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Design Inteligente e Criacionismo são diferentes

O Design Inteligente precisa ser distinguido daquilo que se chama de Criacionismo Científico.

Uma das diferença mais notórias é que o Criacionismo Científico possui comprometimentos religiosos, enquanto o Design Inteligente não. Existem duas premissas religiosas das quais o criacionismo faz uso para interpretar os dados científicos para que se encaixem nelas, que são: (1) Existe um agente sobrenatural que cria e ordena o universo; e (2) A história bíblica da criação narrada no Gênesis é cientificamente precisa. Em contraste a essas premissas, o Design Inteligente não tem nenhum comprometimento religioso, e interpreta os dados da natureza segundo princípios científicos já aceitos em geral.

O agente sobrenatural pressuposto pelo Criacionismo Científico é geralmente visto como o Deus pessoal e transcendente das religiões monoteístas mais conhecidas, em especial do Cristianismo. A respeito desse Deus, diz-se que Ele teria criado o universo do nada (isto é, sem o uso de matéria pré-existente), e a sequência de eventos pelos quais Deus criou deve ter sido como aquela descrita na Bíblia. De modo diferenciado, o Design Inteligente não procura identificar a causa inteligente responsável pelo design na natureza, e nem procura descrever a sequência de eventos pelos quais esse agente deveria ter agido.

Numa visão geral, as diferenças já são bastante visíveis. Mas isso não é tudo. Passando a olhar com mais detalhe para o conteúdo das proposições de ambos, percebe-se que o Design Inteligente se diferencia ainda mais significativamente do Criacionismo Científico.

No Criacionismo Científico, as proposições são as seguintes:

CC1: Houve uma criação rápida do universo, da energia e da vida a partir do nada.
CC2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para fazer acontecer todo o desenvolvimento dos tipos de vida através de um único organismo.
CC3: Mudanças nos tipos originais das plantas e animais ocorrem somente dentro de limites fixados.
CC4: Existe uma ancestralidade separada entre homens e macacos.
CC5: A geologia terrestre pode ser explicada através do catastrofismo, e em especial, por um dilúvio planetário.
CC6: A Terra e os seres vivos tiveram sua concepção relativamente recente, na ordem dos milhares ou das dezenas de milhares de anos.

Já o Design Inteligente se compromete com as seguintes proposições:

DI1: A Complexidade Especificada e a Complexidade Irredutível são indicadores confiáveis ou assinaturas de design.
DI2: Os sistemas biológicos exibem Complexidade Especificada e fazem uso de subsistemas com Complexidade Irredutível.
DI3: Mecanismos naturalistas ou causas sem direção ou controle não são suficientes para explicar a origem da Complexidade Especificada ou da Complexidade Irredutível.
DI4: Design inteligente constitui a melhor explicação para a origem dos sistemas biológicos, que possuem Complexidade Especificada e Complexidade Irredutível.

Por uma verificação rápida no conteúdo dessas proposições, entende-se que o Design Inteligente e o Criacionismo Científico sejam muito diferentes de fato.

Ademais, o Design Inteligente é modesto nas suas atribuições ao agente inteligente responsável pela Complexidade Especificada na natureza. Por exemplo, os inteligentistas reconhecem que a natureza, o caráter moral e as intenções que essa agente tenha fogem do escopo científico e devem ser deixadas à religião e à filosofia. Por isso, o Design Inteligente se difere das doutrinas teológicas da criação. A criação pressupõe um criador que dá origem ao universo e a toda a matéria nele existente, enquanto o Design Inteligente procura apenas explicar a forma ou o arranjo material dentro de um universo já existente. Os inteligentistas argumentam que certos arranjos de matéria, em especial nos sistemas biológicos, sinalizam de maneira clara alguma inteligência projetista.

Além de propor um agente sobrenatural, o Criacionismo Científico também pressupõe que a narrativa do Gênesis na Biblia seja cientificamente precisa. Ele toma a narrativa bíblica da criação como ponto de partida, e procura encaixar os dados da natureza nessa narrativa. Em contraste a isso, o Design Inteligente começa com os dados da natureza, a partir dos quais argumenta que uma causa inteligente foi responsável pela Complexidade Especificada encontrada. Essa argumentação provém não de pressuposições superficiais, mas sim dos métodos confiáveis desenvolvidos na comunidade científica que procuram distinguir estruturas projetadas intencionalmente das não projetadas.


Este texto é baseado no capítulo 3 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.