmente dentro da ciência; ele está na linha de frente das novas descobertas.

Faça esse experimento mental: se a equipe de Ciência Terrestre e Planetária escaneasse um meteorito e achasse uma mensagem ou uma máquina molecular executando uma função reconhecida, eles estariam justificados em fazer uma inferência ao design?

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

O Design Inteligente é mais antigo do que você pensa


Imagem: Anaxagoras, via Wikimedia Commons (domínio público).

A história do Movimento do Design Inteligente (MDI) moderno nos EUA pode ser traçada a partir do seminário organizado por Phillip Johnson na cidade de Pajaro Dunes em 1993. Contudo, o Simpósio do Wistar Institute de 1966 e uma marcha persistente dos céticos de Darwin certamente prepararam o solo para aquele encontro. Mas o Design Inteligente (DI), enquanto conceito, data de muito antes do século XX. Assim como o materialismo moderno e o fisicalismo tem as suas raízes nos atomistas antigos (notavelmente Leucipo, Demócrito e Lucrécio), o DI também tem uma história rica e profunda.

Se é para identificar algum pensador que tenha fundado o DI, Anaxágoras cairia bem. Um dos preeminentes filósofos gregos pré-Socráticos, Anaxágoras (500-428 a.C) mantinha muitas ideias que podem soar estranhas para nós. Ele acreditava na divisibilidade infinita da matéria, e que todos os elementos naturais poderiam dar origem somente àqueles do seu mesmo tipo, assim, nada na natureza poderia surgir daquilo que não fosse como si mesmo.

O biógrafo de Anaxágoras no New Dictionary of Scientific Biography, James Longrigg, mostra que as ideias dele sobre matéria e astronomia, “apesar de serem bastante racionais”, não foram tão influentes. Mas a sua visão de uma “causa movente imaterial”, o Nous ou Mente, que colocava tudo em movimento, “preparou o caminho para uma visão amplamente teleológica da natureza”. Considera-se que o seu conceito de Nous enquanto força motora ativa na natureza deu a ele a alcunha de “Sr. Mente”.

Anaxágoras deu explicações para a luminescência da lua, os solstícios, cometas, eclipses, e outros fenômenos astronômicos. Ele chegou até a investigar sobre embriologia, meteorologia, geologia e cosmologia. Ele, junto com os outros pré-Socráticos que tentaram estabelecer uma explicação racional para tudo, alimentou o tipo de pensamento sistemático essencial para a investigação científica.

Longe de ser um oponente da evolução, Anaxágoras foi um dos seus primeiros contribuidores. “De acordo com Platão e Aristóteles”, escreve o famoso geólogo-paleontólogo americano Henry Fairfield Osborn, “esse filósofo foi o primeiro a atribuir adaptação na Natureza a um Design Inteligente, e foi por isso o fundador da Teleologia” (The Greeks to Darwin; an outline of the development of the evolution idea). Segundo Osborn, a contribuição de Anaxágoras para o design na natureza foi, na verdade, baseada na apreciação dos processos de adaptação, um conceito fundamental no pensamento evolutivo.

Embora a teleologia, enquanto componente do pensamento de Anaxágoras, ter sido as vezes menosprezada e em alguns casos até ter sido negada, Jonathan Barnes observa o seguinte:

Teleologia pessoal não é normalmente uma característica da ciência natural; ainda assim, ela entra no mundo natural se os fenômenos naturais são vistos como operações de um artífice inteligente. Anaxágoras tomou essa visão; e é simplesmente perverso negar que ele foi um teleologista no mais inteligível perfeito sentido (…) A Mente “quer” (boulêtheis) construir um mundo; a existência do cosmos é explicada como o objetivo de um ator inteligente. Se a palavra “querer” não ocorrer nos fragmentos de Anaxágoras, os verbo “conhecer” e “ordenar” ocorre: a mente ordenou ou arrumou as coisas; e ela sabia que assim deveria ser (Jonathan Barnes, The Presocratic Philosophers).

Respeitando os limites do que a ciência pode dizer, o Design Inteligente moderno diz pouco sobre a natureza do designer que ele infere, somente que “existem aspectos descritivos dos seres vivos e do universo que tem como melhor explicação uma causa inteligente — isto é, pela escolha consciente de uma agente racional — ao invés de um processo não controlado”, como colocou Stephen Meyer em Signature in the Cell. Na proposição do Nous, Anaxágoras fez uso do raciocínio abdutivo que preparou o caminho para uma longa e venerável tradição de Design Inteligente.

A história de Anaxágoras dá algumas lições instrutivas a quem costuma afirmar que o Design Inteligente seja algo como o criacionismo cristão que se opõe à evolução e à ciência:

  • O fundador do Design Inteligente não era um oponente da evolução; na verdade, ele ajudou no seu desenvolvimento.
  • Seu exemplo demonstra que não há nada na evolução per se que se oponha ao propósito na natureza.
  • Antecedendo o Cristianismo e o livro do Gênesis, as suas contribuições dificilmente poderiam ser chamadas de cristãs ou criacionistas.
  • Como Anaxágoras introduziu a filosofia Jônica e a investigação científica em Atenas, sua teleologia não representava o fim da ciência, mas sim o seu início.
  • A presunção do darwinismo como sinônimo de ciência é imprecisa e completamente a-histórica.

Parece claro que os críticos do Design Inteligente, se tivessem tanto apreço pela educação científica como costumam dizer, teriam que reconhecer os fundamentos de um conceito que tem uma história longa e duradoura no pensamento ocidental. Ciência é muito mais do que uma atividade de bancada; ela tem contextos históricos e culturais também, este que inclusive serve para informar aquele a respeito dos questionamentos que fazemos e das respostas que oferecemos.

Texto traduzido e adaptado de Evolution News & Views.

Obrigado, William Dembski!

William Dembski

William Dembski, um dos teóricos mais notáveis da Teoria do Design Inteligente, anuncia sua saída do movimento.

Ele escreve[1]:

In the last few years, my focus has switched from ID to education, specifically to advancing freedom through education via technology. All my old stuff on ID is on the present site (it was previously at DesignInference.com, which is no more), and can be accessed by clicking on “Design” in the main menu.

I still have a few ID projects in the works, notably second editions of some of my books (e.g., NO FREE LUNCH and THE DESIGN INFERENCE). I regard BEING AS COMMUNION: A METAPHYSICS OF INFORMATION (published 2014) as the best summation of my 23-years focused on ID (the start of that work being my article “Randomness by Design” in NOUS back in 1991).

I’m happy for the years I was able to spend working on ID, but it’s time to move on. I’ll be describing my new endeavors on this new blog.

O blog a que ele se refere é o seu blog pessoal, billdembski.com.

Muito obrigado, William Dembski! O Universo Privilegiado deseja a você sinceros votos de sucesso nos seus futuros empreendimentos.


