Philosophia Informationis

Philosophia Informationis (do latim para o português: filosofia da informação) é um projeto filosófico que se propõe estudar, formalizar e aplicar o conceito de informação como entidade fundamental da realidade. A posição filosófica, portanto, na qual este projeto se encaixa é o realismo informacional [BaCMI, pp. 197-201, 203]. Tratar-se-á nesse projeto sobre questões e problemas filosóficos clássicos, a saber:

  • Metafísica, ou o problema da realidade: o que realmente existe?
  • Epistemologia, ou o problema do conhecimento: o que é possível conhecer sobre a realidade?
  • Axiologia, ou o problema dos valores: é possível atribuir valor àquilo que existe? Como diferenciar os valores das coisas que existem?

Informação não é nem matéria e nem energia [Cyb, p. 132]. No entanto, ela precisa estar incorporada na matéria e também precisa de energia para ser transmitida. Então que razão haveria de existir uma filosofia que a eleve como se fosse o fundamento básico da realidade? Se o relacionamento da informação com a matéria e a energia é de interdependência, não parece haver sentido em coloca-la na base de uma filosofia, já que a informação trará sempre junto consigo outras duas entidades tão fundamentais quanto ela. Veremos que este contrassenso é apenas aparente.

Entende-se também que tanto a matéria quanto a energia são conservadas, o que significa que a quantidade delas no universo desde o seu início permanece constante. Sendo assim, como conseguimos explicar os novos arranjos materiais que surgem a todo instante no nosso planeta e no universo? É a informação que explica a diversidade de arranjos materiais e, em contraposição à matéria e à energia, essa informação não é constante e portanto não pode ser conservada: sua quantidade no universo só vem aumentando. Os arranjos materiais estão em constante mudança, e o que emerge dessas mudanças são novas informações. Entende-se, portanto, que estruturas informacionais são aquele arranjos materiais que sempre comunicam um certo senso de “forma” definida, uma mensagem ou um padrão, excluindo outras possibilidades que essa forma, mensagem ou padrão poderiam assumir materialmente, e portanto, sempre reduzindo a incerteza.

Os seres vivos são estruturas informacionais dinâmicas, formas pelas quais matéria e energia fluem continuamente. Estruturas informacionais dinâmicas, assim definidas, são estruturas nas quais a informação incorporada na matéria que as constitui é capaz de realizar o processamento de informações pertencentes a outras estruturas informacionais, e com isso transformar a própria informação que pertencia à estrutura informacional original. Um exemplo disso é a célula, dentro da qual, em seu núcleo, pode ocorrer o processo de edição de DNA. Em contrapartida, certas máquinas ou dispositivos criados pelo homem (em sua grande maioria, ao menos até hoje) são considerados estruturas informacionais estáticas, por serem estruturas em que a informação incorporada na sua matéria é capaz de processar informações (e por conseguinte, transformar a matéria) de outras estruturas, mas sem ocorrer transformações na informação da estrutura original.

Até aqui, só foi levada em consideração a concepção negativa da informação — isto é, o que ela não é, nem matéria nem energia, e separando-a conceitualmente dessas outras duas entidades. Agora, façamos a conceituação de modo positivo. Em objetos ou entidades concretas, ela é a forma; em objetos ou entidades abstratas, ela é o conteúdo. Em resumo, informação é a desincorporação ou desmaterialização da essência de qualquer coisa. Ela é mais fundamental do que a lógica e a linguagem, sendo esta uma boa razão para se colocar a informação como a entidade preferencial de análise para todos os problemas em outros campos do conhecimento.

A definição mais comum e popular de informar é o ato de transmitir ou comunicar uma mensagem, através de um canal de comunicação, de um remetente a um destinatário, e a mensagem comunicada dá forma ao destinatário, ou seja, “informa-o”. Popularmente se assume que as duas pontas desse canal de comunicação sejam seres humanos, mas não é sempre assim, pois é sabido que animais também se comunicam. A filosofia da informação proposta neste projeto propõe ampliar a noção de informação para quaisquer entidades. O remetente poderia ser um ser humano, um animal, ou mesmo um objeto puramente material, e o mesmo vale para o destinatário.

Para ilustrar o uso do diagrama acima, pode-se pensar num banco, que precisa notificar sobre certo depósito em conta bancária de um de seus clientes via SMS. Nesta situação, o remetente é o sistema bancário, que formula uma mensagem de aviso de depósito. O transmissor dessa mensagem é a infraestrutura de tecnologia do banco, em conjunto com a do sistema de telefonia. Essa infraestrutura codifica a mensagem segundo um protocolo, gerando um sinal a ser transmitido. Esse sinal percorrerá o canal de comunicação, possivelmente a atmosfera, até chegar ao celular do cliente, que é o receptor do sinal. O celular decodifica o sinal, reconstituindo a mensagem original, que então pode ser reconhecida como tal pelo destinatário, isto é, o cliente. Depois de tudo isso, o cliente toma conhecimento de que certo depósito em conta bancária foi feito.


Referências

[BaCMI] William Dembski, Being As Communion: A Metaphysics of Information. Ashgate Publishing Company, 2014.

[Cyb] Norbert Wiener, Cybernetics (2ª edição). MIT Press, 1961.

[InfoPhi] The Information Philosopher. Portal informationphilosopher.com.