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Sobre a expressão “Design Inteligente”

Para evitar algumas confusões que costumam aparecer nos debates sobre Design Inteligente, vamos esclarecer o significado dessa expressão assim como é entendida pela comunidade inteligentista.

A palavra “inteligente” pode ter dois significados distintos. Ela pode se referir tanto à atividade de de um agente inteligente, ainda que ele aja de modo estúpido; ou, por outro lado, ela pode significar que um agente inteligente tenha agido com habilidade. Não perceber essa distinção pode fazer com que a expressão “Design Inteligente” fique confusa. A comunidade inteligentista usa o primeiro dos significados mencionados, isto é, a palavra “inteligente” se refere apenas à agência inteligente, sem qualquer relação com a habilidade do agente. Por isso, existe uma distinção entre Design Inteligente e design otimizado. Além dessa distinção, é preciso diferenciar também o design inteligente do design aparente, segundo o qual o design percebido não é real, mas apenas aparente ou ilusório. Diferentemente do design inteligente, tanto o design otimizado como o design aparente esvaziam o termo design de qualquer significado prático.

Ao contrário da ideia de design otimizado que exigiria um projetista perfeccionista, o Design Inteligente se encaixa mais na noção corriqueira de design, o qual está sujeito às necessidades de alguma situação em detrimento de outras, deixando de satisfazer os requisitos de otimização num cenário idealizado. Nenhum projetista procura otimização no sentido de conseguir um projeto perfeito. Projetistas reais procuram conseguir uma otimização restrita, o que é muito diferente de design perfeito. Todo design envolve objetivos contraditórios, e por isso, o melhor projeto será sempre aquele que tiver o melhor comprometimento entre esses objetivos. A otimização restrita é a arte do comprometimento entre objetivos conflitantes, e é disso que o design se trata. Desqualificar o design em razão de ele não atender a uma otimização idealizada é injustificado, especialmente se os objetivos do projetista não forem conhecidos. No entanto, essa afirmação de que o design biológico não seja ótimo tem sido muito bem sucedida em restringir o debate a respeito do design. Só por ser possível imaginar alguma otimização num sistema, ou que ela possa ser feita, isso não quer dizer que o sistema em questão não tenha sido projetado inicialmente. Uma afirmação científica legítima seria aquela em que alguma estrutura biológica fosse analisada e, nela, fosse demonstrado que algum tipo de otimização restrita pudesse ser realizada.

A inferência ao design é feita pela identificação de características em sistemas cuja causa seja inteligente. No contexto da biologia, a fraquezas ou falhas nas características do projeto de alguns organismos ou ecossistemas poderiam ser compatíveis com as mudanças evolutivas guiadas por alguma inteligência. Nesse cenário, no qual nem todo aspecto biológico tomado isoladamente é ótimo, não se poderia afirmar que toda inteligência que controlasse o processo evolutivo seja falha. O inteligentista não afirma que toda estrutura biológica é projetada. Mecanismos naturalistas como a mutação e a seleção operam nos organismos para adapta-los aos seus ambientes. Porém, esses mecanismos naturais são incapazes de gerar as estruturas altamente específicas e ricas em informação que permeiam toda a biologia. Os organismos exibem características típicas de sistemas de alta tecnologia – armazenamento e transferência de informação, códigos funcionais, sistemas de seleção e de entrega de substâncias, auto-regulação e retroalimentação, arranjos de transdução de sinais – e em todo lugar, existem arranjos complexos de partes bem encaixadas e mutuamente interdependentes, as quais cooperam para executar alguma função.

A maior parte dos críticos do Design Inteligente costuma cometer erro de equivocação no uso dos termos, ou produzem argumentos do homem de palha, ou mesmo fazem ataques ad hominem aos argumentos científicos. Em nome da ciência, muitos também fazer afirmações teológicas extremamente simplistas – como por exemplo, “um deus não produziria essa estrutura dessa forma” –, as quais não são passíveis de falseabilidade. Com isso tornam impossível o prosseguimento do debate científico sério. O fato é que as evidências em favor do Design Inteligente estão aí, e pouco se procurou até agora confronta-las face a face.


Este texto baseado no capítulo 6 do livro de William Dembski, The Design Revolution.

Bibliografia

DEMBSKI, William. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design. InterVarsity Press, 2004.