Referências:

[1] http://billdembski.com/a-new-day/

Problema 10: A longa história de previsões imprecisas do neo-darwinismo sobre órgãos vestigiais e o DNA lixo

Nota do tradutor: esta é a parte 10 da série de 10 artigos sobre os problemas científicos da evolução biológica e química. A série é baseada no capítulo “The Top Ten Scientific Problems with Biological and Chemical Evolution” de autoria de Casey Luskin no livro More than Myth, editado por Paul Brown e Robert Stackpole (Chartwell Press, 2014). Eis a lista de todos os artigos: Artigo introdutório, Problema 1, Problema 2, Problema 3, Problema 4, Problema 5, Problema 6, Problema 7, Problema 8, Problema 9, Problema 10.


Durante décadas, os evolucionistas afirmavam que os nossos corpos e os nossos genomas estão cheios de partes inúteis e de material genético inútil — os chamados órgãos “vestigiais” –, mostrando que a vida é resultado de longos períodos de tempo de evolução não controlada. Durante o julgamento de Scopes em 1925, o biólogo evolucionista Horatio Hackett Newman argumentou que existem mais de 180 órgãos vestigiais e estruturas do corpo humano, “suficiente para fazer de um homem um verdadeiro museu vivo de antiguidades” [157].

Ao longo do tempo, no entanto, essas previsões sobre órgãos vestigiais do corpo e sobre DNA inútil não permaneceram verdadeiras. Enquanto os cientistas aprendem mais e mais sobre o funcionamento da biologia, importantes funções e propósitos foram descobertos para essas chamadas estruturas vestigiais. De fato, em 2008, a revista New Scientist relatou que, desde os dias do professor Newman, a lista de órgãos vestigiais “cresceu, e então encolheu novamente” a tal ponto que hoje “os biólogos estão extremamente cautelosos em falar de órgãos vestigiais em tudo” [158]. Estruturas que antes eram incorretamente consideradas vestigiais incluem:

  • As amígdalas: Em algum momento, elas eram removidas com frequência. Agora sabe-se que elas servem a um propósito no sistema linfático para ajudar a combater a infecção [159].
  • O cóccix: Muitos evolucionistas ainda afirmam que este é um remanescente das caudas dos nossos supostos ancestrais primatas [160], mas na verdade é uma parte vital do nosso esqueleto, usada para a fixação de músculos, tendões e ligamentos que suportam os ossos nas nossas pélvis.
  • A tireóide: Acreditou-se uma vez que esta glândula no pescoço não tinha nenhum propósito, e foi ignorada e mesmo destruída por médicos que operam sob falsas premissas darwinianas. Agora os cientistas sabem que ela é vital para a regulação do metabolismo.
  • O apêndice: cientistas darwinistas afirmavam que o apêndice era um “vestígio da nossa ancestralidade herbívora” [161], e que, ao longo das eras evolutivas, a sua função nos seres humanos tem diminuído e está sendo perdida. Mas hoje é sabido que o apêndice desempenha funções importantes, tais como providenciar um armazém de bactérias benéficas, produzindo células brancas do sangue, e desempenhando papéis importantes durante o desenvolvimento fetal [162]. À luz desta evidência, o imunologista William Parker, da Universidade de Duke, observou que “muitos textos de biologia ainda hoje se referem ao apêndice como um órgão vestigial”, mas que “é hora de corrigir os livros didáticos” [163].

Apesar da má reputação das afirmações de que os órgãos eram vestigiais, biólogos evolucionistas tem aplicado esse mesmo tipo de pensamento nos nossos genomas. Muitos postularam que a natureza aleatória das mutações iria encher nossos genomas com lixo genético inútil, apelidado de “DNA lixo”. Esta hipótese foi aparentemente confirmada quando foi descoberto que apenas 2% do genoma humano era codificado por proteínas, deixando os outros 98% sem explicação. Muitos cientistas que atuam como porta-vozes da biologia evolutiva tem afirmado que esta evidência dá evidências conclusivas da evolução darwiniana:

  • O biólogo evolucionista Kenneth Miller da Brown University argumenta que “o genoma humano está repleto de pseudogenes, fragmentos de genes, os genes ‘órfãos’, DNA lixo, e tantas cópias repetidas de sequências de DNA sem sentido que isso não pode ser atribuído a qualquer coisa que pareça ter sido projeto inteligente” [164].
  • Richard Dawkins igualmente escreve que “os criacionistas podem passar um bom tempo especulando sobre por que o Criador bagunçou nos genomas colocando pseudogenes não traduzidos e repetidos DNA lixo lado a lado” [165].
  • Em seu livro de 2006 The Language of God, Francis Collins alegou que por volta de “45 por cento do genoma humano” é constituído por “flotsam e jetsam genéticos” [166] (Flotsam e jetsam, é claro, é lixo flutuante no oceano). Soando muito parecido com Dawkins, ele faz implicações claras: “A menos que alguém esteja disposto a assumir a posição de que Deus colocou [DNA repetitivo e compartilhado sem função] nessas posições precisas para confundir e nos enganar, a conclusão de um ancestral comum para os seres humanos e ratos é praticamente inevitável” [167].

O problema com esses argumentos não é teológico, mas sim científico: Vários exemplos de funções foram descobertas para o chamado DNA lixo.

O biólogo Richard Sternberg examinou a literatura e encontrou várias evidências de funções para o DNA repetitivo. Escrevendo na revista Annals of a New York Academy of Sciences, ele descobriu que, entre as funções das repetições, inclui-se a formação de estruturas nucleares de ordem superior, centrômeros, telômeros e centros de nucleação para a metilação do DNA. Descobriu-se que o DNA repetitivo estava envolvido na proliferação de células, nas respostas ao stress celular, na tradução de genes e no reparo de DNA [168]. Sternberg concluiu que “a narrativa do DNA [lixo] egoísta e histórias associadas deveriam se juntar aos outros ‘ícones’ da teoria da evolução neo-darwinista que, apesar do seu desacordo com as evidências empíricas, no entanto, persistem na literatura” [169].

Outras pesquisas continuam a descobrir funções para vários tipos de DNA repetitivo, incluindo SINE [170], LINE [171], e elementos Alu [172]. Um artigo chegou a sugerir que sequências Alu repetitivas podem estar envolvidas no “desenvolvimento da função cerebral superior” em humanos [173]. Numerosas outras funções foram descobertas para vários tipos de DNA não-codificante de proteínas, incluindo:

  • reparo de DNA [174];
  • auxilio na replicação de DNA [175];
  • regulação de transcrição do DNA [176];
  • auxílio no dobramento e na manutenção de cromossomos [177];
  • controle da edição e do entrelaçamento de RNA [178];
  • ajuda no combate de doenças [179];
  • regulação do desenvolvimento embrionário [180];

Sternberg, juntamente com o geneticista da Universidade de Chicago James Shapiro, previu em 2005 no periódico Cytogenetic and Genome Research que “um dia, iremos pensar naquilo que costumava ser chamado de ‘DNA lixo’ como sendo um componente essencial de um verdadeiro regime de controle celular” [181].

O dia previsto por Sternberg e Shapiro talvez tenha vindo mais cedo do que eles esperavam. Em setembro de 2012, a revista Nature relatou os resultados de um projeto de pesquisa de muitos anos, envolvendo mais de 400 cientistas internacionais que estudavam as funções do DNA não-codificante em humanos. Chamado de Projeto ENCODE, seu conjunto de 30 artigos inovadores informou que a grande maioria do genoma tem funções. O artigo mais importante que informava os resultados do Projeto ENCODE afirmou:

Estes dados permitiram que nós atribuíssemos funções bioquímicas para 80% do genoma, em particular, fora das regiões bem estudadas de codificação de proteína. [182]

Ewan Birney, coordenador-chefe de análise do ENCODE, comentou na Discover Magazine que, mesmo que o ENCODE tenha verificado apenas 147 tipos de células e que o corpo humano tem alguns milhares, “é provável que esses 80 por cento vão para 100 por cento” [183]. O mesmo artigo citou Tom Gingeras, um cientista sênior do ENCODE, observando que “quase todos os nucleotídeos estão associados a uma função de algum tipo ou outro, e agora sabemos onde elas estão, o que se liga a elas, quais são as suas associações, e mais” [184]. Outro comentário na Nature observou que “80% do genoma contém elementos ligados a funções bioquímicas, despachando a visão generalizada de que o genoma humano é em sua maior parte DNA lixo” [185]. A Discover Magazine coloca desta forma: “O ponto principal é que não é lixo” [186].

Enquanto ainda há muito que não sabemos sobre o genoma, a tendência da pesquisa está apontando claramente numa direção: quanto mais estudamos o genoma, mais detectamos funções para o DNA não-codificante. No entanto, o hoje duvidoso paradigma do “DNA lixo” nasceu e cresceu dentro do paradigma evolutivo, baseado na ideia de que nosso genoma foi construído por meio de mutações aleatórias. Sim, alguns biólogos velhacos se atreveram a buscar funções para o DNA não-codificante, mas a visão darwiniana do “DNA lixo” da genética tem, em geral, dificultado o progresso da ciência, como foi admitido por um artigo de 2003 na revista Science:

Embora cativante, o termo ‘DNA lixo’ repeliu por muitos anos os pesquisadores de linha de frente de estudar o DNA não-codificante. Quem, a não ser um pequeno número de “mendigos” da ciência genômica, gostaria de vasculhar lixo genético? No entanto, na ciência assim como na vida normal, existem alguns indivíduos que, sob o risco de serem ridicularizados, exploram territórios impopulares. Por causa deles, a visão do DNA lixo, especialmente dos elementos repetitivos, começou a mudar no início da década de 90. Agora, mais e mais biólogos consideram os elementos repetitivos como um tesouro genômico. [187]

Apesar dos pressupostos darwinianos muito difundidos porém contrários a isso, o artigo concluiu que “elementos repetitivos não são DNA lixo inútil, em vez disso são componentes importantes e integrais” [188] dos genomas dos animais. Estudos sugerem que estas longas cadeias de DNA não-codificante entre genes “constituem uma camada importante da regulação do genoma numa gama ampla de espécies” [189].

Assim como os elementos repetitivos, um outro tipo de DNA lixo para o qual algumas funções estão sendo descobertas são os pseudogenes. Pensa-se que os pseudogenes sejam cópias de genes que já foram funcionais alguma vez, mas que foram inativados por mutações. Um artigo no periódico Science Signaling observa que “os pseudogenes foram considerados por muito tempo como DNA lixo” [190], mas nota:

Avanços recentes permitiram concluir que o DNA de um pseudogene, o RNA transcrito a partir de um pseudogene, ou a proteína traduzida a partir de um pseudogene pode ter múltiplas e diferentes funções e que estas funções podem afetar não só os seus genes parentais, mas também genes não relacionados. Portanto, os pseudogenes surgiram como uma classe não apreciada anteriormente de moduladores sofisticados de expressão gênica, com um envolvimento multifacetado na patogênese do câncer humano. [191]

Na verdade, muitas funções dos pseudogenes já foram descobertas [192]: o projeto ENCODE sozinho encontrou mais de 850 pseudogenes que são “transcritos e associados com cromatina ativa” [193]. Mas o que exatamente estes pseudogenes estão fazendo? Um artigo de 2011 no jornal RNA argumenta outra vez que eles podem regular a expressão de genes:

Os pseudogenes tem sido rotulados como DNA de ‘lixo’, cópias falhadas de genes que surgem durante a evolução dos genomas. No entanto, resultados recentes estão desafiando essa alcunha; de fato, alguns pseudogenes parecem possuir potencial de regular os seus primos codificadores de proteínas. [194]

Da mesma forma, um artigo de 2012 na revista RNA Biology afirmou similarmente que os “pseudogenes foram considerados por muito tempo como DNA genômico de lixo”, mas “a regulação pelos pseudogenes é bem difundida” [195] em organismos multicelulares complexos. O artigo propôs que “a alta abundância e conservação dos pseudogenes numa variedade de espécies indicam que pressões seletivas preservam esses elementos genéticos, e sugerem que eles podem de fato desempenhar funções biológicas importantes” [196].

Os pseudogenes servem como mais um bom exemplo de como os biólogos darwinistas tem assumido que um tipo de DNA não-codificante que eles não compreendiam era lixo genético sem função e, portanto, ignoravam suas funções. Na verdade, o artigo acima mencionado na revista RNA Biology explica que uma das razões pelas quais os evolucionistas tem sido tão lentos para abandonar o pressuposto de que os pseudogenes sejam lixo é porque as suas funções são difíceis de detectar. Os autores constatam que “quase todos os pseudogenes que apresentam atividade biológica significativa estão expressos em linhas de células ou de tecidos específicos”, o que significa que apenas esses tecidos específicos ou linhas de células podem utilizar determinado pseudogene para alguma função. Além disso, é difícil de detectar as funções dos pseudogenes porque nos faltavam as ferramentas de pesquisa para entender como eles influenciam a expressão do gene. O artigo prevê que “mais e mais pseudogenes funcionais serão descobertos assim que novas tecnologias para a biologia sejam desenvolvidas no futuro”, e conclui que “o estudo dos pseudogenes funcionais está apenas no começo” [197]. Na verdade, dois biólogos importantes que escreveram na Annual Review of Genetics relataram que “os pseudogenes que tem sido investigados satisfatoriamente muitas vezes exibem papéis funcionais” [198].

Muitos biólogos evolucionistas estão apegados à visão de que nossos genomas são cheios de lixo, e resistem à interpretação de que praticamente todo o DNA tem função. De fato, um livro de 2012 sobre evolução ensina que “mais de metade do genoma não é composto nem de genes, nem de vestígios de genes humanos, nem de regiões reguladoras. Em vez disso, ele é composto de segmentos que parecem parasitas de DNA” [199]. Enquanto isso, as evidências continuam a apontar na direção oposta. Embora ainda falte muito a ser aprendido sobre o funcionamento do nosso genoma, a tendência da pesquisa é inequívoca: quanto mais estudamos o DNA não-codificante, mais encontramos evidências de função por toda parte.

Problema Bônus: Os seres humanos exibem muitas habilidades comportamentais e cognitivas que não oferecem nenhuma vantagem aparente de sobrevivência

Nos últimos anos, os biólogos evolucionistas tentaram explicar a origem das capacidades morais, intelectuais e religiosas dos seres humanos nos termos da evolução darwiniana. O psicólogo evolucionista da Universidade de Harvard Marc Hauser tem promovido a hipótese cada vez mais comum de que “as pessoas nascem com uma gramática moral montada em seus circuitos neurais pela evolução” [200].

Os seres humanos parecem montados para a moralidade, mas nós fomos programados por processos evolutivos não controlados? A seleção natural não consegue explicar atos extremos de bondade humana. Independentemente da sua origem ou crenças, na situação de encontrar estranhos presos dentro de um veículo em chamas, as pessoas arriscarão suas próprias vidas para ajudá-los a escapar — sem vantagem evolutiva para si mesmas. Por exemplo, o biólogo evolucionista Jeffrey Schloss explica que as equipes de resgate do Holocausto assumiram grandes riscos os quais não ofereciam nenhum benefício pessoal:

A família do socorrista, outros membros da família e amigos ficaram todos em perigo, e eles foram reconhecidos por estarem em perigo pelo socorrista. Além disso, mesmo se a família escapasse da morte, eles muitas vezes experimentaram privação de alimentos, espaço e comércio social; aflição emocional extrema; e perda da atenção pelo socorrista. [201]

Francis Collins dá o exemplo de Oskar Schindler, o empresário alemão que arriscou sua vida “para salvar mais de mil judeus das câmaras de gás” [202]. Como Collins ressalta, “isso é o oposto de salvar seus genes” [203]. Schloss acrescenta outros exemplos de comportamento “radicalmente sacrificial”, que “reduz o sucesso reprodutivo” e não oferece nenhum benefício evolutivo, tais como a pobreza voluntária, o celibato, e martírio [204].

Apesar das reivindicações de psicólogos evolucionistas, muitas das habilidades mais impressionantes na caridade, na arte e no intelectualismo da humanidade ultrapassam os requisitos básicos da seleção natural. Se a vida for simplesmente uma questão de sobrevivência e reprodução, por que os seres humanos compoem sinfonias, investigam a mecânica quântica, e constroem catedrais?

Philip Skell, membro da Academia Nacional de Ciências dos EUA (Natural Academy of Sciences), explicou por que a psicologia evolucionista não prevê adequadamente o comportamento humano:

Explicações darwinianas para tais coisas são flexíveis demais: A seleção natural torna os seres humanos egoístas e agressivos — exceto quando se tornam altruístas e serenos. Ou a seleção natural produz homens viris que avidamente espalham suas sementes — exceto quando ela prefere homens que sejam fiéis protetores e provedores. Quando uma explicação é tão flexível ao ponto de explicar qualquer comportamento, é difícil de testa-la experimentalmente, muito menos de usa-la como um catalisador para a descoberta científica. [205]

Ao contrário do darwinismo, a evidência indica que a vida humana não se trata de mera sobrevivência e reprodução. Mas, além de nossa singularidade moral, os seres humanos também são distintos pelo seu uso de linguagem complexa. Como o professor e lingüista do MIT Noam Chomsky observa:

A linguagem humana parece ser um fenômeno único, sem análogo significativo no mundo animal. Se é assim, é bem insensato mostrar o problema de explicar a evolução da linguagem humana a partir de sistemas mais primitivos de comunicação que aparecem em níveis mais baixos de capacidade intelectual. (…) Não existem razões para se supor que as “lacunas” sejam “atravessáveis”. [206]

Por último, o ser humano também é a única espécie que busca investigar o mundo natural através da ciência. Na verdade, da próxima vez que alguém tentar listar as diferenças entre humanos e macacos, lembrem-no que são os seres humanos que escrevem artigos científicos para estudar os macacos, e não o contrário.

Ciência versus religião?

Esta série citou dezenas de artigos da literatura científica e técnica e de cientistas de muita credibilidade os quais, tomados em conjunto, representam fortes desafios científicos à moderna teoria da evolução. No entanto, os defensores do neo-darwinismo afirmam comumente que objeções científicas legítimas para seu ponto de vista não existem, e que as únicas críticas que ficam são baseadas em religião. É claro que isso não é verdade. Na verdade, a tentativa de renomear as críticas da evolução neo-darwiniana como se fossem religiosas é uma manobra típica para ignorar as críticas científicas sem enfrenta-las.

Toda a argumentação, é claro, levanta tanto argumentos religiosos como científicos e que apoiam a visão da criação progressiva, segundo a qual Deus teria a vida na Terra ao longo de milhões de anos. Este ponto de vista tem dimensões religiosas e científicas, sendo por isso diferente da abordagem estritamente científica feita nesta série.

O fato de que alguns argumentos possam ser baseados em religião não altera em nada o fato de que existem grandes desafios científicos à teoria neo-darwiniana. Da mesma forma, o fato de existirem importantes dimensões religiosas neste debate não significa que os materialistas possam ignorar as fragilidades científicas dos seus próprios argumentos. Até que esses problemas científicos sejam respondidos, os cientistas vão continuar a aumentar seu ceticismo pela teoria da evolução.

Texto traduzido e adaptado de ENV.

Referências:

[157] Horatio Hackett Newman, citado em The World’s Most Famous Court Trial: Tennessee Evolution Case, 2nd ed. (Dayton, TN: Bryan College, 1990), 268. Veja também Robert Wiedersheim, The Structure of Man: An Index to His Past History (London: MacMillan and Co, 1895; reimpresso por Kessinger, 2007).

[158] Laura Spinney, “Vestigial organs: Remnants of evolution”, New Scientist, 2656 (14 de maio de 2008), em http://www.newscientist.com/article/mg19826562.100-vestigial-organs-remnants-of-evolution.html.

[159] Sylvia S. Mader, Inquiry into Life, 10th ed. (McGraw Hill, 2003), 293.

[160] Laura Spinney, “The Five things humans no longer need”, New Scientist (19 de maio de 2008), em http://www.newscientist.com/article/dn13927-five-things-humans-no-longer-need.html.

[161] Douglas Theobald, “29+ Evidences for Macroevolution”, TalkOrigins.org, em http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/section2.html.

[162] Veja Loren G. Martin, “What is the function of the human appendix? Did it once have a purpose that has since been lost?”, Scientific American (21 de outubro de 1999), em http://www.scientificamerican.com/article/what-is-the-function-of-the-human-appendix-did-it-once-have-a-purpose-that-has-since-been-lost/.

[163] William Parker citado em Charles Q. Choi, “The Appendix: Useful and in Fact Promising”, LiveScience (24 de agosto de 2009).

[164] Miller, “Life’s Grand Design”, 24-32. Miller cita “genes órfãos” mas esses genes não são considerados genes sem função. Ao invés disso, genes órfãos são genes funcionais que não possuem homólogo conhecido entre outros genes. Tais genes órfãos dão evidências de design inteligente pois não há fonte plausível das informações neles presentes.

[165] Richard Dawkins, “The Information Challenge”, The Skeptic, 18 (dezembro de 1998).

[166] Francis Collins, The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief (New York: Free Press, 2006), 136-37.

[167] Ibid., pp. 134-137.

[168] Richard Sternberg, “On the Roles of Repetitive DNA Elements in the Context of a Unified Genomic- Epigenetic System”, Annals of the New York Academy of Sciences, 981 (2002): 154-88.

[169] Ibid.

[170] Ibid.

[171] Tammy A. Morrish, Nicolas Gilbert, Jeremy S. Myers, Bethaney J. Vincent, Thomas D. Stamato, Guillermo E. Taccioli, Mark A. Batzer, and John V. Mora “DNA repair mediated by endonuclease-independent LINE-1 retrotransposition”, Nature Genetics, 31 (junho de 2002): 159-65.

[172] Galit Lev-Maor, Rotem Sorek, Noam Shomron, and Gil Ast, “The birth of an alternatively spliced exon: 3′ splice-site selection in Alu exons”, Science, 300 (23 de maio de 2003): 1288-91;
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[173] Nurit Paz-Yaacova, Erez Y. Levanonc, Eviatar Nevod, Yaron Kinare, Alon Harmelinf, Jasmine Jacob-Hirscha, Ninette Amariglioa, Eli Eisenbergg, and Gideon Rechavi, “Adenosine-to-inosine RNA editing shapes transcriptome diversity in primates”, Proceedings of the National Academy of Sciences USA, 107 (6 de julho de 2010): 12174-79.

[174] Morrish et al., “DNA repair mediated by endonuclease-independent LINE-1 retrotransposition”, 159-65;
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[175] Richard Sternberg and James A. Shapiro, “How repeated retroelements format genome function”, Cytogenetic and Genome Research, 110 (2005): 108-16.

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[181] Richard Sternberg and James A. Shapiro, “How repeated retroelements format genome function”, Cytogenetic and Genome Research, 110 (2005): 108-16.

[182] The ENCODE Project Consortium, “An integrated encyclopedia of DNA elements in the human genome”, Nature, 489:57-74 (6 de setembro de 2012).

[183] Ewan Birney, citado em Ed Yong, “ENCODE: the rough guide to the human genome”, Discover Magazine (5 de setembro de 2012), em http://blogs.discovermagazine.com/notrocketscience/2012/09/05/encode-the-rough-guide-to-the-human-genome/

[184] Tom Gingeras, citado em Ed Yong, “ENCODE: the rough guide to the human genome”, Discover Magazine (5 de setembro de 2012), em http://blogs.discovermagazine.com/notrocketscience/2012/09/05/encode-the-rough-guide-to-the-human-genome/

[185] Joseph R. Ecker, “Serving up a genome feast”, Nature, 489:52-55 (6 de setembro de 2012).

[186] Ed Yong, “ENCODE: the rough guide to the human genome”, Discover Magazine (5 de setembro de 2012), em http://blogs.discovermagazine.com/notrocketscience/2012/09/05/encode-the-rough-guide-to-the-human-genome/

[187] Makalowski, “Not Junk After All”, 1246-47.

[188] Ibid.

[189] David R. Kelley and John L. Rinn, “Transposable elements reveal a stem cell specific class of long noncoding RNAs”, Genome Biology, 13:R107 (2012).

[190] Laura Poliseno, “Pseudogenes: Newly Discovered Players in Human Cancer”, Science Signaling, 5 (242) (18 de setembro de 2012).

[191] Ibid.

[192] Ver por exemplo D. Zheng and M. B. Gerstein, “The ambiguous boundary between genes and pseudogenes: the dead rise up, or do they?”, Trends in Genetics, 23 (maio de 2007): 219-24;
S. Hirotsune et al., “An expressed pseudogene regulates the messenger-RNA stability of its homologous coding gene”, Nature, 423 (1 de maio de 2003): 91-96;
O. H. Tam et al., “Pseudogene-derived small interfering RNAs regulate gene expression in mouse oocytes”, Nature, 453 (22 de maio de 2008): 534-38;
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[193] The ENCODE Project Consortium, “An integrated encyclopedia of DNA elements in the human genome”, Nature, 489:57-74 (6 de setembro de 2012).

[194] Ryan Charles Pink, Kate Wicks, Daniel Paul Caley, Emma Kathleen Punch, Laura Jacobs, and David Paul Francisco Carter, “Pseudogenes: Pseudo-functional or key regulators in health and disease?”, RNA, 17 (2011): 792-98.

[195] Yan-Zi Wen, Ling-Ling Zheng, Liang-Hu Qu, Francisco J. Ayala and Zhao-Rong Lun, “Pseudogenes are not pseudo any more”, RNA Biology, 9(1):27-32 (janeiro de 2012).

[196] Ibid.

[197] Ibid.

[198] Evgeniy S. Balakirev and Francisco J. Ayala, “Pseudogenes, Are They ‘Junk’ or Functional DNA?”, Annual Review of Genetics, 37 (2003): 123-51.

[199] Carl Zimmer and Douglas Emlen, Evolution: Making Sense of Life, p. 132 (Roberts and Company, 2012).

[200] Nicholas Wade, “An Evolutionary Theory of Right and Wrong”, The New York Times (31 de outubro de 2006), acessado em 28 de abril de 2012, http://www.nytimes.com/2006/10/31/health/psychology/31book.html

[201] Jeffrey P. Schloss, “Evolutionary Accounts of Altruism & the Problem of Goodness by Design”, in Mere Creation;
Science, Faith & Intelligent Design
, ed. William A. Dembski (Downers Grove, IL, Intervarsity Press, 1998), 251.

[202] Francis Collins quoted in Dan Cray, “God vs. Science”, Time Magazine (5 de novembro de 2006), acessado em 28 de abril de 2012, http://www.time.com/time/printout/0,8816,1555132,00.html

[203] Ibid.

[204] Jeffrey P. Schloss, “Emerging Accounts of Altruism: ‘Love Creation’s Final Law’?”, in Altruism and Altruistic Love: Science, Philosophy, & Religion in Dialogue, eds. Stephen G. Post, Lynn G. Underwood, Jeffrey P. Schloss, and William B. Hurlbut (Oxford: Oxford University Press, 2002), 221.

[205] Philip S. Skell, “Why do we invoke Darwin?”, The Scientist, 19 (29 de agosto de 2005): 10.

[206] Noam Chomsky, Language and Mind, 3rd ed. (Cambridge: Cambridge University Press, 2006), 59.

Problema 9: O neo-darwinismo se esforça muito para explicar a distribuição biogeográfica de muitas espécies

Nota do tradutor: esta é a parte 9 da série de 10 artigos sobre os problemas científicos da evolução biológica e química. A série é baseada no capítulo “The Top Ten Scientific Problems with Biological and Chemical Evolution” de autoria de Casey Luskin no livro More than Myth, editado por Paul Brown e Robert Stackpole (Chartwell Press, 2014). Ao fim dos 10 artigos, toda a série será publicada em um único texto. Eis a lista dos artigos anteriores: Artigo introdutório, Problema 1, Problema 2, Problema 3, Problema 4, Problema 5, Problema 6, Problema 7, Problema 8.


Biogeografia é o estudo da distribuição dos organismos no tempo e no espaço, tanto no presente como no passado da Terra. É comum se afirmar que a biogeografia apoia fortemente a teoria neo-darwinista. Por exemplo, o National Center for Science Education (NCSE), um grupo defensor de Darwin, afirma que “a consistência entre os padrões biogeográficos e evolutivos fornece evidências importantes sobre a continuidade dos processos de condução a evolução e diversificação de toda a vida”, e “essa continuidade é o que seria esperado de um padrão de descendência comum”. No entanto, o NCSE exagera seu caso de forma dramática e ignora os muitos casos em que a biogeografia não mostra o tipo de “continuidade” que seria esperada sob um padrão de descendência comum.

Explicações evolutivas da biogeografia falham quando organismos terrestres (ou de água doce) aparecem em um local (como numa ilha ou num continente) onde não exista nenhum mecanismo padrão migratório pelo qual eles chegassem lá a partir de alguma população ancestral. Em outras palavras, quando encontramos duas populações de organismos, a evolução darwiniana afirma que, se voltamos atrás num tempo suficiente, elas devem estar ligadas pela descendência comum. Mas as vezes é praticamente impossível de explicar como essas populações poderiam ter chegado em suas respectivas localizações geográficas do globo a partir de alguma população ancestral.

Por exemplo, um dos enigmas biogeográficos mais graves para a teoria darwiniana é a origem dos macacos sul-americanos chamados de “platirrinos” (platyrrhini). Com base em evidências moleculares e morfológicas, os macacos platirrinos do Novo Mundo são considerados descendentes dos macacos “catarrhini” do Velho Mundo africano. O registro fóssil mostra que os macacos viveram na América do Sul pelos últimos 30 milhões de anos [137]. Mas a história das placas tectônicas mostra que a África e a América do Sul se separaram por volta de 100 a 120 milhões de anos atrás, e que a América do Sul era um continente-ilha isolado há cerca de 80 – 3,5 milhões de anos [138]. Se os macacos da América do Sul se separaram dos macacos africanos em torno de 30 milhões de anos atrás, os proponentes do neo-darwinismo devem explicar de alguma forma como eles atravessaram centenas, se não milhares, de quilômetros de oceano aberto para chegar na América do Sul.

Esse problema para os biólogos evolucionistas tem sido reconhecido por diversos especialistas. Um livro da Harper Collins sobre a evolução humana afirma: “A origem dos macacos platirrinos intrigaram os paleontólogos por décadas (…) Quando e como os macacos chegaram à América do Sul?” [139] Os primatologistas John G. Fleagle e Christopher C. Gilbert escrevem dessa maneira em um volume científico sobre as origens dos primatas:

O aspecto biogeográfico mais desafiador da evolução dos platirrinos concerne à origem de todo o clado. A América do Sul era um continente-ilha durante a maior parte do Terciário e os paleontólogos tem debatido por muito tempo neste século sobre como e por onde os primatas alcançaram a América do Sul. [140]

O especialista em primatas Walter Carl Hartwig é igualmente contundente: “A questão das origens do platirrinos incorpora várias questões diferentes. Como os platirrinos chegaram à América do Sul?” [141] Perguntas básicas e irritantes certamente não dão credibilidade às alegações do NCSE sobre “consistência entre os padrões biogeográficos e evolutivos”.

Para aqueles que não estão familiarizados com os tipos de argumentos feitos por biogeógrafos neo-darwinistas, as respostas a estes enigmas podem ser incríveis demais para serem acreditadas. Um livro da Harper Collins explica: “A hipótese do ‘rafting’ (jangada) argumenta que os macacos evoluíram a partir de prossímios apenas uma única vez na África, e fizeram a viagem de jangada pela água para a América do Sul” [142]. E é claro, não poderia haver apenas um macaco marinheiro, ou o macaco iria morrer em breve sem deixar descendência. Então, pelo menos dois macacos (ou talvez uma única fêmea grávida) deve ter feito a viagem de jangada.

Fleagle e Gilbert observam que a hipótese ‘rafting’ “levanta uma questão biogeográfica difícil”, porque “a América do Sul está separada da África por uma distância de pelo menos 2600 km, tornando muito improvável essa ligação filogenética e biogeográfica entre as faunas de primatas dos dois continentes” [143]. Mas eles estão presos em um paradigma evolucionista, o que significa que eles são obrigados a encontrar uma ligação sendo ela provável ou não. Eles argumentam que, à luz da “ausência de quaisquer antropóides da América do Norte, combinada com a considerável evidência morfológica de uma conexão América do Sul e África do roedor e faunas primatas”, que portanto “a hipótese ‘rafting’ é o cenário mais provável para a origem biogeográfica dos platirrinos” [144]. Em outras palavras, a hipótese do ‘rafting’ que era improvável passou a ser “provável” só porque “sabemos” que a descendência comum tem que ser verdadeira.

Na verdade, a hipótese ‘rafting’ enfrenta sérios problemas, porque tanto os mamíferos como os macacos tem metabolismo alto e requerem grandes quantidades de comida e água [145]. Fleagle e Gilbert, assim, admitem que “a dispersão sobre a água durante a evolução dos primatas parece surpreendente demais para a ordem dos mamíferos”, e concluem, “as razões para a prevalência do ‘rafting’ no curso da evolução dos primatas precisa ser explicada” [146]. Ou, como Hartwig coloca, “A evidência esmagadora do isolamento da América do Sul no final do período Cretáceo-Plioceno torna o aspecto mecânico da dispersão dos platirrinos praticamente insolúvel”, porque “qualquer modelo das origens do final do período eocênico precisa recorrer a um mecanismo de passagem transoceânica (‘rafting’) que é implausível, ou na melhor das hipóteses, suspeito” [147].

E há problemas mais profundos: aparentemente, macacos fizeram a viagem da África para a América do Sul, mas outros primatas africanos menores não colonizaram o Novo Mundo. Se foi tão fácil para os macacos atravessarem de jangada o proto-oceano Atlântico, por que esses primatas menores também não fizeram a viagem? A razão que Fleagle e Gilbert nos dão é que não há nenhuma razão, e tudo se resume ao mero acaso. Em suas próprias palavras, a hipótese ‘rafting’ seria “claramente um acontecimento fortuito” e “alguém poderia especular que por um lance de sorte grande, antropóides foram capazes de “ganhar” os sorteios enquanto os lorises e gálagos não” [148].

Este não é o único caso que faz apelo à hipótese ‘rafting’ ou a outros mecanismos especulativos de “dispersão oceânica” para explicar os enigmas biogeográficos que desafiam o neo-darwinismo. Exemplos incluem a presença de lagartos e grandes roedores caviomorfos na América do Sul [149], a chegada das abelhas, lêmures e outros mamíferos no Madagascar [150], o aparecimento de fósseis de elefantes em muitas ilhas [151], o aparecimento de rãs de água doce em toda a cadeia de ilhas oceânicas [152], e diversas exemplos similares [153]. Esse problema também acontece em espécies extintas, como um artigo no Annals of Geophysics observa o “problema ainda não resolvido de distribuição desconexa de fósseis nas costas opostas do Pacífico” [154]. Uma avaliação de 2005 no Trends in Ecology and Evolution explica o problema:

Um problema clássico na biogeografia é explicar por que determinados táxons terrestres ou de água doce têm distribuições geográficas que são quebradas por oceanos. Por que as faias do sul (Nothofagus spp.) são encontradas na Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e no sul da América do Sul? Por que existem iguanas nas Ilhas Fiji, enquanto todos os seus parentes próximos estão no Novo Mundo? [155]

Depois de analisar uma série de exemplos biogeográficos “inesperados” que requerem a dispersão oceânica, a avaliação conclui: “estes casos reforçam a mensagem geral do grande evolucionista (Darwin): dado um tempo suficiente, muitas coisas que parecem improváveis podem acontecer” [156].

Dessa forma, os evolucionistas neo-darwinistas são forçados apelar para migrações “improváveis” ou “inesperadas” de organismos, em alguns casos exigindo a travessia de oceanos para explicar os dados biogeográficos. Esse tipo de dados não necessariamente falsifica o darwinismo em absoluto, mas em parte ele desafia o argumento simplista de que a biogeografia dá suporte a descendência comum universal pela congruência entre as vias de migração e história evolutiva. Em muitos casos, a congruência simplesmente não existe.

Texto traduzido e adaptado de ENV.

Referências:

[137] Alfred L Rosenberger e Walter Carl Hartwig, “New World Monkeys”, Encyclopedia of Life Sciences (Nature Publishing Group, 2001).

[138] Carlos G. Schrago e Claudia A. M. Russo, “Timing the origin of New World monkeys”, Molecular Biology and Evolution 20(10):1620–1625 (2003); John J. Flynn e A.R. Wyss, “Recent advances in South American mammalian paleontology”, Trends in Ecology and Evolution, 13(11):449-454 (novembro de 1998); C. Barry Cox e Peter D. Moore, Biogeography: An Ecological and Evolutionary Approach, p. 185 (Blackwell Science, 1993).

[139] Adrienne L. Zihlman, The Human Evolution Coloring Book, pp. 4-11 (Harper Collins, 2000).

[140] John G. Fleagle e Christopher C. Gilbert, “The Biogeography of Primate Evolution: The Role of Plate Tectonics, Climate and Chance”, em Primate Biogeography: Progress and Prospects, pp. 393-394 (Shawn M. Lehman e John G. Fleagle, eds., Springer, 2006) (ênfase nossa).

[141] Walter Carl Hartwig, “Patterns, Puzzles and Perspectives on Platyrrhine Origins”, em Integrative Paths to the Past: Paleoanthropological Advances in Honor of F. Clark Howell, p. 69 (editado por Robert S. Corruccini e Russell L. Ciochon, Prentice Hall, 1994).

[142] Adrienne L. Zihlman, The Human Evolution Coloring Book, pp. 4-11 (Harper Collins, 2000).

[143] John G. Fleagle e Christopher C. Gilbert, “The Biogeography of Primate Evolution: The Role of Plate Tectonics, Climate and Chance”, em Primate Biogeography: Progress and Prospects, p. 394 (Shawn M. Lehman e John G. Fleagle, eds., Springer, 2006) (ênfase nossa).

[144] Ibid. em 394-395 (ênfase nossa).

[145] Ibid. em 404.

[146] Ibid. em 403-404.

[147] Walter Carl Hartwig, “Patterns, Puzzles and Perspectives on Platyrrhine Origins”, em Integrative Paths to the Past: Paleoanthropological Advances in Honor of F. Clark Howell, pp. 76, 84 (editado por Robert S. Corruccini e Russell L. Ciochon, Prentice Hall, 1994).

[148] John G. Fleagle e Christopher C. Gilbert, “The Biogeography of Primate Evolution: The Role of Plate Tectonics, Climate and Chance”, em Primate Biogeography: Progress and Prospects, p. 395 (Shawn M. Lehman e John G. Fleagle, eds., Springer, 2006).

[149] John C. Briggs, Global Biogeography, p. 93 (Elsevier Science, 1995).

[150] Susan Fuller, Michael Schwarz e Simon Tierney, “Phylogenetics of the allodapine bee genus Braunsapis: historical biogeography and long-range dispersal over water”, Journal of Biogeography, 32:2135–2144 (2005); Anne D. Yoder, Matt Cartmill, Maryellen Ruvolo, Kathleen Smith e Rytas Vilgalys, “Ancient single origin of Malagasy primates”, Proceedings of the National Academy of Sciences USA, 93:5122– 5126 (maio de 1996); Peter M. Kappeler, “Lemur Origins: Rafting by Groups of Hibernators?”, Folia Primatol, 71:422–425 (2000); Christian Roos, Jürgen Schmitz e Hans Zischler, “Primate jumping genes elucidate strepsirrhine phylogeny”, Proceedings of the National Academy of Sciences USA, 101: 10650–10654 (20 de julho de 2004); Philip D. Rabinowitz e Stephen Woods, “The Africa–Madagascar connection and mammalian migrations”, Journal of African Earth Sciences, 44:270–276 (2006); Anne D. Yoder, Melissa M. Burns, Sarah Zehr, Thomas Delefosse, Geraldine Veron, Steven M. Goodman e John J. Flynn, “Single origin of Malagasy Carnivora from an African ancestor”, Nature, 421:734-777 (13 de fevereiro de 2003).

[151] Richard John Huggett, Fundamentals of Biogeography, p. 60 (Routledge, 1998).

[152] G. John Measey, Miguel Vences, Robert C. Drewes, Ylenia Chiari, Martim Melo, e Bernard Bourles, “Freshwater paths across the ocean: molecular phylogeny of the frog Ptychadena newtoni gives insights into amphibian colonization of oceanic islands”, Journal of Biogeography, 34: 7-20 (2007).

[153] Alan de Queiroz, “The resurrection of oceanic dispersal in historical biogeography”, Trends in Ecology and Evolution, 20(2): 68-73 (fevereiro de 2005). Para uma discussão mais detalhada, ver Casey Luskin, “The Constitutionality and Pedagogical Benefits of Teaching Evolution Scientifically”, University of St. Thomas Journal of Law & Public Policy, VI (1): 204-277 (outono de 2009).

[154] Giancarlo Scalera, “Fossils, frogs, floating islands and expanding Earth in changing-radius cartography – A comment to a discussion on Journal of Biogeography”, Annals of Geophysics, 50(6):789-798 (dezembro de 2007).

[155] Alan de Queiroz, “The resurrection of oceanic dispersal in historical biogeography”, Trends in Ecology and Evolution, 20(2): 68-73 (fevereiro de 2005).

[156] Ibid.

Problema 8: Diferenças entre embriões de vertebrados contradizem as previsões da ancestralidade comum

Nota do tradutor: esta é a parte 8 da série de 10 artigos sobre os problemas científicos da evolução biológica e química. A série é baseada no capítulo “The Top Ten Scientific Problems with Biological and Chemical Evolution” de autoria de Casey Luskin no livro More than Myth, editado por Paul Brown e Robert Stackpole (Chartwell Press, 2014). Ao fim dos 10 artigos, toda a série será publicada em um único texto. Eis a lista dos artigos anteriores: Artigo introdutório, Problema 1, Problema 2, Problema 3, Problema 4, Problema 5, Problema 6, Problema 7.


Outra área em que os biólogos evolucionistas afirmam ter evidências poderosas para a ancestralidade comum é os padrões de desenvolvimento dos embriões dos vertebrados. Livros de biologia geralmente retratam os embriões de diferentes grupos de vertebrados como se começassem seu desenvolvimento de forma muito parecida, refletindo a sua ancestralidade comum [129]. No entanto, essas alegações exageram o grau de semelhança entre as fases iniciais dos embriões de vertebrados.

Os biólogos que investigam essas questões têm encontrado variabilidade considerável entre embriões de vertebrados nas suas primeiras fases e em diante, contradizendo o que se é esperado da ancestralidade comum [130]. Como um artigo na Nature declarou, “Contra as expectativas de conservação embrionária precoce, muitos estudos tem mostrado que muitas vezes existe divergências notáveis entre espécies relacionadas tanto no início como no final do desenvolvimento” [131].Ou, como outro artigo em Trends in Ecology and Evolution declarou, “apesar das repetidas afirmações da uniformidade dos embriões dentro de um filo, o desenvolvimento antes do estágio filotípico é muito variado” [132].

Mas a maioria dos embriologistas que reconhecem que os embriões vertebrados iniciam seu desenvolvimento de forma diferente ainda vão afirmar que os embriões passam por um estágio médio muito semelhante no desenvolvimento, o chamado estágio “filotípico” ou “faringula”. Estes teóricos propõem um “modelo ampulheta” de desenvolvimento, no qual se alega que as similaridades entre embriões durante este estágio médio dão evidências para a ancestralidade comum. Um biólogo crítico explica como esse conceito é visto: “É quase como se o estágio filotípico fosse considerado um conceito biológico sem necessidade de nenhuma prova” [133].

Mas quando os biólogos procuraram evidências que sustentassem a existência de um estágio filotípico ou faringula, eles descobriram que os dados apontam na direção oposta. Um estudo abrangente em Anatomy and Embryology pesquisou as características de muitos animais vertebrados durante esta suposta fase semelhante, e descobriram que os embriões mostram diferenças em grandes características, incluindo:

  • tamanho do corpo,
  • plano corporal,
  • padrões de crescimento, e
  • tempo de desenvolvimento. [134]

Os pesquisadores concluíram que a evidência é “contrária ao modelo ampulheta evolutivo” e é “difícil de conciliar” com a existência de um estágio faringula [135]. Da mesma forma, um artigo na Proceedings of the Royal Society of London descobriu que os dados eram “contrários ao previsões do [estágio filotípico]: variação fenotípica entre espécies foi maior no meio da sequência de desenvolvimento”. Ele concluiu que um “grau surpreendente de independência das características de desenvolvimento se faz contra a existência de um estágio filotípico em vertebrados” [136].

Enquanto o desenvolvimento dos vertebrados mostra uma grande variação, embriologistas evolucionistas procuram forçar interpretações evolutivas nos dados. Quando toda regra é frustrada pela exceções, a melhor maneira é simplesmente deixar que os dados falem por si. Uma abordagem não evolucionista na embriologia reconheceria mais facilmente que existem diferenças entre os embriões de vertebrados em todas as fases de desenvolvimento, e que os embriões de vertebrados mostram algumas semelhanças — mas também diferenças significativas — durante a suposta fase filotípica.

Texto traduzido e adaptado de ENV.

Referências:

[129] Ver Colleen Belk e Virginia Borden Maier, Biology: Science for Life, p. 234 (Benjamin Cummings, 2010); Neil A. Campbell e Jane B. Reece, Biology, p. 449 (Benjamin Cummings, 7th ed., 2005); Holt Science & Technology, Life Science, p. 183 (Holt, Rinehart and Winston, 2001).

[130] Andres Collazo, “Developmental Variation, Homology, and the Pharyngula Stage”, Systematic Biology, 49 (2000): 3 ; Michael K. Richardson et al., “There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development”, Anatomy and Embryology, 196:91-106 (1997).

[131] Kalinka et al., “Gene expression divergence recapitulates the developmental hourglass model,” Nature, 468:811 (9 de dezembro de 2010) (citações internas removidas).

[132] Brian K. Hall, “Phylotypic stage or phantom: is there a highly conserved embryonic stage in vertebrates?”, Trends in Ecology and Evolution, 12(12): 461-463 (dezembro de 1997).

[133] Michael K. Richardson et al., “There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development”, Anatomy and Embryology, 196:91-106 (1997).

[134] Michael K. Richardson et al., “There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development”, Anatomy and Embryology, 196:91-106 (1997) ; Steven Poe e Marvalee H. Wake, “Quantitative Tests of General Models for the Evolution of Development”, The American Naturalist, 164 (setembro de 2004): 415-422 ; Michael K. Richardson, “Heterochrony and the Phylotypic Period”, Developmental Biology, 172 (1995): 412-421 ; Olaf R. P. Bininda-Emonds, Jonathan E. Jeffery, and Michael K. Richardson, “Inverting the hourglass: quantitative evidence against the phylotypic stage in vertebrate development”, Proceedings of the Royal Society of London, B, 270 (2003): 341-346.

[135] Michael K. Richardson et al., “There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development”, Anatomy and Embryology, 196:91-106 (1997).

[136] Olaf R. P. Bininda-Emonds, Jonathan E. Jeffery, and Michael K. Richardson, “Inverting the hourglass: quantitative evidence against the phylotypic stage in vertebrate development”, Proceedings of the Royal Society of London, B, 270 (2003): 341-346 ; Steven Poe e Marvalee H. Wake, “Quantitative Tests of General Models for the Evolution of Development”, The American Naturalist, 164 (setembro de 2004): 415-422.